Capítulo 37
O peso da esperança recém-descoberta caiu sobre os ombros de Sarah, um contraponto pesado à inquietação que tinha se instalado em sua barriga.
A reunião com Ramirez tinha sido um ponto de virada, uma rachadura na parede aparentemente impenetrável que Bobby construiu ao seu redor. No entanto, uma lasca de inquietação, uma sensação de formigamento na parte de trás do pescoço, se recusou a ser ignorada.
"Você acha que deu certo?" Derrick perguntou, com a voz cheia de um tremor esperançoso quando eles saíram da lanchonete.
Sarah agarrou o volante, com os nós dos dedos brancos. "É um começo", ela admitiu, com a voz tensa. "Ramirez parece disposto a ouvir, mas Bobby é um homem poderoso. Ele não vai desistir facilmente."
"Sabíamos disso desde o início", disse Derrick, apertando sua mão de forma reconfortante. "Estamos preparados para uma briga."
Sarah forçou um sorriso, seu olhar piscando para o espelho retrovisor. A inquietação se intensificou, uma premonição fria que parecia uma sombra caindo sobre eles. Ela descartou como nervos, os efeitos colaterais de sua reunião de alto risco. Mas a sensação não iria recuar.
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A alguns quarteirões de distância, uma figura com um moletom com capuz cobrindo o rosto saiu da escuridão. Um único fone de ouvido em sua orelha transmitiu uma mensagem curta.
"Ela está viva. Sarah Thompson. Dois filhos, meninos, parecem ter cerca de dez meses de idade."
'Sarah... viva?' ele murmurou, sua voz tingida de descrença. "E com dois meninos, você diz?"
"Os relatórios podem estar errados, chefe", respondeu a figura, sua voz desprovida de emoção. "Mas isso é confirmado. Eu a vi saindo de uma reunião com dois homens. Parece que eles estão planejando alguma coisa."
Um silêncio tenso se seguiu, quebrado apenas pelos sons do tráfego distante. Finalmente, a voz do outro lado falou novamente, cheia de uma ponta perigosa.
"Descubra o que eles estão planejando. E livre-se de qualquer ponta solta."
A figura assentiu secamente, um brilho frio em seus olhos. Eles sabiam o que estava em jogo. Bobby não toleraria nenhuma ameaça, nenhum desafio ao seu poder.
Sarah, que ele pensava estar morta, agora estava viva e com dois filhos e tinha se tornado uma responsabilidade, obstáculos em seu esquema cuidadosamente construído. E Bobby tinha uma maneira de lidar com os obstáculos.
As crianças poderiam ser dele? Ele ponderou.
'Sabe de uma coisa?' Bobby disse, parecendo que tinha mudado de ideia. A mente de Bobby correu com possibilidades, sua raiva fervendo logo abaixo da superfície. Ele acreditava que Sarah estava morta, uma vítima de seus erros passados. Mas agora, parecia que ela estava muito viva, e vivendo uma vida da qual ele não fazia parte.
"Descubra tudo o que puder sobre eles", Bobby ordenou, com a voz fria e calculista. "Quero saber cada movimento deles, cada fraqueza deles. E então... vamos fazer uma visitinha para eles."
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Os dias seguintes foram uma confusão de atividade frenética. Sarah e Derrick se coordenaram com Sr. Black para organizar a casa segura de Emily e prepará-la para a entrevista com Ramirez. O peso do testemunho de Emily pairava no ar, uma esperança frágil equilibrada contra a ameaça real da retaliação de Bobby.
Certa noite, quando Sarah colocou Ethan e Leo em seus berços, seus gorgolejos pacíficos um bálsamo para sua alma, a inquietação se transformou em uma certeza arrepiante. Ela viu um vislumbre de movimento nas sombras do lado de fora da janela. Uma sensação crucial gritando perigo fez seu coração bater em seu peito.
Ela exclamou, "Derrick", em um sussurro tenso e urgente.
Sem qualquer demora, Derrick estava ao seu lado, seu olhar fixo na janela. Ele era cego, mas podia sentir a tensão na sala.
Com uma voz sussurrada, ele perguntou: "Você viu alguma coisa?"
Sarah engoliu em seco. "Acho que sim", ela admitiu, "uma sombra, um movimento lá fora."
A pele dela formigava com suor frio, pois a sensação de estar sendo observada se intensificou.
A tremor que percorreu seu corpo disse: "Precisamos ter cuidado", sua voz severa. "Não podemos correr o risco de Bobby descobrir sobre as crianças."
Derrick assentiu, com a mandíbula cerrada. "Teremos que ser mais cautelosos. Talvez até." Com um olhar hesitante, ele examinou a sala.
"Mudá-los?" Com um nó de pavor crescendo em seu estômago, Sarah terminou suas palavras. Era insuportável considerar ficar longe de seus filhos, mas a alternativa era inimaginável.
"Talvez por um curto período", Derrick tocou seu ombro. "Sr. Black tem contatos. Ele pode encontrar um lugar seguro para eles, em algum lugar que Bobby não pensaria em procurar."
Sarah fechou os olhos e imaginou os sorrisos rechonchudos e a risada contagiante de Ethan e Leo. Era terrível pensar neles separados dela, mas era ainda pior imaginá-los sendo pegos na armadilha de Bobby.
