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PONTO DE VISTA DO ETHAN
Com o tempo, eu tinha pegado o costume de não sair do lado dela. Não era só uma parada de controle — eu sentia que algo desastroso ia acontecer com ela se eu saísse.
A Rose parecia exausta; os olhos dela pesados de cansaço. Ela disse que estava um pouco cansada e queria ir pra casa. Eu insisti em deixar ela, apesar dos guardas dela estarem seguindo a gente.
Eu não conseguia tirar da cabeça a sensação de que ela tava escondendo algo de mim. Eu não sabia o que era, mas tava lá, espreitando no olhar brilhante dela às vezes. Eu tava decidido a descobrir, mesmo que a Rose sempre tivesse as defesas dela comigo.
A perda de memória dela não tinha mudado a personalidade dela. Ela não me deu nem uma olhada durante toda a viagem, focada no celular, respondendo e-mails do trabalho. A natureza workaholic dela ainda era a mesma, mesmo com as memórias perdidas.
Tão logo a gente parou em frente à casa dela, ela saiu sem falar nada. Eu fui atrás dela e gentilmente peguei no braço dela. Ela girou tão rápido que a mão dela pousou no meu peito pra se equilibrar.
"Que foi?" Tinha uma desconfiança sutil no tom dela que eu não teria notado se eu não estivesse tão ligado nas reações físicas dela. Era quase como se ela estivesse com medo, mas de quê? Ou de quem?
Eu peguei o rosto dela com as mãos, e ela ficou parada como uma estátua, a respiração dela superficial antes dela sussurrar, "O que é?"
"Cê lembra quando eu te falei que tem vezes que você tem que tomar decisões drásticas?"
Ela engoliu, a garganta dela se movendo com o movimento. Demorou tudo em mim pra não pegar ela pelo pescoço e beijar ela até os lábios delicados dela estarem machucados.
Eu mereço um troféu por ter me segurado essa semana passada. Ter ela do meu lado e não tocar nela parecia tortura.
Ela tinha estado fraca e não tava comendo direito, então eu ia esperar até ela estar em melhor forma. Porque da próxima vez que eu fizesse amor com ela, ela ia estar toda dentro, do jeito que sempre é.
'Eu não. Eu não tenho memórias, lembra?"
As f-cking memórias.
Eu tentei me convencer que eu ia fazer ela aprender tudo sobre a gente, e com o tempo, ela ia se lembrar de mim. Mas a verdade era, eu odiava essa sensação. Eu tinha sido um ninguém na vida da Rose, mesmo quando a gente morava em continentes diferentes. Ser um ninguém pra ela agora parecia um buraco negro.
Cada dia que passava, esse buraco crescia, ficava mais profundo, e ele ia acabar me arrastando pro fundo se eu deixasse.
É por isso que eu tava contando pra ela pedaços da minha vida que eu não tinha compartilhado antes. Eu até mencionei meus pais de verdade quando todo mundo achava que o Nathan era meu pai. Minha lógica era simples: se ela me conhecesse melhor, ela ia entender meus motivos e eventualmente se lembrar de mim.
'Eu uma vez falei que quando você tá encurralada e não tem jeito de sair a não ser machucando os outros, é exatamente isso que você deve fazer, Princesa."
'O que te fez ter essa filosofia?"
"Eu já estive numa situação dessas antes, e eu achei que o único jeito de sair era lutando pra sair. Claro, eu podia ter bolado um método mais tradicional, mas não é assim que o mundo funciona."
'Então você resolve todos os seus problemas usando essa filosofia?"
'A maioria das vezes."
"Mas tem umas vezes que você não usa?"
Sim. Teve vezes como essas que eu queria jogar tudo pro alto, pegar ela no colo, e ir pra longe desse mundo e de todas as tragédias dele.
Em vez de falar isso pra ela, eu rapidamente encostei meus lábios nos dela antes de tomar a boca dela. O gosto dela era tanto um afrodisíaco quanto uma onda de adrenalina. Ela me fazia sentir que tudo era possível, inclusive levar ela embora assim que minha missão fosse completa.
A Rose não me beijou de volta ou passou os braços em volta de mim, mas ela abriu os lábios um pouco, me permitindo provar ela e respirar o cheiro dela. Jesus f-cking Cristo. Ela era a melhor coisa que eu já tive o prazer de provar, e se a protuberância nas minhas calças era alguma indicação, eu tava mais do que pronto pra mais.
