Capítulo 49
O jipe bamboleante parou, criando uma nuvem de poeira que gradualmente cobriu a cabana de madeira desbotada, rodeada por pinheiros espessos.
Sarah, com os músculos doloridos da longa viagem, saiu do veículo, observando o exterior gasto com os olhos. Era isso – a nova casa segura deles, bem diferente da vida luxuosa da cidade que eles antes conheciam.
Tiger, sempre o prático, colocou a mochila no ombro e caminhou em direção à cabana. "É isso," ele anunciou, sua voz grossa, mas com um tom de alívio. "O Chalé de Caça da Martha. Lar doce… bem, digamos lar por enquanto."
"É isso?" Derrick perguntou, sua voz cheia de ceticismo enquanto examinava o exterior dilapidado. "A casa segura ultrassecreta do Sr. Black?"
Com uma risada reconfortante, Tiger, que os guiara pela difícil viagem selvagem, riu. "Meu amigo, as aparências enganam. Este lugar é mais forte do que parece, garanto."
A mão de Sarah tremeu de nervosismo quando ela pairou sobre um interruptor de luz sujo. Uma grande diferença da vida agitada da cidade que eles deixaram para trás, a solidão do refúgio era perturbadora. Mas muito mais terrível era a alternativa: ter que encarar a raiva do Bobby.
A luz piscou, revelando uma sala principal bem grande com um clique. A mobília estava empoeirada e os cantos cobertos de teias de aranha, mas os sofás de couro envelhecido e as mesas de carvalho robustas sugeriam um tempo mais confortável no passado.
"É… rústico," Olivia comentou, sua voz um pouco hesitante enquanto entrava, agarrando a mão de Sarah com força.
Antes que pudessem bater, a porta se abriu naquele mesmo momento, mostrando uma mulher com uma vida de histórias nos olhos e uma juba de cabelo grisalho.
De uma porta na parte de trás da sala, apareceu uma mulher corpulenta com um choque de cabelo grisalho e um ar de seriedade. Ela lhes deu um olhar desconfiado e inquisitivo.
"Vocês devem ser Sarah e Derrick," ela disse, sua voz rouca, mas estranhamente acolhedora. "Tiger me avisou que vocês chegariam."
"Essa é a Martha?" Sarah perguntou, dando um passo à frente.
Martha fez um aceno curto. "Às suas ordens. O Sr. Black geralmente não envia convidados para mim, mas estas são circunstâncias incomuns, você não acha?"
"Dá para dizer," Sarah respondeu, um sorriso irônico brincando em seus lábios. "Agradecemos por nos receber."
Martha gesticulou em direção a uma porta no lado oposto da sala. "Há quartos no andar de cima para você e o jovem. Não há muito luxo, mas pelo menos oferece abrigo."
O ar estava cheio de uma sensação persistente de inquietação enquanto eles se acomodavam em seus simples aposentos. Este abrigo improvisado parecia uma solução rápida, uma pausa no caos, em vez de um destino real.
Martha fez um aceno curto. "Entrem, entrem. Todos vocês parecem que poderiam usar um pouco de descanso e uma refeição quente."
A parte interna da cabana era surpreendentemente quente e convidativa. Uma panela ferveu alegremente no fogão de ferro fundido, e uma lareira quente e crepitante iluminava a sala.
Um tapete rasgado adornava os pisos de madeira, enquanto móveis descombinados proporcionavam uma sensação de aconchegante familiaridade.
A exaustão finalmente atingiu Sarah como uma onda. Ela afundou agradecida em uma poltrona desgastada, Olivia se aconchegando ao lado dela. Derrick, sempre o meticuloso, demorou um momento para inspecionar seus arredores antes de se juntar a eles perto do fogo.
"Cara, essa foi por pouco," Sarah suspirou, deixando a cabeça cair contra a tapeçaria desgastada.
Olivia, sempre a otimista, a cutucou com a pata. "Pelo menos estamos vivas," ela ronronou. "E olha, eles até têm uma lareira de verdade!"
Calor dançou nos olhos de Sarah. "Verdade. Talvez essa Martha não seja tão ruim, afinal."
Escovando um pouco de poeira do casaco, Derrick saiu das sombras. Sua voz ainda rouca depois do evento, ele declarou: "Parece estruturalmente sólido. Embora eu não recomendaria testar a capacidade de peso daquelas cadeiras."
Sarah riu, um som cansado. "Anotado, Sr. Meticuloso."
Durante um jantar farto de carne de veado assada e vegetais, Sarah descobriu mais sobre Martha. Ela fez uma vida para si mesma na floresta, longe dos olhares curiosos da cidade, como uma ex-rastreadora. Seu relacionamento com o Sr. Black ainda era um mistério, mas além de sua aparência dura, havia um calor inesperado.
"Então, Martha," Sarah começou, hesitante, espetando um pedaço de cenoura, "como exatamente você acabou conhecendo o Sr. Black?"
Martha rosnou, um estrondo baixo que parecia vir de algum lugar profundo dentro de seu peito. "Rastreei-o aqui alguns anos atrás. Achei que ele era outro playboy da cidade perdido na floresta. Acontece que ele não era tão esperto assim."
