CAPÍTULO QUATRO
CAPÍTULO QUATRO: ELE VOLTOU
POV DO ETHAN
Eu tô aqui na frente das pessoas que eu costumava fazer parte, que me receberam nas casas deles com 26 anos porque o Rio Âmbar, meu chefe anterior, o Leonard, gostava muito de mim.
Agora é diferente.
A pressão parece um chicote esperando pra rasgar minhas costas.
Eu costumava ser popular com a maioria desses homens porque eu era o Fantasma mais forte da Cidade. Eu era o único dos soldados deles que podia competir com as minhas habilidades. Eu fazia todo o trabalho sujo deles e matava quem eles precisavam que fosse morto.
Eles gostavam de mim, mas agora que eu sumi por tanto tempo, eles estão infelizes. A irmandade proíbe qualquer um de sair, pelo menos não vivo. Uma pessoa só pode sair morrendo.
A minha atenção desvia do Raven, o irmão mais novo do Rio Âmbar, sentado na ponta da mesa, pro círculo de elite dele. Todo mundo tá me olhando estranho, exceto o Nathan, meu pai que me ama, que sabe da situação.
E ela também.
Pra ver melhor a minha princesinha da máfia, eu viro a cabeça pro lado. Na real, ela tá sentada dentro do círculo interno. Ela devia estar feliz com esse crescimento.
Embora a Rose Amara não seja mais tão novinha. A pouca inocência que ela ainda tinha no rosto quando o avô dela tava vivo envelheceu e se perdeu. O cabelo loiro dela e a pele clara a fazem mais parecer uma princesa.
A maquiagem dela dá a impressão que as feições dela são bem marcadas. Ela parece estar se escondendo. Ela tem os lábios nude e a vibe de delineador dela dá uma coisa de rainha. O corpo dela parece reto e chapado, quase como se ela não pudesse se mexer ou controlar.
Ela não é nada como a Rose Amara que corria por aí e enchia o saco do Rio Âmbar pra ele ir com ela no jardim, ou a Rose Amara que ficava enchendo o saco do Von Hades e do meu pra gente ensinar ela a atirar.
A menina dentro foi tirada e substituída por essa adulta fria.
Mas quando a gente faz contato visual, os olhos dela arregalam. Ela tá completamente calada agora, e essa é a única resposta que eu preciso.
Os olhos da Rose Amara sempre tiveram uma qualidade misteriosa. Quase não são azuis, mas chegam perto. Eles podem ficar mais escuros, como o mar em meio a uma tempestade, ou mais claros, como um céu de verão limpo. Aí tem as situações como essa, onde eles se encontram no meio e não sabem se causam problema ou deixam as coisas rolarem.
Os olhos dela param de arregalar e mudam de cor pra um preto profundo. Eu dou um sorrisinho por dentro. A Rose Amara nunca deixaria as coisas rolarem por vontade própria, claro. Ela personifica teimosia e irritação.
Ela costuma ser derrotada pela metade russa dela. Não importa se ela morou com o pai americano dela nos primeiros doze anos da infância dela. Ela abandonou a pessoa do passado e aceitou totalmente esse jeito de vida quando entrou pra família do avô dela.
Por que você tá nesse lugar? O Paquistão faz a pergunta inicial, sutilmente hostil. Ele levanta e aponta uma espingarda pro meu peito, dizendo: "Você fugiu da Cidade quando sabia da punição." "Eu vou ficar feliz em te dar o seu desejo se você veio pra morrer por conta própria."
A arma do Sander não consegue me acertar porque meu pai, o Nathan, foi pra frente e tá de pé. Como ele costumava reclamar pro Rio Âmbar, meu 'pai' é idoso e tem um joelho ruim que afeta ele no inverno e quando chove. Mas, ele é alto e forte, com uma barba branca que ele corta com frequência. Porque o Paquistão é um cara que gosta de chamar a atenção, o Pai pode não ser o monarca mais conhecido. Mas, a inteligência e o carisma afiados dele mantiveram ele em uma posição de autoridade por muitos anos.
Ele manda bem em escolher e ganhar brigas, além de escolher elas. Ele é o melhor aliado que você pode ter na Cidade. Os outros são incrivelmente evasivos.