Eu me afastei pra evitar fazer amor com ela no capô do carro. Embora eu estivesse bem com o cenário público, eu ia ter que furar os olhos de todos os guardas que olhassem pra ela, e isso ia ser só trabalho extra sem prazer.
A Rose ficou me encarando como se estivesse procurando alguma coisa no meu rosto ou reaprendendo minhas características. Eu permiti as explorações dela, mas só porque eu queria estudar ela e gravar a expressão dela na minha memória. Sempre que eu pensasse nela ou quisesse tocar nela, eu ia ter essa imagem dela na minha mente.
"Cê não tem que voltar pra empresa?" ela murmurou.
'Mais um momento. Eu não me satisfiz com você."
'Você alguma vez se satisfaz?"
'Nah, não muito. Então fica parada." Eu passei a mão no cabelo dela atrás da orelha, deixando as mechas douradas caírem entre meus dedos. Ela tava usando ele solto ultimamente, provavelmente porque ela não se lembrava da fase fria e séria dela. Embora eu amasse como ela tava, eu constantemente sentia vontade de detonar todo mundo que olhasse na direção dela.
'Quanto tempo eu tenho que ficar aqui, Ethan?"
'O tempo que precisar, esposa."
'Cê não tá cansado de me chamar de esposa quando eu falei que não lembro do casamento?"
'Cê não tá cansada de negar isso quando é a verdade?"
'Eu nunca consigo ganhar com você, consigo?"
'Cê pode tentar. Eu adoro quando você tenta, especialmente aquela vez em que você... bem, você sabe."
As bochechas dela esquentaram. 'Eu não fiz isso."
'Sim, você fez, e foi quente pra caramba. Pensar nisso me deixa duro." Eu pressionei a evidência contra o estômago dela. 'Como você vai lidar com isso, Princesa?"
'Se por lidar com isso, você quer dizer que eu vou me livrar do seu, hum, problema, então, claro, eu vou lidar com isso."
Eu ri, minha cabeça tombando pra trás com o movimento. 'Você é louca."
'E isso é engraçado porque..."
'Porque você só é assim comigo, tenha ou não memórias." Eu encostei meus lábios nos dela pela última vez. 'Descanse bem e me espere."
'Por que eu faria isso?"
"Porque eu tô marcando meu território hoje à noite." Eu pisquei, e ela engoliu, o calor subindo pras bochechas dela antes dela se virar e ir pra dentro.
Depois que eu garanti que ela tava segura na casa, eu voltei pro meu carro. Peter, o guarda inútil plantado do meu lado, bateu na minha janela. Eu abaixei ela e olhei pra ele, sem esconder minha irritação.
Ele tava segurando uma arma estranha, girando ela entre as mãos dele enquanto falava. 'Cê quer que eu vá junto?"
'Não. Fique aí."
'Você nunca me leva com você esses dias."
'Porque você é inútil."
'Não tão inútil." Ele apontou a arma pra mim. 'Cê sabe o que é isso?"
'Não, mas eu tenho certeza que você vai me encher o saco até a morte sobre isso."
'É uma arma de anestesia. Pode ser persuasiva."
'Uma bala é mais poderosa, cara." Eu levantei a janela e saí da propriedade. Eu tinha algum tipo de reunião da empresa, mas eu não tava nem aí pra V Corp e as estratégias sem noção deles. Minha reunião de verdade era com o Fogo.
Nós precisávamos planejar o próximo ataque, que ia ser o último se tudo desse certo.
Nesse ponto, os russos e os italianos tinham perdido muitos soldados e exaurido os poderes deles. Até o Paquistão, que achava que tinha energia destrutiva infinita, não podia estar no ataque pra sempre. Ele era um touro que não ia parar a menos que estivesse morto. Se isso fosse uma guerra antiga, ele ia ser o general que não ia levantar a bandeira branca, mesmo que todas as outras unidades levantassem.
Mas até ele não podia fazer um ataque consecutivo atrás do outro.
Nesse ritmo, a Evie ou o Uncle Raven precisavam de um ataque em larga escala que ia acabar com o exército da outra parte.
Eu sabia exatamente quem eu queria que perdesse mais nessa guerra.