CAPÍTULO NOVE PARTE 1
CAPÍTULO 9
Continua...
Tô deitado de bruços, olhando pela mira do meu rifle.
Mesmo que Von Hades fosse um segurança super rígido, ele não conseguia eliminar os soldados invisíveis nos telhados, principalmente em áreas mais afastadas.
Além disso, como a igreja é baixa, todas as estruturas por perto podem ser usadas como ninhos de atiradores. Afinal, isso é Londres, onde prédios altos são a maneira mais fácil de alcançar os objetivos.
Foco no altar, onde uma mulher incrível está parada ao lado de Raven. Chego mais perto até conseguir ver ela direitinho. Ela tá magnífica de branco, quase como um anjo meio doido que desceu pra punir as pessoas.
A expressão da Rose, no entanto, tá longe de ser angelical. A torcida dos lábios e o pescoço delicado ficando vermelho, implorando para que meus dedos se enrolem neles, são visíveis mesmo ela estando escondida por várias camadas de maquiagem.
Ela virou expert em guardar a raiva, mas não o suficiente pra me enganar. Afinal, quando ela tentava domar ou, pelo menos, esconder sua atitude impulsiva, eu tava do lado dela em cada passo. Ela nunca seria submissa e obediente, pelo menos não nessa vida.
Rose foi feita pra destruir qualquer um que desafie sua autoridade ou represente uma ameaça pra família dela. Ela nunca hesitou, nem piscou, independente do gênero. Comparada com a maioria dos caras que eu conheço, essa mina é mais persistente.
Ela representa uma ameaça pra minha missão, por causa disso.
Seria tão fácil puxar o gatilho e tirar ela do meu caminho. O que ela é, além de uma peãozinha que vai dar mais problema do que vale a pena?
Meu dedo tá imóvel. De jeito nenhum.
Eu não faço ideia de quando esse lance começou – se já tava lá há sete anos ou depois que eu encontrei ela de novo. Só sei que, apesar da Rose ser minha maior adversária, eu não consigo atirar nela.
Aponto a arma pra estrutura do outro lado da igreja, onde a segurança das outras organizações criminosas tá estacionada. Quem diria que os criminosos mais famosos da América iam fazer a casa deles no meu casamento? Embora a maioria deles seja aliado por tradição, eles não são particularmente ligados ao reinado do Raven. Eles poderiam se casar uns com os outros pra fortalecer os laços. Mas a maioria dos clãs é tradicional demais pra casar as filhas com estranhos.
Raven, felizmente, nunca faria isso.
A sede de sangue tá correndo nas minhas veias enquanto aponto minha arma pra três guardas parados na parte de trás do prédio. Meu corpo enrijece, mas meus músculos continuam relaxados e parados, quase como se eu estivesse dormindo, mas com os olhos abertos.
Meu único limite é o céu nebuloso.
Não tem brisa, nem barulho lá fora. Só o caos é necessário.
Eu atiro, acertando o primeiro guarda bem na testa. É tarde demais quando os outros dois se viram pra encarar ele com as armas. Acerto um no pescoço e o outro no coração.
Os três caem um em cima do outro sem fazer barulho ou cena.
Limpo. Rápido. Eficiente.
A fase inicial da missão tá finalizada.
Escorrego pra trás de bruços, enterro a arma no estojo e tiro os tijolos que cavei uma semana atrás, quando decidi usar essa posição específica. Depois enterro a arma entre as pedras.
Quando termino, rastejo até a porta e só levanto quando ninguém pode me ver do topo dos outros prédios.
Coloco minha máscara e óculos escuros, fecho o zíper do meu moletom e subo as escadas de três em três degraus.
Uso o interfone preso na minha orelha pra avisar meu segundo atirador: "Alvo um eliminado."
Ele responde com uma voz entediada: "Entendido."
Mas a real é que ele é o cara que me ensinou a atirar. É óbvio que ele é a única pessoa que consegue lidar com isso. Ele ainda tá interferindo nos meus negócios, o que me irrita. Ele só se servia, mesmo que nós dois fôssemos membros da mesma organização.
Eu adiciono: "Não encosta um fio de cabelo da Rose."
Já tá apaixonado?
Dizendo: "Vai se foder."
Eu sei disso.
"Sempre o exibido, Ethan. Acho que ser expulso do grupo desonrosamente não mudou nada em você."
Ignoro a cutucada no passado e ordeno pra pessoa: "Vá pra sua posição."
Ele pode ter uma patente maior que a minha, mas como ele indicou, eu não faço mais parte daquele clube. Não sou obrigado a respeitar a hierarquia como resultado.
Tão silenciosamente quanto cheguei, apertei o botão e saí do prédio. As câmeras não estão totalmente funcionando porque é novo, então consigo entrar nas zonas cegas deles mais rápido do que se tivesse escolhido outro prédio.
Depois de entrar sorrateiramente pela porta dos fundos e trocar pro meu smoking preto, tiro a máscara, os óculos, o bigode falso e o moletom. Depois jogo tudo na lixeira.
Corro dois quarteirões até meu Mercedes. Jogo meus tênis no armário e coloco meus sapatos de couro quando entro. Olho no espelho retrovisor e vejo meu rosto.
Pareço pronto pra um casamento.