Capítulo 40
'Ramirez ligou." O Sr. Black continuou. 'Parece que ele tem uma pista sobre a Emily. É possível que ela apareça em breve."
Derrick sentiu um brilho de otimismo, uma faísca contra a escuridão que se aproximava. "Você tá falando sério? Essa é uma notícia excelente, não é?"
"Pode ser," o Sr. Black disse hesitantemente. "Depende. O depoimento da Emily é crucial, mas também coloca um alvo nas costas dela. Precisamos estar preparados para tudo."
Derrick respirou fundo, tentando processar a nova informação.
A ligação do Sr. Black quebrou a paz frágil na cabana. Com o rosto pálido e abatido, Derrick pegou o celular descartável. Ele disse, "Sarah," com uma voz tensa e urgente, contida.
Assustada, fora do seu estado de sonho choroso, Sarah endireitou a postura. Ela perguntou, com a voz tingida de medo, "Que foi?"
Com um engolir a seco, Derrick murmurou, "Bobby," com o pomo de Adão balançando. "Ele tá transferindo a propriedade do Grupo T&T."
Os olhos da Sarah se arregalaram. "Transferindo? Pra quem?"
Derrick respirou fundo. "Marshal Briggs. O CEO da Somech Ltd."
Um flash de reconhecimento passou pelo rosto da Sarah. "Espera, não é... ?"
Derrick assentiu, com a mandíbula travada. "O pai do Bobby."
"Mas por quê?" Sarah sussurrou, o peso da pergunta pesado no ar. Isso não era só sobre vingança, agora. Isso era maior, uma jogada de poder que fez a pele dela arrepiar.
"Acabei de falar com o Sr. Black," Derrick explicou, com a voz baixa. "Ele acha que é uma jogada de poder. O Bobby se afasta das operações diárias da T&T, dando o controle da empresa pro pai dele. Ele fica intocável como resultado, pelo menos na lei."
Um medo horrível se contorceu no estômago da Sarah. Ela estremeceu com a ideia do Bobby, encorajado e protegido pelos recursos e conexões do pai.
"Isso é terrível," ela murmurou em um sussurro quase inaudível. "Isso é muito ruim."
"Precisamos ligar pro Sr. Black," Derrick disse, com a voz resoluta apesar do tremor que a percorria. "Precisamos de um plano."
Enquanto Derrick discava o celular descartável, a mente da Sarah corria. O Bobby transferir a propriedade da T&T pro pai dele não era apenas uma jogada estratégica - era um ataque pessoal. Isso implicava que eles estavam fugindo não só de uma ex-chama rancorosa, mas também de uma dinastia forte, uma rede de influência que parecia se estender para sempre.
A gravidade da situação deles pesava muito em seus peitos, pressionando-os para baixo. Eles enfrentaram um legado formidável enquanto fugiam de sua própria cidade com seus filhos sendo sequestrados por um homem que estava ficando cada vez mais desesperado.
Mas mesmo em meio à sua ansiedade e desesperança, os olhos da Sarah brilharam com desafio. Eles não se renderiam sem lutar. Eles precisavam encontrar uma maneira de revidar, de mostrar os jogos do Bobby e de seu pai pelo que eram: uma tentativa insana de destruir o Ethan, o Leo e a vida deles juntos.
Eles se agarraram àquela faísca de esperança, uma brasa frágil na escuridão, enquanto o telefone tocava, conectando-os ao Sr. Black. A voz dele, geralmente calma e contida, continha uma pitada de preocupação.
"Sarah, Derrick," ele os cumprimentou. "Acho que vocês já ouviram as notícias?"
"Acabamos de saber," Derrick disse, com a voz tensa. "O que isso significa?"
"Isso joga uma pedra no meio do caminho, com certeza," o Sr. Black admitiu. "Mas não muda nosso objetivo final. Ainda precisamos expor o Bobby e derrubá-lo. No entanto, isso adiciona outra camada de complexidade."
Silêncio desceu na linha por um momento, quebrado apenas pelo ruído do celular descartável. A Sarah quase podia imaginar o Sr. Black, com o rosto enrugado e preocupado enquanto formulava um novo plano.
"Precisamos nos reagrupar," o Sr. Black finalmente disse. "Vou entrar em contato assim que tiver uma visão mais clara. Enquanto isso, fiquem onde estão. A segurança de vocês é fundamental."
"Mas e o pai do Bobby?" Sarah perguntou, com a voz tremendo um pouco. "Ele é poderoso. Como lutamos contra alguém assim?"
"Uma coisa de cada vez, Sarah," o Sr. Black disse gentilmente. "Vamos descobrir. Lembre-se, temos aliados nisso. O Ramirez ainda está construindo seu caso contra o Bobby, e o depoimento da Emily será crucial. Só precisamos encontrar uma maneira de explorar esse novo desenvolvimento, transformá-lo a nosso favor."
Uma lasca de esperança brilhou no coração da Sarah. As palavras do Sr. Black, mesmo misturadas com cautela, ofereceram uma tábua de salvação na tempestade. Eles não estavam sozinhos. Eles tinham um ao outro, o Sr. Black, o Ramirez e, talvez, apenas talvez, uma chance de revidar.
"Estamos com você," Derrick disse, com a voz firme, apesar do medo que o corroía. "Vamos fazer o que for preciso."
"Bom," o Sr. Black respondeu. "Fiquem fortes. Entrarei em contato."
