Capítulo 28
Sarah se ajoelhou no tapete macio, com os braços abertos e convidativos. "Cheguem aqui, meus amores," ela cantou baixinho, a voz cheia de felicidade por estarem reunidos.
Ethan e Leo, os gêmeos de dez meses de Sarah, caminharam instavelmente em suas pernas gordinhas enquanto se aproximavam dela. Seus rostos combinando, cercados por cabelos loiros claros, exibiam uma combinação de interesse e cautela.
Derrick observou, com a respiração presa na garganta. Esses meninos lindos, nascidos do relacionamento dele com Sarah, olhavam para ele com olhos que mostravam uma pitada de familiaridade, apesar de sua compreensão limitada das circunstâncias.
Ethan, o mais corajoso da dupla, foi o primeiro a alcançar Sarah, seus braços gordinhos envolvendo-a em um abraço alegre. Sarah o cobriu de beijos, encostando o rosto em seu cabelo macio. Leo, sempre observando, esperou um momento com uma carranca, pensando profundamente. Depois, ele timidamente sorriu e estendeu a mão gordinha para fazer contato com o joelho de Derrick.
O coração de Derrick se apertou. Ele gentilmente estendeu o dedo, e Leo, com a falta de jeito de uma girafa recém-nascida, o agarrou com um sorriso banguela. Uma onda de calor inundou o peito de Derrick, um instinto paterno despertando dentro dele. Ele nunca tinha segurado um bebê antes, e o toque delicado da mão minúscula de Leo enviou arrepios por sua espinha.
Sr. Black riu da porta. "Parece que Leo te reivindicou, Derrick. Ethan, por outro lado, parece perfeitamente satisfeito com Sarah."
Sarah olhou para cima, com um brilho divertido nos olhos. "Eles sempre parecem saber quem precisa deles mais, Vovô."
Apesar da brincadeira leve, uma pitada de preocupação permaneceu nos olhos de Sarah. Como Ethan e Leo reagiriam ao fato de seu pai aparecer de repente em suas vidas, um estranho com um rosto que eles nunca tinham visto antes?
Derrick ofereceu um sorriso tranquilizador. "Eles vão se acostumar, Sarah," ele disse, com a voz baixa e suave. "Eles têm você, e agora têm a mim também. Vamos resolver isso, juntos."
A tarde passou com muitas risadas, balbucios e acidentes com leite. Inicialmente relutante, Derrick se tornou obcecado pelos gêmeos. Ele ficou surpreso com a forma como seus dedos pequenos alcançavam ansiosamente os brinquedos, seus olhos inocentes absorvendo o mundo com admiração.
Ele se familiarizou com o padrão deles – os murmúrios alegres ao trocar as fraldas, as respirações satisfeitas após a alimentação, os gemidos irritadiços quando estavam com sono. Sarah atendeu habilmente às suas necessidades, exibindo uma riqueza de experiência na arte da maternidade.
Enquanto o sol descia, esticando sombras na sala de estar, Sr. Black anunciou, "Tudo bem, pessoal, é hora de dormir." Com um sorriso no rosto, ele pegou o Leo se debatendo em seus braços. "Não se preocupe, Sarah," ele garantiu enquanto dava uma piscadela para Derrick. 'Eu vou cuidar da hora do banho. Vocês dois têm muito o que conversar."
Sarah e Derrick se viram sozinhos na sala de estar, com apenas os sons distantes das risadas de Ethan e Leo interrompendo o silêncio pacífico vindo do andar de cima.
Sarah caminhou em direção à janela, com os olhos fixos no céu escuro. "No que você está pensando?" Derrick perguntou por trás dela, com a voz suave.
Sarah se virou para encará-lo, com os olhos marejados. "É só… muita coisa para absorver," ela admitiu. "Te ver com eles… é tudo o que eu sempre quis, e algo que eu nunca achei possível."
Derrick a envolveu em um abraço aconchegante, apreciando a fragrância de seu cabelo. "Ele sussurrou para Sarah que tudo ficará bem." "Vamos superar este desafio trabalhando juntos. Por eles."
Sarah se encostou em seu abraço, uma sensação de paz se instalando sobre ela. Apesar dos desafios que estavam por vir, ela sabia que não estava mais sozinha. Derrick estava aqui, e juntos, eles protegeriam sua família, seus filhos – Ethan e Leo – da escuridão que os ameaçava.
O coração de Derrick estava cheio de amor ao olhar nos olhos de Sarah, a gratidão brilhando nos seus. "Obrigado, Sarah," ele disse, com a voz cheia de sinceridade. "Obrigado por tudo."
E quando ele olhou em seus olhos inocentes, ele fez um voto para si mesmo. Ele nunca os deixaria sofrer nenhum dano. Ele os protegeria com sua vida, não importasse o custo. Pois eles eram seus filhos, sua carne e sangue, e nada era mais importante do que mantê-los seguros.
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Raios dourados manchavam o chão da sala de estar quando a luz da manhã entrava pelas cortinas da janela. Ao acordar, as lembranças de Derrick do dia anterior voltaram à tona. Usando uma capa grossa, ele se sentiu orgulhoso de seu papel paterno na proteção de Sarah e dos meninos.
