Capítulo 29
Ele ouviu silêncio do outro lado da linha por um tempo antes do Sr. Black rir. “Bom”, ele murmurou com uma voz áspera, mas um pouco afetuosa. “Prefiro ouvir isso… Mas lembre-se, filho, manter eles seguros vem primeiro. Sempre.”
O coração de Derrick bateu forte com uma mistura de determinação e preocupação. Ele entendeu o peso das palavras do Sr. Black. Proteger Sarah e os garotos seria a prioridade deles, mesmo que isso significasse mascarar a profundidade de seus sentimentos por Sarah.
“Eu sei, senhor”, respondeu Derrick, sua voz cheia de respeito.
“Agora”, continuou o Sr. Black, “vamos descobrir uma maneira de você vê-los com mais frequência. Discretamente, é claro.”
O alívio inundou Derrick. Ele não estava sozinho nisso. Eles encontrariam uma maneira. Sarah se intrometeu, sua voz um pouco sem fôlego. “O vovô está certo, Derrick. Podemos marcar um horário, talvez algumas visitas pré-arranjadas…”
De repente, o Sr. Black soltou um suspiro. “Falando em visitas, acabei de lembrar que tenho uma… reunião agendada do outro lado da cidade. Assunto urgente, você vê.”
Derrick e Sarah trocaram um olhar cúmplice. Era óbvio que o Sr. Black estava criando uma oportunidade para eles. Um silêncioso “obrigado” ressoou no coração de Derrick.
“Tudo bem, vovô”, disse Sarah, com um sorriso brincalhão na voz. “Nós entendemos. Tenha uma reunião produtiva.”
“Eu terei”, o Sr. Black riu antes de desligar.
O silêncio se instalou mais uma vez, diferente desta vez, carregado de tensão não dita e uma faísca de algo mais.
“Então”, começou Derrick, com a voz baixa. “Sobre o que estávamos falando…”
Sarah tossiu suavemente, um toque de timidez tingindo suas bochechas. “É, sobre isso…”
A discussão deles começou lentamente, mas acabou se tornando mais fluida enquanto falavam sobre planejamento e tempo. No entanto, escondido sob a superfície, um fluxo de sentimentos reprimidos girava.
Ambos sabiam que havia sentimentos não ditos pairando entre eles, uma conexão reacendida por sua experiência compartilhada.
Derrick respirou fundo. Ele percebeu que não podia mais adiar. “Sarah”, ele disse em tom nervoso, mas determinado.
Sarah encontrou seu olhar, uma faísca de curiosidade dançando em seus olhos. “O que foi, Derrick?”
Ele hesitou, então soltou: “Há uma razão pela qual eu queria tanto ver os garotos. Não é só porque eles são meus filhos, mas também por outras razões.”
Sarah parou de respirar, sentindo seu coração bater rapidamente no peito. Ela estava ciente de onde isso estava indo, e uma parte dela desejava isso, enquanto também temia.
Derrick parou, tentando encontrar as palavras apropriadas. “É porque eu ainda estou…”
Ele parou de falar de repente, sem completar a frase. No entanto, seu olhar para ela, junto com a emoção intensa em seus olhos, transmitiu uma mensagem significativa. Sarah sentiu uma combinação de alegria e medo quando seu coração se elevou.
Naquele momento, os sons suaves do arrulho alegre dos gêmeos puderam ser ouvidos vindo do andar de cima, servindo como um lembrete gentil de sua presença.
Sarah estendeu a mão, sua mão pairando sobre a dele. “Não podemos falar sobre isso agora, Derrick”, ela sussurrou, sua voz cheia de frustração e um toque de tristeza. “Não com tudo o que está acontecendo.”
Derrick entendeu. O foco deles não podia vacilar. Proteger a si mesmos e seus filhos tinha que vir em primeiro lugar. Mas a semente foi plantada. Seus sentimentos por Sarah estavam abertos, e o conhecimento acendeu uma chama de determinação dentro dele.
Ele encurtou a distância entre eles, sua mão gentilmente cobrindo a dela. “Você está certa, Sarah”, ele disse, sua voz baixa e intensa. “Não podemos falar sobre isso agora. Mas quando tudo isso acabar, quando Bobby for resolvido, eu vou te levar para sair. Em um encontro de verdade.”
Sarah sorriu hesitante, uma combinação de esperança e cautela brilhando em seus olhos. “Nós vamos descobrir”, ela respondeu, apertando suavemente a mão dele.
Enquanto ele ia para casa naquela noite, Derrick não conseguia tirar a imagem de Sarah da cabeça. Cada momento que ele passava com ela e cada olhar que eles trocavam apenas faziam seus sentimentos por ela crescerem mais fortes.
Ele continuou repetindo o diálogo deles na cabeça, cada palavra firmemente gravada em sua mente.
Enquanto se acomodava em seu apartamento tranquilo, ele podia sentir fortemente a ausência de Sarah. Ele ansiava por ouvir sua voz e testemunhar seu sorriso novamente.
No entanto, ele estava ciente de que precisava mostrar paciência. Grandes conquistas exigiam paciência, e ele estava comprometido em ter sucesso, independentemente de quaisquer desafios que pudessem surgir.
Derrick caiu no balanço da varanda, ainda sentindo o calor do dia, mesmo depois que o sol se pôs. Cada vez que eles riam juntos, ou suas mãos se tocavam, isso ressoava em seus pensamentos.
Ele estava perdido, desesperadamente apaixonado por Sarah. Ele não podia esperar até que tudo fosse resolvido antes de sair em um encontro novamente com ela.