"Meu filho é o Ethan. Você não pode interagir com ele de jeito nenhum."
A Rose Amara diz com a voz dela fria e distante, "Só porque ele é seu filho não significa que ele tá isento das regras." A punição por trair a irmandade é a morte.
É, tipo, um momento doloroso, né? Mesmo que eu esperasse essa resposta de todo mundo, por algum motivo, eu nunca imaginei que a Rose Amara ia expressar as opiniões dela sobre mim tão diretamente.
O Nathan avisa o Paquistão: "Espero que você esteja pronto pra uma guerra interna se você encostar um dedo nele."
O Raven acrescenta: "Não vai ter guerra interna."
O Theo me ouve dizer: "Você ouviu ele." Então, por que você não senta pra variar?"
O dedo dele tá no gatilho quando ele direciona uma carranca pro meu lado. Sério? Ele é tão terrivelmente errático que ele pode atirar em mim agora. Ele vê tudo com o termo "guerra" como entretenimento, em vez de um perigo. Mais do que todo mundo nessa sala, ele sente as paradas.
Exceto eu, claro.
O Raven manda o Sander sentar. O Sander concorda relutantemente, tirando a arma dele porque deixar ela pra fora ia insultar o Leonard, o chefe.
O Nathan fica do meu lado, como se ele suspeitasse que um dos outros vai ficar de pé e repetir a palhaçada do Sander.
A minha atenção vai pra Rose Amara, que tá me encarando com tanto veneno que parece que eu matei a família dela e comi os corpos deles.
Raiva é saudável. Ela precisa ficar esperta perto de mim; ficar com raiva vai conseguir isso.
O Raven grita, "Ethan," meu nome.
Eu viro pra encarar ele e dou um sorriso. Sim, chefe. "Eu não sou seu chefe,"
"Ainda não?" Eu dou um sorriso.
Ele ainda tem a mesma expressão deprimida. "Você só tem uma oportunidade pra se defender. Use ela com sabedoria."
"Hmm, por onde a gente começa?" Eu finjo que tô pensando profundamente. "Eu sempre fui um Fantasma independente até o Rio Âmbar me aceitar. Eu faço os trabalho certos e saio da cena até a próxima tarefa ser chamada."
Esse era um trabalho independente. Tecnicamente, eu não tinha nenhuma afiliação com eles e não tinha saído.
Eu finjo que não entendo quando o Sander me xinga em russo.
"O que você andou fazendo?" O Raven pergunta.
Com o sotaque americano quase perfeito dele, o Faraó diz: "A gente te procurou por muito tempo." Ele e o Thorn tão quietos porque não querem ofender o Nathan. O Sander é o cretino que não liga pra ninguém.
Eu digo calmamente, "Eu fui em uma jornada de descoberta."
"Uma busca de descoberta?" A Rose Amara murmura, com os dentes cerrados. "Você tá rindo da gente?"
Eu coloco um braço no ombro do Nathan e digo, "Eu realmente fui, Princesa." Eu tava tentando achar a minha família. Quem diria que ele tava exatamente onde eu deixei? O fato de eu ter entrado na Cidade antes de saber quem era minha família foi uma coincidência tão estranha. Eu me pareço com meu pai sem querer."
O Faraó pensa, "Eu tô curioso. Como você foi parar no Reino Unido quando era jovem?"
Ah, entendi. Eu aponto pro Laye e digo: "Eu fui adotado pelos meus amigos assassinos e perdi todas as minhas memórias da infância. Ele é o que fez uma checagem na minha ficha antes do Rio Âmbar me contratar, então ele tá ciente da minha história."
O Laye toma um gole da bebida dele. Ele era um órfão que foi criado por Fantasmas confiáveis. Eu dou um sorriso e bato palmas. "Exato. Mas eu sempre quis achar meus parentes de verdade."
"Você fez isso em trinta anos?" O Sander perguntou.
Você ia ficar chocado com quanto tempo leva pra descobrir sobre um acidente de muito tempo atrás, principalmente considerando que eu tinha pouca informação e tava preocupado em matar e outras coisas na época. Eu decidi dedicar meus esforços a achar minha família há sete anos. É por isso que eu fui embora.