Ela disse: "Tudo bem", mal audível. "Precisamos falar com Sr. Black, e em breve."
'Derrick, acho que estamos com problemas", ela disse, com a voz mal acima de um sussurro depois de um tempo.
Derrick assentiu, sua expressão sombria. "Eu sei. Mas não podemos deixar o medo nos controlar. Temos que ser fortes pelos meninos."
Havia uma mensagem esperando por Sarah em seu telefone quando eles se sentaram para comer. Sentindo uma sensação de afundamento na boca do estômago, ela franziu a testa ao ler o nome do remetente.
Com uma pitada de medo em sua voz, ela declarou: "É de um número desconhecido." "Eu deveria abrir?"
Após uma pausa, Derrick assentiu. "Precisamos saber contra o que estamos lutando."
Com o coração disparado no peito, Sarah leu a mensagem. Sua pulsação caiu ao ler as palavras na tela.
"Eles estão cientes de sua identidade. Eles sabem onde você mora. E eles estão indo atrás de você. T" Sarah reconheceu quem era sem pensar muito nisso. Era Tiger, avisando-os.
Os olhos de Derrick se arregalaram de alarme ao ler por cima do ombro dela. "Precisamos sair daqui. Agora."
No mesmo instante, eles encontraram Sr. Black em seu escritório, a urgência gravada em seus rostos era evidente.
"Temos um problema", afirmou Sarah, com a voz tensa ao descrever o breve vislumbre de movimento do lado de fora de sua janela e a sensação perturbadora de estar sendo observada.
Sr. Black ouviu atentamente, com o rosto sério. "É uma possibilidade que não podemos ignorar", disse ele finalmente. "Bobby é implacável. Ele não hesitaria em usar seus filhos como alavancagem."
"Não podemos arriscar isso", disse Derrick, com a voz cheia de fúria mal controlada. "Precisamos levá-los para um lugar seguro, em algum lugar que Bobby não pensaria em procurar."
"Eu tenho contatos", disse Sr. Black, com a voz baixa. "Uma casa segura administrada por uma mulher chamada Margaret. Discreta, confiável. Ela já ajudou pessoas a desaparecer antes, pessoas em situações perigosas."
Sarah estremeceu com a palavra "desaparecer", mas o que veio a seguir foi muito pior.
Ela questionou, um pouco trêmula em sua voz: "Podemos confiar nela?"
"Ela é a melhor", declarou Sr. Black sem hesitar. "Mas esteja ciente de que este não seria um acordo de longo prazo. Apenas o tempo suficiente para a atenção de Bobby vagar e a poeira baixar."
Depois de um tempo, a sala estava calma novamente, mas o som do ar condicionado zumbia suavemente. Sua decisão pesava em suas mentes, e a ideia de ter que deixar seus filhos para trás parecia um peso que nunca seria aliviado. se virou para Derrick. Seu rosto gravado com agonia, ele apertou a mão dela.
"Não temos muitas opções", ele finalmente afirmou, com a voz cheia de raiva. Esta é uma causa perdida se Bobby descobrir sobre eles. Os gêmeos estão em perigo, portanto não podemos lutar contra ele."
Com lágrimas nos olhos, Sarah deu um aceno de cabeça. Ela disse, com a voz trêmula: "Mas como podemos suportar ficar separados deles?"
Derrick a tranquilizou, com a voz firme apesar do tremor que a percorria, "Será temporário. Tempo suficiente para revelar a identidade de Bobby. Depois disso, vamos recuperá-los, e isso vai acabar."
Uma lágrima escorreu quente pela bochecha de Sarah depois de escapar de seu olho. "E Emily? E se Bobby descobrir sobre ela também?"
"Vamos dobrar a segurança dela", interveio Sr. Black, com a voz resoluta. "A casa segura é bem equipada, e Ramirez está tomando precauções extras com sua entrevista. Você está certa, no entanto - não podemos nos dar ao luxo de ter nenhuma vulnerabilidade."
Houve um aumento de ação nas próximas horas. Chorando e sussurrando que voltariam em breve, Sarah e Derrick abraçaram seus filhos adormecidos para se despedir por agora.
Derrick, com o coração pesado, embalou uma pequena mala com itens essenciais para os gêmeos, suas mãos tremendo ligeiramente. Sarah, agarrada a uma foto emoldurada de sua família, sentiu uma parte de si mesma sendo arrancada.
Sr. Black chegou com uma mulher chamada Margaret, um indivíduo estoico com uma postura gentil, mas cautelosa. Ela garantiu-lhes as medidas de segurança da casa segura, uma localização oculta com vigilância e salas de pânico. A promessa de segurança pouco fez para aliviar a dor no coração de Sarah.
Quando entregaram seus filhos, uma onda de náuseas tomou conta de Sarah. Ethan se moveu nos braços de Margaret, sua mão rechonchuda alcançando o dedo de Sarah. Ela soltou um soluço engasgado, e Derrick deu-lhe um abraço reconfortante.
"Está tudo bem", ele murmurou, com a voz cheia de empatia. "Estamos agindo em seu nome. Garanto que vamos recuperá-los."
Margaret sorriu gentilmente para eles, entendendo sua angústia. Ela disse: "Eles serão bem cuidados. E assim que as coisas se acalmarem, você os terá de volta em seus braços."