De repente, um brilho travesso brilhou em seus olhos.
Ele dirigiu até a casa do Sr. Black, correndo para dentro, a tela da porta batendo com um estrondo. O rosto de Sarah brilhou no olhar cúmplice de seu avô quando Derrick entrou na sala de estar.
“Sr. Black, preciso de sua ajuda”, Derrick soltou, mal se permitindo respirar entre as palavras. “Eu tenho que ver Sarah de novo, em breve. Tipo, amanhã em breve.”
O Sr. Black riu, um murmúrio baixo que dançava em suas rugas. “Parece sério, filho. O que você tem em mente?”
Derrick explicou a situação, suas bochechas esquentando com a ideia de um encontro secreto. “Mas tem que ser em algum lugar escondido, em algum lugar que ninguém nos veja.”
O Sr. Black, um pescador aposentado com um brilho nos olhos, sorriu. “Há uma enseada isolada a alguns quilômetros pela costa, perfeita para um piquenique sob o luar.”
'E os pequenos?' Derrick pensou. Ele se sentia como um adolescente novamente planejando encontros e surpresas.
'Aqueles pequenos estão ficando inquietos. Que tal eu levá-los para pescar amanhã à tarde, dar um tempo para vocês dois?' sugeriu o Sr. Black.
Uma onda de alívio inundou Derrick. “Perfeito! Você é um salva-vidas, Sr. Black. Agora, a parte difícil - convencer Sarah.”
No dia seguinte, tudo se desenrolou com uma lentidão agonizante.
Finalmente, quando o crepúsculo pintou o céu em tons de fogo, Derrick se viu parado nervosamente na porta de Sarah, rosas vermelhas e presentes na mão.
Ele bateu na porta e esperou pacientemente que Sarah saísse.
Depois de alguns segundos, a porta se abriu.
“Oi”, Sarah cumprimentou. “Tudo bem?” Ela perguntou, surpresa por ele ter voltado no dia seguinte.
“Sim, bem…” Ele respirou fundo. “Eu sei que isso é uma loucura, mas eu estava me perguntando… você gostaria de sair em um encontro comigo? Hoje à noite?”
Sarah piscou, surpresa com a repentinidade. “Um encontro? Derrick, nós apenas…”
“Eu sei, eu sei”, ele interrompeu, sua voz caindo para um pedido baixo. Por que eu deveria acreditar que isso é mais do que apenas uma distração depois de tudo o que aconteceu?
Derrick respirou fundo, fazendo contato visual com Sarah e pedindo silenciosamente sua compreensão.
“Sarah, não posso ignorar o vínculo que compartilhamos. Cada segundo compartilhado com você parece uma rajada de vento fresco em meio à desordem. Você traz de volta minha alegria de viver, me fazendo acreditar em infinitas possibilidades. Eu entendo que a situação atual é complexa, mas não estou disposto a atrasar. Desejo capturar este instante, fazer memórias com você que vamos sempre guardar. Eu imploro que você me deixe demonstrar a profundidade de meus sentimentos por você.
Sarah ficou dividida, ouvindo, dividida entre ceder a seus sentimentos e ser cautelosa. Tendo experimentado a dor anteriormente, a ideia de se expor mais uma vez a encheu de medo.
Ele estendeu a mão lentamente, movendo suavemente uma mecha solta de cabelo de sua bochecha. A sensação de seu toque fez um arrepio percorrer suas costas, o que estava em nítido contraste com a turbulência interna que ela estava sentindo.
“Eu entendo que as coisas são intrincadas”, continuou ele, seus olhos fixos nos dela. “Mesmo que por um breve momento, você não deseja se libertar de tudo isso? Ser apenas Sarah e Derrick, por uma noite?”
Sarah suspirou, seu olhar piscando para o chão. A verdade era que a ideia de escapar da tensão constante, de simplesmente aproveitar sua companhia sem o peso de sua situação, era incrivelmente tentadora. Mas o risco, o potencial de maiores complicações, a corroía.
“E os meninos, Derrick?” ela finalmente perguntou, sua voz mal um sussurro. “E se algo acontecer?”
“O Sr. Black vai levá-los para pescar amanhã à tarde”, explicou Derrick. “Ele se ofereceu para nos dar um tempo. Serão algumas horas, só nós dois, em uma enseada isolada pela costa. Uma chance de conversar, de nos reconectarmos, sem mais ninguém por perto.”
Ele ofereceu as rosas vermelhas, suas pétalas macias se destacando contra a luz fraca. “Considere isso uma oportunidade para determinar se ainda existe uma conexão entre nós, Sarah. Uma chance para nós resolvermos as coisas, longe do caos.”
Sarah hesitou, as rosas sendo um ponto de interrogação silencioso em sua mão. A ideia de um encontro secreto, um breve momento roubado de normalidade, era certamente atraente. No entanto, ainda havia uma parte dela que estava hesitante, tendo cuidado para não deixar suas emoções tomarem o controle e potencialmente resultar em desgosto.
Depois de respirar fundo, ela finalmente fixou os olhos nele, uma pitada de desafio brilhando em seu olhar. “Tudo bem, Derrick”, ela concedeu. “Você me convenceu. Mas este é apenas um encontro. Sem promessas, sem expectativas. Apenas uma chance de ver onde estamos.”
O rosto de Derrick se iluminou com um sorriso, sentindo-se aliviado. “Essa é a única coisa que estou pedindo”, ele respondeu, recuperando as rosas e colocando-as delicadamente atrás da orelha dela.