Capítulo 53
Sarah hesitou. Ela tinha pensado em ir na polícia, mas a porra do medo de arriscar a segurança deles e chamar atenção, segurou ela.
Só que Derrick, ele manjava da parada. "Pensa nisso, Sarah", ele falou, a voz firme. "As provas que temos podem foder com os crimes do Bobby, proteger a T&T, e quem sabe até limpar o teu nome. Mas se a gente for na correria, e algo der errado…"
As palavras dele ficaram no ar, pesadas com um monte de ameaças não ditas. Sarah sabia que ele tava certo. O risco era grande demais.
Derrick sacou que eles não podiam mais arriscar. Ele foi pra uma área sossegada do chalé, segurando o celular com força. Respirando fundo, ele discou um número que ele tinha na memória há muito tempo – uma linha direta pra um detetive que ele tinha virado amigo, lá na época em que ele era agente infiltrado.
Uma voz grossa respondeu do outro lado. "Detetive Miller. É o Derrick Duke", Derrick respondeu, a voz baixa e cuidadosa. "Preciso da tua ajuda."
Um silêncio surpreso rolou, depois uma risada seca. "Derrick Duke? O filho pródigo voltou? Que merda você aprontou dessa vez?"
"Sem problemas pra mim, Detetive", Derrick explicou. "É o Bobby. Ele tá… meio que desgovernado."
Ele explicou a situação numa rajada, falando sobre a chantagem, a gravação que incriminava, e a paranóia do Bobby. Ele não falou da parte deles na chantagem, deixando a parada o mais anônima possível.
"Uma conspiração de chantagem e um possível surto de um figurão da empresa?" Detetive Miller pensou, com um tom de brincadeira. "Parece que voltei aos bons tempos. Beleza, Derrick, conta tudo. Que tipo de prova você tem?"
Derrick explicou sobre a gravação, as contas offshore, os esquemas suspeitos. Ele também mencionou a ligação bizarra que o Bobby fez, pedindo pra se encontrar num galpão abandonado.
"Um encontro num galpão abandonado? Isso parece cena de filme B", Miller riu. "Mas, cara, agradeço o toque, moleque. Esse Bobby parece uma bomba-relógio. Relaxa, vou botar meu time pra trabalhar nisso."
"Tem mais", Derrick acrescentou, a voz tensa. "A Sarah que tá mandando as mensagens de chantagem. O Bobby pode tentar machucar ela."
"Não se preocupa com a Sarah", Miller tranquilizou ele. "Vamos botar uma equipe pra cuidar dela também. Fica quieto aí, Derrick. Isso agora é com a polícia."
Derrick desligou, uma pontinha de alívio lutando contra a preocupação que roía ele. Ele sabia que o envolvimento da polícia era necessário, mas uma parte dele queria que eles resolvessem tudo sozinhos. Mas, Miller era um bom policial, alguém em quem ele podia confiar. Era só esperar pra ver como as coisas iam rolar.
Sarah, enquanto isso, tava andando de um lado pro outro no quarto do chalé, com o estômago revirando de ansiedade. A ligação inesperada do Bobby tinha deixado ela fora de órbita. Parecia uma aposta desesperada, uma atitude impulsionada pela merda da instabilidade dele.
"Conseguiu alguma coisa?" Derrick perguntou, entrando no quarto.
Sarah balançou a cabeça, a testa franzida. "Era o Bobby. Ele quer me encontrar num galpão abandonado na Rua Elm. Sozinha."
A cara de Derrick ficou dura. "Isso não cheira bem. Ele falou o porquê?"
"Não", Sarah admitiu. "Ele só… parecia desesperado."
"É uma armadilha, Sarah", Derrick falou, a voz firme. "Ele tá encurralado, e pode surtar. Você não pode ir."
"Mas e se for a única chance de a gente parar ele?" Sarah argumentou, a voz cheia de medo. "Ele não teria ligado se não tivesse algo a dizer."
"Tem outro jeito", Derrick respondeu. "Acabei de ligar pro Detetive Miller. A polícia tá de olho no Bobby, e tão montando uma operação de vigilância. Se a gente se encontrar com ele, podemos fazer isso sob observação policial."
Sarah hesitou, dividida entre a necessidade de confrontar o Bobby e o medo pela própria segurança. Finalmente, ela concordou, um brilho de determinação nos olhos. "Tudo bem. Mas se isso for uma armadilha, precisamos de um plano B."
"Temos", Derrick concordou, os olhos brilhando com uma determinação feroz. "Vamos ver como vai ser, mas uma coisa é certa – o jogo do Bobby tá chegando ao fim. Quer dizer, você não vai. Ele que vem até nós."
********************
Enquanto isso, na sede da T&T, o Bobby era uma bomba-relógio. Tinha uma raiva crua e desespero por trás da máscara de controle dele, que tinha sido danificada pelos ataques implacáveis das comunicações de chantagem. Ele socou a mesa, espalhando papéis por cima.
A voz dele estava tingida de ameaça quando ele gritou: "Isso tem que parar!"
A mãe do filho dele, a Betty, pulou com a explosão repentina. "Bobby? Tá tudo bem?"
Bobby olhou pra ela, os olhos ardendo com uma intensidade maníaca. "Não, Betty, está longe de estar tudo bem. Tem um vazamento. Alguém sabe."