Houve uma longa pausa quando a ligação terminou. Derrick e Sarah se olharam preocupados, o peso das palavras do Sr. Black caindo sobre eles como uma roupa.
"Uma pedra no meio do caminho," Sarah murmurou, com a voz quase audível acima de um sussurro. "Isso é pouco dizer."
Derrick afirmou: "Ele tá certo, no entanto", com uma expressão resoluta no rosto. "Não podemos deixar isso nos deter. Temos que revidar."
A Sarah assentiu, com um brilho feroz nos olhos. "Pelos filhos, por nós mesmos. Não podemos deixar o Bobby vencer."
Eles ficaram em silêncio por um momento, o som do vento assobiando do lado de fora amplificando a turbulência interna. A notícia da transferência de propriedade do Bobby lançou uma longa sombra, levantando uma questão preocupante.
"E o Rico?" Sarah finalmente perguntou, quebrando o silêncio.
Derrick franziu a testa. "Rico? O que tem ele?"
"Ele parecia... hesitante hoje," Sarah refletiu, lembrando-se da postura nervosa do bandidão no apartamento revirado da filmagem da câmera de segurança, que ela assistiu no celular. "Como se talvez ele não estivesse totalmente de acordo com o plano do Bobby, especialmente quando se tratava das crianças."
"Pode ser," Derrick admitiu. "Mas podemos confiar nisso? Ele tem sido o cachorrinho fiel do Bobby por anos."
"Talvez," Sarah concedeu. "Mas talvez não. Talvez tudo isso, envolvendo crianças, seja uma linha que ele não está disposto a cruzar."
Uma faísca de esperança se acendeu em seus olhos. "Se pudéssemos de alguma forma entrar em contato com ele, fazê-lo ver o que o Bobby realmente está fazendo, talvez ele pudesse ser um trunfo. Talvez ele pudesse ser nosso homem infiltrado."
Derrick considerou isso por um momento, com a testa franzida em pensamento. "Arriscado," ele disse finalmente. "Muito arriscado. Mas se funcionar, isso pode nos dar uma grande vantagem."
"Precisamos de todas as vantagens que pudermos conseguir," Sarah disse, com a voz firme. "O Sr. Black pode cuidar do quadro geral, mas precisamos de alguém por dentro. Alguém para ficar de olho no Bobby, para ver qual é o próximo lance dele."
"E se o Rico for o cara, precisamos pisar em ovos," Derrick alertou. "Um passo em falso e estamos expostos."
"Teremos cuidado," Sarah garantiu a ele. "No entanto, não podemos descartar essa opção. Essa é a única esperança que temos no momento."
Eles trabalharam em sua estratégia por várias horas, uma aposta de alto risco que dependia do compromisso desvanecido do Rico. Eles estavam cientes das enormes apostas e dos efeitos potencialmente desastrosos de um erro. No entanto, eles estavam preparados para aceitar o perigo porque a segurança de seus filhos estava em jogo.
A luta só tinha começado, Sarah e Derrick perceberam quando o último dos raios do sol caiu abaixo do horizonte, lançando sombras escuras pela cabana.
Eles estavam agora contra uma dinastia forte, em vez de simplesmente um ex-amante rancoroso. No entanto, eles também foram impulsionados por um amor que ofuscava todo o medo e lhes proporcionava a força de vontade para resistir, revelar a verdade e retomar suas próprias vidas.
A Sarah acordou com o som do telefone tocando persistentemente. Com a pulsação ferozmente forte, ela procurou por ele na luz fraca da cabana. Uma ideia assustadora dadas as circunstâncias atuais, era um número desconhecido.
"Alô?" Sarah respondeu cautelosamente, com a voz rouca de sono.
"Sarah? É a Didi," uma voz familiar cantou pelo receptor. O alívio inundou a Sarah em uma onda. Sua melhor amiga, Didi, um farol de normalidade em meio ao caos do mundo delas.
"Didi? Meu Deus, é você mesmo?" A emoção explodiu na voz da Sarah. Uma vida inteira na panela de pressão de suas circunstâncias, fazia semanas que elas não se falavam.
"Oi, sou eu!" Enquanto a voz da Sarah estava tensa o tempo todo, a voz da Didi estava explodindo de entusiasmo. "Um problema com um parente distante tinha ocorrido. Percebo que faz um tempo. Viagem de última hora e tudo mais. De qualquer forma, eu só estava ligando, vendo como você está."
A Sarah hesitou, o peso da situação delas ameaçando esmagá-la. Ela poderia colocar essa carga enorme nas mãos de sua melhor amiga despreocupada e animada, a Didi? As palavras ficaram presas em sua garganta, uma mistura confusa de desespero e terror.
A Didi abaixou a voz, detectando sua relutância. "Ei Sarah, qual é? Tá tudo bem por enquanto?"
A parede rachou. A visão da Sarah ficou turva quando lágrimas encheram seus olhos. Em um sussurro sufocado, ela começou a contar tudo para Didi - as ameaças do Bobby, as crianças, o medo constante. Ela despejou a história de sua fuga, a cabana apertada, a incerteza implacável que a corroía.
A Didi ouviu pacientemente, seu comportamento brincalhão habitual. A Sarah foi confortada pelas palavras que vieram pelo telefone, que pareciam um bálsamo para seus sentimentos crus. Uma semente de esperança há muito adormecida começou a florescer no coraão da Sarah enquanto ela falava.