Uma faísca de algo parecido com diversão passou pelo rosto enrugado de Martha. "Precisava de ajuda para navegar na selva. Salvei sua pele magrela mais de uma vez, posso dizer a você."
Derrick, interveio. "E por que exatamente você o ajudou? Parece uma combinação estranha - uma rastreadora experiente e um morador da cidade em fuga."
O olhar de Martha endureceu por um momento, então suavizou quando ela encontrou os olhos curiosos de Sarah. "Ele tinha algo que valia a pena proteger," ela disse finalmente, sua voz um murmúrio baixo. "Algo precioso que ele estava tentando manter seguro."
Enquanto a noite avançava, Sarah sentiu uma nova sensação de segurança se instalando sobre ela. Apesar de suas circunstâncias incertas, estar aqui, com Olivia segura e Derrick ao seu lado, trouxe um lampejo de paz.
O telefone de Derrick tocou abruptamente, quebrando a calma da noite. Ao olhar para o identificador de chamadas, ele pareceu surpreso e levantou uma sobrancelha.
"É o Sam," ele respondeu, soando intrigado e um pouco preocupado.
Seu único contato com o mundo exterior tinha sido o detetive particular de Derrick, Sam Barclays. Com um brilho de otimismo no peito, Sarah observou Derrick atender o telefone. Talvez, só talvez, houvesse boas notícias reservadas para eles.
"Sam?" Derrick disse ao telefone, sua voz cautelosa. "O que está acontecendo?"
Um murmúrio baixo encheu a sala enquanto Sam falava do outro lado. Sarah e Olivia trocaram um olhar silencioso, seus olhos cheios de expectativa. Finalmente, Derrick desligou, seu rosto uma máscara de emoções conflitantes.
"Bem?" Sarah perguntou, incapaz de se conter por mais tempo. "O que ele disse?"
Derrick pigarreou, seu olhar se desviando nervosamente entre Sarah e Tiger, que estava absorto em limpar sua faca de caça.
"Ele… ele descobriu algo sobre o próximo movimento do Bobby."
Tiger fez uma pausa em sua tarefa, seus olhos se voltando para Derrick com uma atenção aguçada.
"O que é?" Sarah insistiu, inclinando-se para frente em antecipação.
"Aparentemente," Derrick começou, sua voz baixa, "o processo de transferência de propriedade da T&T para Marshal Briggs está acontecendo nas próximas duas semanas."
"Transferência de propriedade?" Sarah repetiu, a confusão nublando suas feições. "Por que ele faria isso?"
Um suspiro coletivo encheu a sala. Uma terrível lembrança de seu passado, o nome pairava pesadamente no ar. O pai biológico do Bobby, Marshal Briggs, era um criminoso lendário e um fantasma ressuscitado da juventude de Derrick que estava assombrando-os mais uma vez.
"Marshal Briggs?" Tiger murmurou, uma carranca profunda gravando linhas em seu rosto. "Aquela velha cobra."
"Sam diz que eles estão planejando desmantelar a T&T por dentro," Derrick acrescentou, sua voz sombria. "Essencialmente, levá-la à falência antes que alguém possa impedi-los."
Sarah sentiu náuseas invadi-la. A empresa T&T, apesar de suas falhas, tinha sido uma tábua de salvação para tantas pessoas. Vê-la desmoronar sob o controle de Marshal Briggs era uma perspectiva aterrorizante.
"Então, o que fazemos agora?" Olivia perguntou, sua voz mal um sussurro.
Sem resposta, a pergunta pairou no ar. Sarah examinou a sala, absorvendo as expressões determinadas e preocupadas de todos.
"Não podemos simplesmente ficar aqui," Sarah finalmente declarou, sua voz firme apesar do tremor de medo em seu coração. "Temos que fazer algo."
Tiger encontrou seu olhar, uma faísca de concordância tremeluzindo em seus olhos. "Ela está certa. Não podemos deixá-lo vencer. Agora não, nunca."
Tiger jogou sua faca com força na mesa, criando um estrondo alto que ecoou por toda a sala grande. "Precisamos de um plano," ele rosnou.
"Um plano para quê?" Derrick perguntou, levantando uma sobrancelha. "Estamos a centenas de quilômetros da cidade, escondidos em um velho chalé empoeirado. O que exatamente podemos fazer?"
Sarah, no entanto, parecia estar refletindo sobre as palavras de Derrick. "T&T sendo desmantelada… por dentro," ela murmurou, sua voz pensativa.
"Foi o que Sam disse," Derrick confirmou. "Aparentemente, Briggs planeja esvaziar a empresa, despojá-la de seus ativos e deixá-la uma casca vazia."
"Mas por quê?" Olivia interveio, sua voz cheia de confusão. "Por que destruir algo que Bobby trabalhou tanto para construir?"
Tiger bufou. "Porque o Bobby é apenas um peão no jogo do Briggs, pequena. Ele sempre foi o músculo, o músculo que o Briggs não conseguia controlar. Agora, com o Bobby fora da jogada, Briggs finalmente pode colocar as mãos na T&T e desmantelá-la à sua maneira."
Os olhos de Sarah se estreitaram. "Tem que haver algo que possamos fazer. Alguma forma de finalmente detê-los, o Bobby especialmente."