Capítulo 56
Enquanto Bobby tava na cela, o desespero tava roendo a alma dele. O concreto gelado e as barras de aço sem piedade tinham tomado o lugar do ambiente luxuoso que o escritório dele tinha.
A evidência inquestionável contra ele incluía a papelada, áudios e as confissões dos brutamontes; tudo isso criou uma imagem horrível da traição dele.
O medo se enrolou no coração dele como uma serpente fria e escorregadia. A perda de tudo que ele tinha construído e a humilhação pública que viria depois eram demais para ele aguentar.
Bobby fez uma última tentativa de ligar. Ele sentiu um choque percorrer ele quando ouviu a mesma voz do outro lado. Ele gaguejou, "Pai," com a voz rouca.
"Bobby?" A voz de Marshal Briggs ecoou pelo telefone, com um toque de surpresa. "Como você está? Por que demorou tanto para ligar?"
"Eles... eles me pegaram," Bobby gaguejou, a voz dele rachando. "A polícia, eles têm evidências, ligações de voz... sobre tudo."
Um grande silêncio se estendeu entre eles. Então, Marshal Briggs falou, com a voz sem calor, com uma indiferença fria.
"Evidência? Que evidência, Bobby? Você sempre foi um dramático. Além disso, quem se importa com o que uns bandidinhos e um par de ex-funcionários descontentes dizem?"
O sangue de Bobby congelou. "Mas as gravações, Pai! Sarah, Derrick..."
"Gravações podem ser adulteradas," Marshal Briggs zombou. "E aqueles dois? Tolos ingênuos, facilmente manipulados. Não se preocupe, Bobby. Nós vamos cuidar disso. Do jeito que sempre fazemos."
A demissão insensível acendeu uma tempestade dentro de Bobby. Anos de raiva não dita e de ser usado como um peão no esquema do pai finalmente explodiram. "Eles não vão cuidar disso, Pai! Tudo isso é culpa sua! Você me usou, me manipulou! Você nunca se importou comigo!"
O rugido ecoou pela cela, um contraste gritante com o silêncio habitual. Uma pausa de silêncio atordoado seguiu do outro lado da linha. Então, uma risada fria.
"Se importou com você?" A voz de Marshal Briggs escorria desprezo. "Você sempre foi o fraco, Bobby. O reserva, o que vem depois. Eu te moldei no que você é, te dei tudo o que você tem. E é assim que você me recompensa? Com reclamações e autopiedade?"
As palavras finais foram um tapa cruel. Bobby explodiu. O telefone público dele bateu na parede com uma rachadura insuportável quando ele se jogou nele em uma fúria cega.
Anos de frustração e raiva reprimida foram liberados em um grito primal que rasgou a garganta dele.
Ignorando os gritos chocados dos guardas, Bobby saiu da cadeia, impulsionado por uma raiva incontrolável. Ele sabia para onde ir. E o guarda temia impedi-lo.
A velha mansão Briggs, um monumento extenso à riqueza e poder do pai dele, se erguia grande na colina com vista para a cidade.
O rosto zangado dele se contorceu quando ele entrou correndo no escritório. Marshal Briggs estava sentado atrás da mesa de mogno, com diversão e desgosto escritos no rosto.
Com um tom cheio de arrogância, Marshal Briggs disse, "Você não deveria ter vindo aqui, Bobby. Especialmente nesse estado."
Bobby, com o peito subindo e descendo, ignorou o aviso. "Acabou, Pai," ele cuspiu, a voz dele tremendo com raiva mal controlada. "Eles sabem de tudo."
"Tudo pode ser gerenciado," Marshal Briggs disse com desdém. "Como sempre."
'Você não entende. Sou eu que todo mundo conhece. Não você. Você se esconde atrás dessa mesa e manda ordens enquanto eu as cumpro, lamentando. Sou eu que vou cair, não você", Bobby gritou.
Marshal Briggs apenas zombou e disse 'Patético como sempre. Eu disse que tudo será administrado."
Mas desta vez, Bobby não seria controlado. Pulando por cima da mesa, ele pegou um grande ornamento de prata. Ele deixou cair com um baque doloroso na cabeça do pai dele em um ataque de raiva.
Marshal Briggs caiu no chão, soltando um som engasgado assustado. Seus olhos chocados e traídos estavam arregalados enquanto ele olhava fixamente para o teto.
O corpo de Bobby tremeu enquanto ele olhava para o que ele tinha criado. Depois que a raiva dele se acalmou, ele ficou com o conhecimento arrepiante do que tinha feito. O pai dele tinha sido assassinado por ele.
O ornamento parecia pesado em suas mãos, uma representação tangível da vergonha que estava começando a sufocá-lo. Com a respiração irregular e o escritório silencioso, ele ficou ali paralisado.
Ele tinha vindo em busca de ajuda, de uma solução, mas em um momento de loucura, ele tinha se tornado o próprio monstro que desprezava.
Os dias se transformaram em semanas, um ciclo monótono de refeições velhas, silêncio ecoante e o peso sempre presente de suas ações.
