Capítulo 47
Ricco e Esmaga trocaram um olhar preocupado. Sr. Black era um cara conhecido, com um monte de contatos. Parecia uma tentativa desesperada de ir pra cima dele, um risco que podia dar tudo errado.
"Tem certeza, chefe? Sr. Black não é alguém com quem você queira se meter", Ricco arriscou, com cuidado.
Bobby soltou uma risada sem graça. "Embora tempos desesperados exijam medidas desesperadas, eu posso não querer me meter com ele.
Além disso, não seria interessante ver a reação do velho ao saber que a neta dele entrou na vida dele com um bandido foragido no reboque?"
Um sorriso cruel brincou nos lábios de Bobby. Não era só sobre ter uma vantagem, agora; era sobre mandar um recado. Um bilhete para Sarah, Sr. Black e qualquer outra pessoa que ousasse se opor a ele.
Tijolo por tijolo doloroso, ele destruiria o mundo deles até que rastejassem de volta para ele e implorassem por perdão.
A limpa e intimidadora sedan preta parou nos portões de ferro enormes da propriedade do Sr. Black. Ricco e Esmaga trocaram olhares nervosos no banco da frente. Eles nunca tinham se envolvido diretamente em algo tão audacioso, e o peso da raiva fervilhante de Bobby pairava pesado no ar.
Ricco pigarreou. "Chefe, tem certeza disso?"
Bobby, com o rosto em uma máscara de granito, não se virou da janela. "Faz", ele comandou secamente.
Apertando um botão no interfone, Ricco anunciou sua chegada com uma voz tensa. Houve um silêncio longo e desconfortável depois disso, quebrado apenas pelo zumbido constante do motor do carro. Por fim, uma voz rouca soou do alto-falante.
"Quem é?"
"Sr. Black", começou Ricco, "Este é o Ricco da-"
O interfone desligou, interrompendo-o. Ricco trocou um olhar preocupado com Esmaga. Isso não era encorajador.
Pouco tempo depois, o portão se abriu para expor um caminho estreito cercado por sebes altas. Bobby engatou a marcha, e eles correram para o túnel, a vegetação densa engolindo-os em um túnel preto.
O carro entrou em um vasto pátio com uma longa sombra produzida pela magnífica fachada da mansão georgiana do Sr. Black ao luar. Na entrada estavam dois guardas robustos, com os rostos impenetráveis nas sombras.
Bobby saiu do veículo, sua estrutura enorme exalando uma sensação de presença ameaçadora. Ricco e Esmaga o seguiram, seus movimentos rígidos e cautelosos.
"Anuncie nossa chegada", Bobby rosnou para Ricco.
Ricco se aproximou de um dos guardas, sua voz mal um sussurro. "Sr. Henderson, Sr. Duke, estamos aqui para ver o Sr. Black em assuntos urgentes."
Com um olhar duvidoso, o homem encarregado, um homem barbudo robusto, os examinou de perto. "Assuntos urgentes a esta hora? O Sr. Black não gosta de convidados não convidados."
"Diga a ele que diz respeito à Sarah e à Olivia", Bobby interveio, sua voz cheia de uma ponta perigosa.
A expressão do guarda piscou por um momento, um piscar de reconhecimento. Ele hesitou, dividido entre o dever e a urgência na voz de Bobby.
"Esperem aqui", ele finalmente disse, virando-se e desaparecendo na mansão.
O ar crepitava com tensão enquanto esperavam. Ricco e Esmaga se mexiam, seus olhares se desviando nervosamente pelo pátio. Bobby ficou em pé, uma estátua de fúria fria, seus olhos fixos na grande entrada.
A eternidade se estendeu em minutos. O som de grilos cantando e folhas farfalhando no ar fresco da noite era tudo que perturbava o silêncio. A enorme porta de carvalho rangeu ao abrir, assim que a dúvida começou a surgir.
Uma figura sombria, alta e imponente, ficou na porta. Ele exalava uma aura dominante e poderosa, apesar da escuridão.
A figura rosnou: "Sr. Duke", sua voz rouca e profunda. "O que o traz aqui a esta hora imprópria?"
"Sr. Black", Bobby deu um passo à frente, sua voz desprovida de calor. "Precisamos conversar."
Uma risada lenta, rica e estrondosa, encheu o pátio. Com sua aparência completa ao luar, Sr. Black exibiu um rosto enrugado e um conjunto de olhos azuis brilhantes que negavam seu nível surpreendente de humor.
"Sr. Duke", ele disse em tom de zombaria, "a que boa surpresa devemos esta visita? É uma visita social, talvez? Um jogo de charadas à meia-noite?"
Bobby se irritou com a informalidade. "Sr. Black", ele começou, sua voz tensa com raiva contida, "Este é um assunto sério–"
Sr. Black levantou a mão, efetivamente silenciando-o. "Assuntos sérios? A esta hora? Meu caro Duke, o único assunto sério em que consigo pensar é encontrar uma xícara de chá decente a esta hora imprópria. Talvez vocês, senhores, gostariam de se juntar a mim? Podemos discutir as dificuldades do mundo sobre uma caneca fumegante e um prato de biscoitos velhos."
Ricco lançou a Bobby um olhar suplicante. Não estava indo como o chefe deles havia imaginado.
