Capítulo 15
Tiger soltou um baita suspiro, as emoções dele rodopiando entre alívio e ansiedade. Apesar de saber que brigar com o Bobby ia ser arriscado, a tristeza óbvia nos olhos da Sarah tinha tocado ele fundo. A bússola dele sempre foi a lealdade ao Bobby, mas hoje algo tinha mudado.
Teve um silêncio tenso na volta pra casa do Bobby. As juntas dos dedos do Tiger ficaram brancas enquanto ele segurava firme o volante e revivia mentalmente os acontecimentos do dia. Ele tinha contado uma mentira pro Dr. Evans, falando que a Sarah tinha mudado de ideia e queria seguir com a cirurgia. O desafio maior agora era encarar a fúria do Bobby.
Tiger entrou na mansão do Bobby, seus passos ecoando no hall de entrada gigante. O peso das ações dele pesava nos ombros, uma lembrança constante das linhas morais que ele tinha cruzado. Quando ele se aproximou da sala de estar, onde o Bobby vivia fazendo reuniões, o Tiger se preparou pra a confrontação que o esperava.
Bobby estava jogado no sofá de couro macio, o brilho suave da lareira jogando sombras trêmulas em suas feições. A postura dele exalava um ar de arrogância, um contraste gritante com a própria sensação de desconforto do Tiger.
"Demorou, hein", o Bobby falou casualmente, os olhos dele subindo pra encontrar os do Tiger quando ele entrou na sala.
"Trânsito", o Tiger murmurou, sentando no sofá com ele. "Fiquei preso em uns faróis."
"Onde está a Sarah? Estou esperando por ela." Os olhos do Bobby se estreitaram.
O Tiger hesitou por um momento, lutando com o peso da mentira dele. Ele sabia que a verdade podia ter consequências horríveis, tanto pra ele quanto pra Sarah, mas ele também não conseguia se entregar a ela traindo-a revelando a fuga dela.
"Ela tá... uh, não está se sentindo muito bem", o Tiger respondeu cuidadosamente, escolhendo as palavras com cautela. "Ela passou no shopping pra pegar umas... necessidades femininas." E ele agiu de forma indiferente pra evitar dar qualquer suspeita.
O Bobby bufou, um lampejo de diversão substituindo momentaneamente a desconfiança nos olhos dele. "Claro. Essas coisas sempre aparecem nos momentos mais inconvenientes."
O Tiger ofereceu uma balançada de cabeça mal respondendo, o estômago dele revirando com uma mistura de culpa e desafio. Ele sabia que o Bobby controlava suas mulheres com uma coleira apertada, controlando cada aspecto de suas vidas até seus produtos de higiene.
Bobby afundou no sofá de couro macio, ligando a TV.
"Mulher típica", o Bobby murmurou, tomando um copo de scotch de uma vez só. "Nem conseguiu lidar com um procedimento simples. Faz você se perguntar como ela seria com um filho de verdade."
Tiger permaneceu em silêncio, o olhar fixo na tela trêmula da TV. A ladainha do Bobby continuou, uma saraivada de insultos direcionados à Sarah, pintando-a como fraca e indecisa.
"Sinceramente", o Bobby continuou, alheio ao desconforto do Tiger. "Eu deveria ter sabido. Ela nunca foi material pra ser esposa. Apenas mais um rostinho bonito sem nada entre as orelhas."
Com cada palavra venenosa, a mandíbula do Tiger se fechava com mais força. Ele sabia que a crueldade do Bobby não se limitava apenas às palavras. Ele já tinha testemunhado lampejos disso antes, hematomas sutis escondidos sob as mangas compridas da Sarah, um susto ao toque inesperado. Mas hoje, a feiura estava em plena exibição.
"Ela vai voltar rastejando eventualmente", o Bobby zombou, tomando outro gole de scotch. "Elas sempre voltam."
O Tiger quase engasgou com as palavras que subiram à garganta dele. Ele queria gritar pro Bobby, expô-lo pelo monstro controlador que ele realmente era. Mas ele sabia melhor. Um movimento errado, e o destino da Sarah podia ser selado. Em vez disso, ele engoliu a raiva, optando por uma abordagem mais sutil.
"Talvez", ele disse, a voz dele baixa e neutra. "Mas talvez não. Talvez ela… descobrisse as coisas."
Bobby zombou de novo, uma onda desdenhosa da mão dele. "Não seja ridículo. Pra onde ela iria? Ela não tem ninguém."
O coração do Tiger doeu pela Sarah. Ele sabia que isso não era totalmente verdade. Ele, de todas as pessoas, tinha sido uma testemunha relutante da manipulação e controle do Bobby, minando a autoestima da Sarah, isolando-a da família e amigos.
"As pessoas encontram um jeito", ele disse, a voz mal um sussurro. "Especialmente quando são empurradas para o limite."
O Bobby deu a ele um olhar fulminante. "Não comece a filosofar comigo, Tiger. Apenas fique de olho nela, tudo bem? Se ela aparecer em algum lugar, me avise. Eu trato dela então."