No entanto, ele sentiu um calor se espalhando em seu peito, mesmo com a preocupação. Ao testemunhar as interações de Sarah com Ethan e Leo, e o cuidado e gentileza que ela lhes demonstrava, ele sentiu um forte desejo interior. Sentimentos reprimidos por Sarah ressurgiram mais uma vez, nunca totalmente extintos.
Ele ansiava por passar mais tempo com eles, fazer parte de suas vidas, não apenas como protetor, mas como pai. No entanto, a natureza clandestina de sua situação o atormentava. Ele não podia simplesmente entrar quando quisesse, não sem levantar suspeitas.
Pegando o telefone, Derrick hesitou em ligar para Sarah. Ele precisava falar com ela, discutir um plano para como ele poderia estar presente na vida de seus filhos sem comprometer sua segurança. Hesitante, ele discou o número dela.
O telefone tocou uma vez, duas vezes, antes que a voz de Sarah preenchesse o receptor. "Alô?" ela respondeu, com um tom de cansaço na voz.
"Oi, aqui é o Derrick," ele disse, com a voz baixa. "Como estão as coisas esta manhã?"
Sarah riu, um som leve e familiar que o eletrizou. "Ocupada como sempre," ela respondeu. "Mas tudo sob controle. Os meninos estão tirando uma soneca, e o Vovô está atualizando a papelada."
Eles conversaram um pouco, um ritmo confortável se estabelecendo apesar da tensão que pairava no ar. Derrick soube sobre o fascínio recém-descoberto de Ethan por brinquedos chocalhantes e os primeiros passos instáveis de Leo. Ele, por sua vez, compartilhou trechos de seu dia, com a voz engrossando ao falar sobre seu desejo de se envolver mais.
"Eu sei que as coisas são complicadas," ele finalmente admitiu, as palavras saindo antes que ele pudesse se impedir. "Mas eu quero vê-los, Sarah. Todos os dias, se possível. Mesmo que seja só por um tempinho."
O silêncio se estendeu do outro lado da linha, pesado com emoções não ditas. Derrick prendeu a respiração, com o coração batendo forte no peito.
Finalmente, Sarah falou, com a voz suave e hesitante. "Eu também quero isso, Derrick," ela confessou. "Mas como? Não podemos simplesmente fazer com que você apareça o tempo todo, isso chamaria atenção."
A frustração borbulhou dentro dele. Ele se viu na mesma situação de antes – preso em segredo, incapaz de ter uma vida familiar típica. Ele disse: 'deve haver uma solução, Sarah," ele exclamou, com a voz mostrando sinais de irritação. Não podemos ignorar a presença de mim na vida um do outro.
Naquele momento, Sarah soltou um suspiro agudo e repentino. Ela sussurrou para Derrick esperar, com a voz ligeiramente apavorada.
A linha telefônica foi interrompida pelo som rangente da porta da frente sendo aberta, seguido por um murmúrio silencioso. Derrick sentiu uma sensação gélida no sangue. Era Bobby? Ele os rastreou?
"Ele perguntou para Sarah, "O que está acontecendo?" com um tom preocupado em sua voz.
Sarah respondeu, com a voz mostrando sinais de tensão, "Está tudo bem."
"É só o Vovô. Espere, vou colocar no viva-voz."
Um momento depois, a voz grave do Sr. Black preencheu o viva-voz. "Sarah, com quem você estava falando?" ele perguntou, com uma nota de suspeita em seu tom.
Sarah hesitou, então pigarreou. "É o Derrick, Vovô. Ele só queria saber como estava."
Após um breve momento de silêncio, o Sr. Black prosseguiu soltando um assobio suave. "Claro," ele resmungou, o tom cheio de uma sensação de compreensão.
Derrick sentiu uma onda de calor subir em seu pescoço. Obviamente, o Sr. Black estava ciente de sua história, dos sentimentos que ainda permaneciam sob a superfície.
"Derrick," o Sr. Black finalmente disse, com a voz grave, mas gentil. "Acontece que ouvi sua conversa com Sarah. E parece que você tem uma decisão a tomar."
Derrick segurou o telefone com mais força, com a respiração acelerando. "Que decisão, senhor?"
"Você quer estar na vida desses meninos ou não?" A pergunta do Sr. Black foi direta, sem nenhum tipo de açucaramento. "Porque se você quiser, então você vai ter que lutar por isso. Por Sarah, pelos gêmeos e por você mesmo."
Derrick engoliu em seco nervosamente, olhando para o tapete esfarrapado abaixo dele. As palavras do Sr. Black serviram como uma clara indicação das dificuldades que estavam por vir e dos perigos potenciais que estavam enfrentando. No entanto, a ideia de abandonar Sarah e seus filhos, de deixá-los se defender sozinhos, o fez sentir um medo arrepiante.
Erguendo a cabeça, um novo senso de determinação apareceu em sua expressão. "Eu desejo me envolver em suas vidas, independentemente da despesa. Vou lutar por eles, por Sarah, por tudo o que temos."