"E você procurou sua família por sete anos?" A Rose Amara responde de volta, "
É uma viagem longa e exaustiva. Quer uma versão em tempo real, por favor?"
Ela não percebe eu, enquanto ela toma um gole do café dela, fazendo careta e tirando ele da mesa.
Antes de falar, o Sander acende outro cigarro e enfiando ele na boca. Eu falei que ele não podia ser admitido de volta.
Ela concorda com ele, e apesar do sorriso gentil, a minha mandíbula range quando ela acrescenta: "Eu também digo que ele não pode mais fazer parte da irmandade." Ele não pode entrar e sair como ele quer porque esse parquinho não é pra crianças. Von Hades?"
Enquanto observa a ação ao lado do Laye, o Von Hades, que ficou em silêncio, solta uma respiração. "O chefe anterior, o Leonard, deu o título que ele tem pro Ethan. A gente não pode simplesmente ignorar ele e fingir que ele nunca existiu."
"Von Hades!" A Rose Amara sibila, e ele responde com um gemido.
Eu dou um joinha pra mim mesmo e digo: "É, lembra, esse sou eu."
O Raven diz, "Vamos votar," finalmente. "Levantem a mão se vocês querem que o Ethan seja punido e exilado."
O Faraó e a Rose Amara fazem isso ao mesmo tempo. Eu finjo que dou um sorriso, mas de repente eu preciso dar um tapa na cara dela. Ela nunca esteve do lado daquele babaca.
Mesmo com os olhares dela pro Von Hades, ele se recusa a seguir o exemplo dela.
O Raven diz com uma voz excelente e extremamente russa, "Agora, os que são a favor do Ethan voltar pra irmandade, levantem a mão."
Primeiro, o Nathan levanta a mão, e aí o Elliot e o Thorn fazem o mesmo. Depois são o Von Hades e o Laye. Eles são os mais inteligentes dos dois. Eles sabem que as minhas habilidades são mais importantes do que as regras da irmandade.
A Rose Amara e o Faraó perdem por um placar de seis a dois depois que o Raven levanta a mão por último. "Bem-vindo de volta ao Clã, Ethan," ele exclama enquanto eles soltam as mãos. Você vai ser punido se você for embora nessa hora."
Eu dou um sorriso e faço o sinal da cruz. "Cruzo o meu coração e espero morrer, mas até que a morte nos separe, eu vou servir a irmandade."
A Rose Amara se levanta conforme a vermelhidão no rosto dela aumenta por trás da maquiagem pesada. Se me dão licença.
O Raven impede ela antes que ela possa se mexer, "Espere." "Você concordou em casar com o filho mais velho do Nathan; ele está aqui agora."
O Ethan responde, "Eu achei que a Belle ia ser a escolhida,"
"A Rose Amara se ofereceu pra se casar no lugar da Belle,"
"Você concordou em casar comigo?" Eu pareço chocado quando digo isso.
Não precisa ser gênio pra saber que a Rose Amara ia se sacrificar pela garota que ela tem protegido desde que eram jovens. Como eu previ que ela faria. Quando eu fiz o Nathan colocar a ideia de casar a Belle na cabeça do Raven, eu antecipei que ia acabar desse jeito de alguma forma.
Com certeza querendo voltar atrás no que ela acabou de dizer, ela gagueja. Mas, ela se controla porque ela sabe que a regra mais importante na irmandade é manter a palavra; senão, ninguém vai respeitar você.
"Você mudou de ideia?" Eu pergunto.
Ela retribui meu olhar mortal com um estrondoso "Não." "A gente cumpre a nossa palavra, e eu sou a futura rainha Âmbar."
Em concordância, o Raven dá um aceno de cabeça orgulhoso pra sobrinha-neta dele. "Bom, isso resolve. Nathan, me traga o dote."
A Rose Amara parece que vai vomitar, mas ao invés disso, ela beija os nós dos dedos do Raven e sai da sala, com os saltos dela fazendo um barulho alto e confiante no espaço vazio.
Enquanto a porta fechava atrás dela, eu dei um sorriso. Eu dou uma risada pro Raven. "Com licença, eu preciso falar com a minha noiva."
A segunda parte do plano tá completa. Agora vamos pra terceira.