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CAPÍTULO QUARENTA E OITO: TOCADA POR ELE
POV DA ROSE AMARA
Eu falei pro médico que queria ir pra casa mais tarde naquele dia. Pra ser mais precisa, eu falei pra ele que eu não tava a fim de lidar com nenhuma doença, de qualquer forma. Quando o Ethan entra, ele fica parado na entrada e eu tô quase lá pra me trocar.
Eu fiz de tudo pra ficar longe dele nos últimos dias. Eu não só planejei minha amnésia direitinho. Tipo, ele existe num período da minha vida que eu não lembro, mas eu também tentei ativamente afastar ele. Já que eu fingi uns ataques de pânico, eu merecia ganhar uns prêmios de atuação.
O primeiro dia, tipo? Aquele que me fez chorar? Sim, aquelas lágrimas não foram só pra fazer charme. Eu precisei achar um jeito de descrever a traição, porque foi tão real e visceral.
Eu fuzilei ele com os olhos, mas logo desviei o olhar porque eu não deveria estar encarando um estranho. É mais arriscado, já que o Ethan percebe tudo demais, porque não é óbvio lá fora. Quando ele observa tudo ao redor, ele demonstra uma naturalidade casual. Ele é um assassino, o que ajuda um pouco, e ele também é naturalmente desconfiado, o que também ajuda.
Se eu baixar a guarda um pouquinho, ele vai pra cima de mim. Eu tenho que tomar cuidado porque é por isso que eu afasto ele.
"O médico disse que você pode ir pra casa agora. Você pode ficar mais tempo se não estiver se sentindo bem."
Eu apontei pro modelito que eu ia colocar antes dele entrar e falei, "Tô de boa. Preciso me vestir, então, por favor, me deixa sair."
Ele deu dois passos pra chegar em mim. "Eu te ajudo."
'Não. Só me dá um espaço."
Eu tento ignorar o quão perto ele tá e como, por causa da diferença de altura, o corpo dele quase paira sobre o meu. O cabelo úmido dele descansa na testa larga e musculosa. Ele deve ter tomado banho, trocado de roupa e voltado na hora.
Ele pode agir como se se importasse comigo e com o meu bem-estar, mas eu não sou uma trouxa que vai cair nessa depois de ele ter me usado o tempo todo pra benefício próprio.
O Ethan não fez nenhum esforço pra sair. Em vez disso, ele invade o meu espaço até que o perfume dele, fresco e reconhecível, preencha o ar, e então, sem aviso, ele me prende com a presença dele. Ser presa por ele tem uma certa atração. Fora o lugar onde ele tá, o mundo fica turvo e o oxigênio para de existir. Isso não é nada turvo.
Na real, tá mais brilhante, mais brilhoso e mais transparente. Mas nem tudo o que é visível é legal. Afinal, quando atrai suas vítimas, o diabo se mostra na melhor forma.
"Você perdeu o que eu acabei de falar?"
Eu tento não soar muito mandona pra não levantar suspeitas, mas minha voz não perde a agressividade.
"Sim, Princesa, eu ouvi o que você disse. Mas eu vou ficar."
"Por que diabos você não ficaria?"
"Porque eu prometi ajudar."
"Eu não preciso da sua ajuda."
Ele estica o braço pra pegar o meu braço, mas eu desafio ele e me afasto, falando, "Precisa sim. Olha como você quase não consegue ficar em pé."
"Eu vou pegar ajuda da Eya."
"Por que a Eya?"
"Ela é minha guarda, por que não?"
"Eu também sou seu marido."
Ele fala essas coisas com tanta certeza que quase me dá a impressão de que são verdade e que ele tem um lugar especial no coração frio e escuro dele pra mim, querendo o melhor, tipo tudo o mais sobre ele.
"Você não é meu marido. Eu nunca te conheci."
Ele me vira e desfaz a coisa frágil que prende meu roupão de hospital, falando, "Então você vai me conhecer."
A roupa fina toca os meus joelhos, que então se acumula em volta dos meus pés no chão. Eu me esforço pra fazer meu corpo sentir frio e sem sentir nada, como ele me fez sentir. Meu corpo não é uma entidade separada, então não importa o quanto ele me toque ou o quanto eu já vivi das mãos dele. Meu cérebro entende que ele me enganou de cara, já que tem a ver com o meu cérebro.
Primeiro, ele quebrou a lei.
Depois que o médico tirou a tala macia, os dedos do Ethan contornam a minha nuca e ele examina a carne ali. O toque dele é gentil. A ferida arde, mas eu escondo a minha emoção pra poupá-lo de testemunhar a minha angústia. Ele tá me acariciando de um jeito estranho, eu acho. Não, não é que ele me sente desse jeito, mas ele não tá agindo sexualmente, como costuma fazer.
Ele examina minha pele com as pontas dos dedos, como se estivesse reaprendendo a usar. Ele pode estar lembrando de alguma coisa. Talvez tenha sido ele quem me enforcou.
Eu não ficaria surpresa se fosse ele, mas, já que ele tava falando dentro do espaço, não podia ter sido.
"De quem você sentiu as mãos em você?" A voz dele tinha uma qualidade ameaçadora.
"Você perdeu as palavras do médico? Eu não consigo lembrar."
"Eu juro que vou achar a pessoa que te tocou e matar ela na sua frente, se você lembrar ou não."
"Eu sei matar gente sem a sua ajuda." Eu paro, sem saber se dizer que eu sei me virar vai revelar a minha identidade de verdade.
Mas, quando ele fala, eu consigo ouvir o sorriso na voz dele.