Bobby, uma casca de seu antigo eu arrogante, andava pela mansão, um prisioneiro em sua própria gaiola dourada. As cores vibrantes da decoração pareciam sombrias, o ar espesso com o fedor do arrependimento e do desespero.
Uma manhã, um guarda entrou em seu quarto, um envelope oficial agarrado em sua mão. "Correio para Sr. Duke," ele disse secamente, colocando-o na mesa de cabeceira antes de fazer uma retirada apressada.
Bobby olhou para o envelope, o papel branco puro parecendo zombar dele.
Ele o rasgou com as mãos trêmulas, engasgando em busca de ar enquanto olhava para o conteúdo. Era uma intimação judicial, avisando que seu julgamento estava agendado para acontecer em apenas cinco dias.
As palavras pareciam turvas para ele. Cinco dias. Seria seu mundo desmoronando em cinco dias. A luz dura da sala do tribunal rasgaria a fachada cuidadosamente construída do filho amoroso e do empresário bem-sucedido.
Ele já estava sentindo o peso da vergonha pública, os olhos acusadores e os sussurros de nojo.
O pânico o sufocou. Ele não tinha planejado isso. Ele sempre havia confiado no pai dele, Marshal Briggs, o homem que sempre teve uma solução, para consertar qualquer bagunça. Mas Marshal Briggs se foi, vítima da própria raiva de Bobby.
Ele se sentiu enjoado. Alcançando o telefone, ele cambaleou para encontrar o número do Sr. Thorne, o advogado que Sarah e Derrick tinham contratado. Mas que bem isso faria? Ele tinha confessado o assassinato do pai dele. Nenhum advogado, nenhuma quantia de dinheiro, poderia apagar essa verdade condenatória.
O desespero ameaçou consumi-lo por inteiro. Ele bateu o telefone, deixando o enorme vazio da mansão ecoando com o som. Como uma mosca presa em sua própria teia, ele estava preso.
Os dias antes do julgamento foram um turbilhão de dor excruciante. Os olhos mortos do pai e o eco assustador de seu próprio grito o atormentavam em seus pesadelos, tornando difícil para ele dormir.
Ele ligou, querendo se conectar com alguém, qualquer um, mas suas ligações não foram retornadas.
Na manhã do julgamento, um Bobby magro, em um terno amassado que pendia frouxamente em seu corpo magro, estava diante de um guarda de rosto severo. "Sr. Duke," o guarda disse, sua voz desprovida de qualquer simpatia, "eles estão esperando por você na sala do tribunal."
Bobby assentiu mudo, as pernas tremendo enquanto ele seguia o guarda pelo longo corredor. A sala do tribunal pulsava com uma energia tensa, o ar espesso com expectativa.
Derrick e Sarah estavam sentados do outro lado do corredor um do outro, uma mistura de nostalgia e raiva em seus rostos. Bobby notou brevemente um brilho de simpatia em suas profundezas quando seus olhos se encontraram.
Ele sentou-se na mesa do réu e observou o espaço cautelosamente. Quando a acusação começou a acumular as evidências contra Bobby, um arrepio percorreu sua espinha.
A desonestidade e as falsidades dele foram construídas em um padrão pelas evidências físicas encontradas no escritório de seu pai, o testemunho dos bandidos e as gravações incriminatórias.
Bobby se preparou quando a acusação chamou Sarah para testemunhar. Ele ouviu enquanto ela descrevia o que havia acontecido antes de conhecer Bobby, sua voz vacilando, mas firme. Um sentimento de arrependimento o percorreu quando ele viu a dor e a traição em seus olhos quando ela disse.
"Sr. Duke," ele disse com voz severa, "você tem alguma pergunta para Sra. Thompson?"
Bobby abriu a boca para falar, mas nenhuma palavra saiu. Ele olhou para Sarah, para a mulher que ele havia traído e manipulado, e tudo o que ele conseguiu foi um soluço engasgado. A vergonha o sufocou, uma pílula amarga que ele foi forçado a engolir.
O julgamento avançou rapidamente, um gigante implacável o esmagando sob seu peso. Enquanto o júri deliberava, Bobby sentou-se curvado, sua mente um caleidoscópio horrível de resultados potenciais. Não havia esperança para um veredicto de não culpado.
Tudo o que ele podia orar era por uma sentença branda, uma lasca de redenção para o ato monstruoso que ele havia cometido.
A sala do tribunal zumbiu com uma energia nervosa que vibrou em Bobby como um fio desencapado. Sr. Karuz, um homem cujo olhar firme e inteligência afiada tinham inspirado um brilho de esperança no peito de Bobby, sentou-se ao lado dele, o rosto sombrio.
"A acusação tem um caso forte, Sr. Duke," Sr. Karuz disse em voz baixa, suas palavras com um toque de arrependimento. "Mas lembre-se, vamos lutar com unhas e dentes."
Bobby assentiu mudo, sua garganta contraída com um medo que roía suas entranhas. Ele roubou um olhar para Sarah e Derrick, seus rostos marcados com uma mistura de raiva e uma determinação fria e firme.
Ele viu Tiger, seu leal braço direito, sentado no lado oposto do corredor, remexendo desconfortavelmente.