A testa da Betty franziu de preocupação. "Um vazamento? Sobre o quê?"
"Tudo", Bobby cuspiu, andando de um lado pro outro na sala como um animal enjaulado. "A transferência, Briggs, todo o plano! Alguém tá tentando me ferrar!"
Ele parou de repente, o olhar fixo em algo invisível. "Me arruma um carro", ele rosnou, a voz tensa. "Preciso resolver isso… pessoalmente."
A Betty hesitou, sentindo a energia volátil girando em torno do chefe dela. "Sr. Duke, talvez o senhor devesse se acalmar—"
"Não me diz o que fazer!" Bobby rugiu, interrompendo-a. "Faz o que eu tô mandando!"
A Betty, com medo pela própria segurança, saiu correndo do escritório para cumprir a ordem dele. Desconhecido do Bobby, no entanto, o olhar preocupado dela havia demorado nele por um momento muito longo, – Bobby Duke estava em movimento, e ele era uma ameaça.
************************
De volta na sala principal, Sarah estava andando inquieta, a preocupação estampada no rosto. Derrick contou pra ela sobre a conversa dele com o Detetive Miller.
"Vigilância policial?" Sarah perguntou, as sobrancelhas levantadas. "Não é um pouco…drástico?"
"Talvez", Derrick admitiu, "mas o Bobby tá ficando desesperado. As mensagens dele ficaram cada vez mais erráticas, e quem sabe o que ele é capaz de fazer."
Sarah refletiu sobre isso por um momento, depois concordou. "Você tá certo. Ter a polícia do nosso lado não é uma coisa ruim. Pelo menos teremos um reforço."
Aí, uma batida soou na porta. Derrick trocou um olhar cauteloso com a Sarah antes de se aproximar da entrada. Ele espiou pelo olho mágico e viu um par de olhos penetrantes e uniformizados olhando de volta.
Ele abriu a porta alguns centímetros. "Posso ajudar?"
"Derrick Duke?" a voz de uma mulher perguntou. "Estamos aqui do departamento de polícia. O detetive Miller nos enviou."
O alívio inundou Derrick quando ele se afastou, permitindo que os dois policiais entrassem no chalé. Ele e a Sarah deram aos policiais uma explicação completa das circunstâncias, dando a eles o máximo de informações que puderam.
Um veículo policial disfarçado estacionou bem longe do lado de fora do chalé, com a sua equipe mantendo um controle rigoroso sobre o velho chalé. O detetive Miller estava no carro, com o fone de ouvido firmemente conectado às atualizações da sua equipe.
"Estamos de olho no escritório do suspeito", relatou um policial. "Nada suspeito por enquanto, mas manteremos vocês informados."
"Bom", disse Miller, com uma satisfação sombria na voz. "E a residência dos Duke?"
"Unidade em posição", confirmou outro policial. "Tudo calmo nessa frente."
Miller respirou fundo. Eles estavam correndo um risco calculado, mas as provas que Derrick forneceu pintaram um quadro claro do potencial de violência de Bobby. Eles não deixariam a Sarah ou o Derrick se tornarem vítimas da raiva de um homem desesperado.
Um silêncio tenso tomou conta do chalé quando a escuridão caiu sobre a cidade. Sob o olhar vigilante dos policiais, Sarah e Derrick estavam cientes de que o jogo havia chegado aos seus momentos finais.
A ligação desesperada de Bobby tinha jogado uma chave em seus planos, forçando-os a enfrentar a possibilidade de um confronto direto.
Eles tinham as provas, a influência, mas também tinham uma crescente sensação de inquietação. Eles não sabiam o que esperar quando encontrassem o Bobby, e o desconhecido os corroía.
Uma coisa era certa – a luta por justiça, pela T&T e por sua própria segurança, estava prestes a atingir seu ponto de ebulição.
***************************
O escritório luxuoso, que outrora representou o domínio do Bobby, agora parecia uma gaiola dourada. Ele quebrou um peso de papel de cristal com o punho na mesa. O som provou seu desespero crescente quando ecoou pela grande sala.
"Outra mensagem?" rosnou Bobby, a voz rouca por falta de sono.
"Sim, senhor", respondeu o chefe da segurança, um homem corpulento chamado Bruno, com a voz desprovida de emoção. "As mesmas ameaças veladas, a mesma voz distorcida."
Bobby pegou o telefone da mão do Bruno e ouviu a mensagem arrepiante em repetição. A voz da Sarah, distorcida pelo modulador, parecia penetrar em seu crânio.
A voz dizia: "Você não tem mais tempo, Bobby." "Aceite seus crimes, ou a verdade sobre você e a fraude do seu pai será exposta ao mundo."
Ele jogou o telefone pela sala, quebrando-o quando atingiu a parede. Ele gritou: "Quem é o responsável por isso?!" com absoluto medo na voz.
Bruno permaneceu impassível. "Nós reduzimos, senhor. Não pode ser ninguém da empresa. Os vazamentos são muito específicos. Tem que ser alguém que te conhece bem, alguém com conhecimento íntimo de seus negócios."
O sangue do Bobby gelou. As únicas pessoas que se encaixavam nessa descrição eram a Sarah e o Derrick. Seus supostos aliados, aqueles que ele manipulou, tornaram-se seus atormentadores.