"Algumas coisas continuam iguais."
Ufa.
"Mas, como seu marido, eu vou me vingar de você."
"Eu não preciso de vingança."
O tom dele quebra, "Mas, Princesa, vingança é o meu forte."
Quando ele se refere a mim desse jeito, meu coração dispara.
"Princesa. Ser filha do chefe no começo fez ser um xingamento, mas, desde que ele voltou, tomou mais importância do que nunca deveria ter tido."
"Eu não sou sua princesa", ela falou.
Ainda sendo gentil e atencioso, ele pega o meu sutiã e desliza ele pra cima pelos meus braços. "Você é, sim. E, além disso, você é minha esposa."
"Eu não lembro de ter me casado com você."
"Apesar de ter tido um evento trágico no fim do casamento, duvido que você queira testemunhar isso. Eu posso te mostrar os documentos de registro ou o vídeo filmado durante o casamento quando você disse eu aceito."
Ele prende meu sutiã com uma alça antes de colocar o braço em volta de mim e passar os dedos na minha pele sensível dos seios. O primeiro toque é hesitante, quase inocente. Mas não tem nada de explícito no Ethan, então eu já devia saber. Ele finge estar segurando a alça do sutiã no lugar enquanto os dedos dele se demoram mais e ficam mais exploratórios. Ele coloca a mão no meu ombro, move ela pra minhas costas e então traz de volta pra frente.
Precisa de tudo o que eu tenho pra ficar parada. É uma reação química e hormônios idiotas, não eu. Ethan não tem culpa, né? Mesmo que outra pessoa fizesse isso, eu ainda reagiria do mesmo jeito.
Ele desliza a roupa pelos meus braços enquanto coloca a mão na minha cintura quando minhas pernas tremem quando eu entro nela. Os dedos dele apertam no meu osso da bacia e acariciam pra frente e pra trás. Meu corpo lembra quando ele me fazia usar aquele brinquedo e fazer isso comigo.
Não.
Eu grito, "Para de me tocar desse jeito."
Enquanto ele desliza o vestido pra cima, os olhos dele brilham. Qual o jeito?"
"Como se você estivesse me abusando", eu falei.
Ele dá uma risadinha estranha. "Já que você é minha esposa, não é possível."
"Bom, eu acho que fui abusada."
"Como assim? Eu só tô te ajudando a se vestir de um jeito bem casual."
"Você não tá me ajudando a me vestir. Você tá me convencendo."
Os lábios dele roçam minha orelha, e ele fala, "É porque eu tava com saudades, Princesa."
É impossível ignorar o choque que se espalha violentamente pela minha pele. Eu tento empurrar ele, mas eu tropeço enquanto faço isso. Com uma carranca irritante repuxando os lábios, o Ethan pega no meu braço.
"É isso que acontece quando você rejeita a ajuda oferecida", ele falou.
"Eu falei que não precisava da sua ajuda."
"Estamos de volta ao começo do nosso relacionamento? Eu devo tentar de novo te conquistar?"
"Apesar de eu duvidar que você já me conquistou, você podia tentar."
"Ah, sim, eu tentei. Você, afinal, me chamava pelo meu nome toda noite."
"Não vai acontecer mais nenhuma vez."
"Vamos ver."
"Eu garanto que você não vai conseguir", ela disse.
O Ethan chega por trás de mim e, aparentemente, se divertindo com o ato, levanta com cuidado o zíper do vestido. Os dedos dele se movem pelo meio das minhas costas, fazendo arrepios se espalharem pela minha pele.
Pra me impedir de reagir, eu mordo o lábio inferior. Ele não vai ter a satisfação de ver como eu reajo a ele, eu prometo.
A voz dele assume um tom baixo e ameaçador.
"Você me subestima, Princesa. Você me subestima muito sério."
"Não faz diferença o que você fizer. Eu nunca ia ser seduzida por você."
"Você já foi uma vez."
"Eu acho que não."
"Como você pode?"
Mesmo que eu esteja tentada a prender o cabelo num coque, eu jogo ele pra trás, em vez disso. Eu viro pra encarar ele e olho nos olhos dele.
"Você não faz meu tipo."
Embora ele sorria, não tem comédia nenhuma nisso. Eu sirvo pra todo mundo.
"Você podia muito bem se divorciar de mim, seu babaca metido."
O Ethan coloca os braços em volta da minha cintura e me puxa contra as arestas angulares dele. Enquanto um volume distinto pressiona a parte inferior da minha barriga, eu engasgo. "Isso não vai acontecer. Entendeu o porquê?"
Eu não quero aprender, então a resposta é "não".
"Eu quero te falar uma coisa. Apesar de eu não ser seu tipo, você é o meu."
Ele, sem dúvida, vai deixar isso difícil. Eu considero isso, não o fato de ele ter falado que eu sou o tipo dele.
Mentiras....Ele mente sobre cada coisa que ele fala.
Quando eu tento escapar, ele segura meu quadril e me prende ali enquanto me direciona pra fora do hospital e em direção ao carro dele. Depois da gente, Eya e Zeth me perguntam em voz baixa se devem se envolver. Eu gentilmente balancei a cabeça em sinal de não.
Eu posso lutar, agir, ou fingir um ataque de pânico, mas essas são só soluções paliativas. Eu tinha que jogar o jogo dele pra garantir que meu plano funcionasse. O paradoxo. Ethan e eu só conseguimos concordar em jogos de vídeo game.
A bola tava no meu campo dessa vez, mas ele tava sempre um passo na frente.
Dessa vez, o mundo dele vai virar de cabeça pra baixo.