O Tiger balançou a cabeça secamente, o nó no estômago dele apertando ainda mais. Ele não podia prometer que contaria pro Bobby se a Sarah aparecesse. Na verdade, uma parte dele esperava que nunca mais. Ele orou pra que a Sarah estivesse longe, forjando uma nova vida onde ela finalmente pudesse respirar, finalmente ser livre.
Mas mesmo enquanto as longas conversas do Bobby continuavam, os pensamentos do Tiger voltavam para a Sarah, o rosto manchado de lágrimas dela gravado em sua memória. Ele não conseguia tirar a sensação de culpa que o corroía, uma lembrança constante da traição que ele tinha cometido contra a confiança dela.
Enquanto a voz do Bobby sumia no fundo, a mente do Tiger corria com uma enxurrada de emoções. Ele sabia que a fuga da Sarah era apenas o começo de sua jornada para a liberdade, e ele silenciosamente prometeu fazer o que fosse preciso para garantir sua segurança e bem-estar, mesmo que isso significasse arriscar sua própria vida no processo.
E o Tiger não conseguia evitar sentir uma sensação de rebelião crescendo dentro dele enquanto ele estava na casa extravagante do Bobby, cercado por luxo e beleza. Mesmo depois que a Sarah correu para a noite, o espírito dela continuou a viver nos corações daqueles que ousaram se opor à opressão do Bobby, e enquanto aquela chama permanecesse brilhante, sempre haveria esperança de um dia mais brilhante no futuro.
Os dias seguintes passaram em um turbilhão de espera nervosa. O Tiger cumpriu suas tarefas, seus pensamentos revivendo uma e outra vez a imagem do rosto choroso da Sarah e a vulnerabilidade em seus olhos que o fizeram sentir culpa. Um brilho de esperança se agarrou a ele enquanto ele procurava nos noticiários qualquer menção de mulheres desaparecidas, sugerindo que talvez, só talvez, a Sarah tivesse sumido.
*********************************************************************
Enquanto o ônibus balançava na estrada, a Sarah sentou lá, o coração batendo no peito. Ela estava aliviada e nervosa ao mesmo tempo, sabendo que estava ficando mais perto da liberdade a cada quilômetro que passava, mas não sabia o que estava por vir.
A Sarah sentiu como se estivesse sendo rastreada mesmo quando o ônibus fazia suas paradas regulares ao longo do caminho. Quietamente, ela espiou por cima do ombro para procurar qualquer indicação de que seus companheiros de viagem a reconhecessem. Ela ficou paranoica, o que alimentou sua determinação de desaparecer completamente.
A Sarah sentiu-se desconfortável quando o ônibus chegou a um terminal de cidade movimentado. Ela sabia que mesmo que mudasse de ônibus várias vezes, o Bobby ou qualquer um de seus amigos seriam incapazes de determinar seu paradeiro preciso. Tendo isso em mente, ela desceu do ônibus e correu para outro que ia em uma direção diferente.
Por várias horas, a Sarah manteve seu padrão de pular de ônibus em ônibus e circular por várias cidades e vilas na tentativa de confundir quaisquer possíveis perseguidores. Seu medo diminuiu um pouco a cada movimento, dando lugar a uma faísca de otimismo de que ela realmente seria capaz de se libertar das garras do Bobby.
A Sarah finalmente chegou a uma cidade charmosa escondida entre florestas exuberantes e colinas onduladas depois do que parecia uma eternidade de dúvida. Depois de descer do ônibus e caminhar pelas ruas movimentadas, ela sentiu que algo estava certo sobre a localização.
Aproveitando as vistas e os sons de seus novos arredores, ela passeou pela adorável área do centro da cidade. Ela foi cercada pelo barulho e agitação da vida da cidade, mas também havia uma calma inconfundível no ar, como um abraço amoroso recebendo-a em casa.
A Sarah estava passeando pelas ruas quando notou um charmoso complexo de apartamentos escondido em uma rua com muitas árvores. Embora não fosse muito atraente, havia algo nele que a atraiu e a incentivou a personalizá-lo. Determinada, ela subiu no prédio e perguntou sobre os apartamentos disponíveis.
Ela ficou emocionada ao encontrar um apartamento pequeno, mas confortável, no andar de cima, com uma pequena varanda que dava para o horizonte da cidade. Era do tamanho ideal para ela e seu filho, oferecendo-lhe espaço suficiente para começar de novo e superar o sofrimento e a dor de coração de sua vida anterior.
"Finalmente." A Sarah murmurou feliz para si mesma.
A Sarah pegou as chaves de sua nova casa e assinou o contrato de aluguel com uma mistura de felicidade e nervosismo. Lágrimas queimaram nos cantos de seus olhos quando ela sentiu uma enxurrada de emoções tomar conta dela ao entrar no apartamento pela primeira vez.
Esta foi sua oportunidade para um novo começo e redenção. A Sarah, liberta das correntes do medo e da opressão que a mantiveram presa por tanto tempo, decidiu criar uma vida melhor para seu filho ainda não nascido e para si mesma. E enquanto ela olhava para a cidade que se estendia à sua frente, ela sabia que, independentemente dos obstáculos que estivessem em seu caminho, ela os superaria com coragem e força.