Sr. Black riu, um som que ecoou pelo pátio como um trovão distante. "Bobby Duke", ele arrastou a voz, sua voz gotejando de diversão. "Que agradável surpresa. Aqui estava eu, me acomodando para uma boa noite de sono, e quem deveria aparecer senão o filho pródigo… bem, não tão pródigo."
Bobby se irritou com a alfinetada velada, mas a presença imponente do Sr. Black o manteve enraizado no lugar. "Esta não é uma visita social", Bobby rosnou. "É sobre Sarah e Olivia."
Sr. Black ergueu uma sobrancelha, seu rosto enrugado marcado com falsa seriedade. "Ah sim, Sarah e Olivia. Garotas adoráveis. Me lembra um conto de fadas, na verdade, de um lobo que tentou rosnar em uma casa ocupada por filhotes de porco. Não acabou bem para o lobo, se me lembro bem."
Ricco e Esmaga sufocaram as risadas na parte de trás. Mesmo Bobby não conseguiu deixar de abrir um ligeiro sorriso, a tensão momentaneamente quebrada pelo humor inesperado do Sr. Black.
Outra gargalhada calorosa irrompeu do Sr. Black, ecoando pelo pátio. "Ah, Sarah! Agora, essa seria uma conversa animada? Diga-me, Duke, ela finalmente decidiu praticar falcoaria? Ou talvez ela tenha descoberto um talento escondido para sapateado?"
Os lábios de Ricco se contraíram com um sorriso reprimido. As provocações de Sr. Black estavam fazendo maravilhas para dissipar a tensão.
O rosto de Bobby corou de carmesim. "Isso não é uma piada, Sr. Black! Sabemos que você está abrigando ela e Olivia."
Sr. Black fingiu engasgar dramaticamente, agarrando uma mão no peito. "Abrigá-las? Meu caro Duke, você me ofende! Eu, um homem de caráter impecável, abrigaria fugitivos? A própria ideia! Agora, sobre este chá…"
Esmaga, incapaz de se conter por mais tempo, soltou um fungo de risada. Ele rapidamente colocou uma mão sobre a boca, mas o estrago estava feito. Mesmo Bobby, em sua raiva fervilhante, abriu um sorriso passageiro e exasperado.
Sr. Black, com os olhos brilhando de diversão, se dirigiu a Esmaga. "Ah, um homem de humor perspicaz! Finalmente, alguém que aprecia os pontos mais sutis da conversa!"
Bobby, recuperando a compostura, franziu a testa. "Olha, Sr. Black, pare de fingir. Sabemos que elas estão aqui. Só queremos conversar com Sarah."
"Olha, Sr. Black", Bobby continuou, recuperando a compostura, "Temos motivos para acreditar que alguém em suas instalações as ajudou a escapar."
O sorriso de Sr. Black se alargou, revelando um conjunto de dentes surpreendentemente afiados. "Escapar, você diz? Agora, essa é uma palavra engraçada. Parece mais que elas encontraram uma maneira de se libertar de uma situação desagradável."
Bobby cerrou a mandíbula. Sr. Black estava claramente brincando com ele, aproveitando seu desconforto. "Eu não aprecio os jogos, Sr. Black. Estamos falando sério aqui."
Sr. Black deu uma gargalhada alta que ecoou pelo pátio quando jogou a cabeça para trás. "Bem, Bobby, estou levando isso muito a sério. Levo isso tão a sério que estou lhe dando uma oportunidade única na vida de se salvar de mais humilhação."
Bobby estreitou os olhos. "Constrangimento?"
Sr. Black respondeu: "De fato", sua voz diminuindo para um sussurro de conspiração. "Imagine as manchetes: 'Empresário local faz visita noturna sem aviso prévio, é repreendido por velho rabugento de roupão.'"
Ricco e Esmaga começaram a rir, incapazes de se conter por mais tempo. Bobby olhou para eles, com o rosto se transformando em uma tonalidade de carmesim que rivalizava com as lanternas traseiras do seu carro.
Sr. Black riu novamente. "Viu? Se escreve sozinho! Peço desculpas, mas tenho que tomar um drinque da noite, e meu roupão está implorando por companhia. Talvez em outra hora, Bobby. E tente trabalhar seu tempo. Visitas depois da meia-noite cheiram a desespero, você não concorda?"
O sorriso de Sr. Black desapareceu, substituído por um brilho de aço em seus olhos. "E eu", disse ele, sua voz baixa e perigosa, "quero que vocês três, senhores, saiam da minha propriedade, de preferência antes que a lua se ponha."
Ele gesticulou em direção ao portão aberto com um floreio. "A porta está bem ali. Use-a."
A bravata de Bobby vacilou. Sr. Black exalava uma aura de autoridade silenciosa que era difícil de ignorar. Ele não tinha medo de um confronto, isso estava claro.
Com uma piscadela brincalhona, Sr. Black bateu a porta, deixando Bobby fumegando na porta. Ricco e Esmaga, enxugando as lágrimas dos olhos, correram para o carro.
"Nos tire daqui", Bobby rosnou, sua voz cheia de derrota.
Enquanto eles aceleravam, o som da risada do Sr. Black ainda pairava no ar, uma lembrança constante de sua tentativa fracassada de intimidação.
Bobby, humilhado e frustrado, prometeu silenciosamente se vingar. Mas uma coisa era clara – subestimar Sr. Black, especialmente quando ele estava equipado com um bom roupão e um bom humor, era um erro que ele não cometeria duas vezes.