Capítulo 43
Um momento de estática no ar, e então uma voz rouca respondeu. "Didi? O que tá pegando?"
"Tiger, é a Sarah e o Derrick também," a Sarah disse, com a voz firme apesar do tremor que a percorria. "A gente tem um plano pra entrar na casa segura."
Nos dez minutos seguintes, eles detalharam a estratégia com cuidado, cada detalhe explicado com uma mistura de esperança e receio. O Tiger ouviu com atenção, de vez em quando interrompendo com perguntas pra esclarecer.
"Queda de energia e entrada por um ponto cego," o Tiger ponderou, com a voz pensativa. "É arriscado, mas tem potencial. Curti. Plano esperto."
O alívio invadiu eles, mas logo foi seguido por um choque de medo pelo que o Tiger falou em seguida.
"Mas tem um problema," o Tiger disse, com um tom meio azedo.
A cabana ficou cheia de um silêncio denso e desconfortável.
"Qual é?" o Derrick exigiu, com a voz tensa.
"O Bobby tá… imprevisível ultimamente," o Tiger disse, com a voz baixa. "Ele previu que vocês iam tentar alguma coisa, então ele que fez a primeira jogada, e foi suja, Sarah. Principalmente pra sua família."
O peito da Sarah subiu com o coração. Uma sensação de medo gelado se espalhou pelas suas costas. Com o rosto sangrando muito, ela murmurou: "Como assim?"
A revelação do Tiger, "Ele pegou sua irmã, a Olivia," veio como um soco no estômago. "Ela tá na casa segura com ele. Uma… barreira, eu acho. Ele acha que a força emocional vai ser forte demais pra vocês resistirem. Eu tentei impedir, mas o Bobby é o Bobby."
A revelação pairou pesada no ar, o peso ameaçando esmagá-los. A Sarah sentiu o quarto inclinar, a visão borrando com lágrimas. A Olivia. Sua irmã querida e inocente, usada como peão no jogo do Bobby. A raiva, quente e crua, surgiu dentro dela, lutando com o medo paralisante.
"Ele não pode fazer isso!" o Derrick rugiu, com a voz cheia de fúria e desespero. "A Olivia não tem nada a ver com isso!"
"Ele pode, e fez," o Tiger disse, com a voz pesada de remorso. "Ele conhece vocês, Sarah. Ele sabe das suas fraquezas. Ele tá apostando que você vai correr pra lá, que vai se entregar pra proteger sua irmã."
Lágrimas escorriam pelo rosto da Sarah, uma guerra silenciosa fervendo dentro dela. De repente, o plano cuidadoso que eles tinham trabalhado tanto pra criar parecia tão pequeno em comparação com a existência da irmã dela também. A Olivia não podia aceitar a ideia de ficar, com medo e sozinha, à mercê do Bobby.
A Didi estendeu o braço pra colocar a mão no ombro da Sarah, como se quisesse tranquilizar. A voz dela era forte, mas suave quando ela falou: "Sarah, a gente não pode deixar ele vencer." "A gente tem que revidar. Pela Olivia, pelo James e pelo Leo, por nós mesmas."
A Sarah respirou fundo, tremendo, forçando-se a se concentrar. A Olivia precisava dela, não de uma chorona. Por ambas, ela precisava ser forte.
A Sarah enxugou as lágrimas dos olhos e engoliu o nó na garganta. Apesar de dura, a voz dela era determinada. Ela disse: "A gente entra, tira a Olivia, e depois derruba o Bobby."
O Derrick, depois de um momento de silêncio atordoado, concordou com a cabeça. "A Olivia não pode ser usada por ele como moeda de troca. Depois que a gente tirar ela de lá e neutralizar ele, a gente resolve."
A Didi apertou a mão da Sarah, os olhos brilhando de admiração. "Essa é a Sarah que eu conheço. Mas a gente precisa adaptar o plano. A gente não pode só focar em entrar. A gente precisa tirar a Olivia primeiro, e depois se preocupar em prender o Bobby."
O Tiger, do outro lado da linha, soltou um assobio baixo. "Arriscado. Muito arriscado. Mas pode ser a única opção. Prestem atenção. A planta da casa segura mudou um pouco desde a minha última atualização. A Olivia tá sendo mantida em um quarto separado no primeiro andar, longe dos aposentos do Bobby. Tem um segurança sozinho na porta do quarto dela."
"Um segurança sozinho?" a Sarah repetiu, uma faísca de esperança acendendo no peito.
"Sim," o Tiger confirmou. "Mas lembrem-se, tudo isso é baseado em informações que eu consegui coletar há alguns dias. As coisas podem ter mudado."
"A gente tem que arriscar," a Sarah disse, com a voz ganhando força a cada instante. "Como a gente tira a Olivia sem alertar os outros seguranças?"
O Tiger pensou por um tempo. "Perto da cozinha, no lado leste do prédio, tem uma entrada de serviço pequena. As câmeras de segurança ali estão quebradas e quase não é usada. Se o Miguel conseguir desativar as principais por mais alguns minutos, vocês podem ter uma janela pra entrar e sair sem serem vistos."
"Isso pode dar certo," o Derrick refletiu, traçando a planta da casa segura no mapa gasto com o dedo calejado. "A gente causa a queda de energia, entra pela entrada de serviço, pega a Olivia e sai antes que o gerador de emergência ligue."
"Parece fácil," a Didi disse sarcasticamente, soltando uma risada seca. "Exceto pela parte em que a gente vai ter que desviar dos seguranças armados e, potencialmente, enfrentar um Bobby pirado."
O peso da situação deles se instalou de novo, um lembrete sóbrio da tarefa perigosa que eles estavam enfrentando. Mas a ideia da Olivia, sozinha e assustada, alimentou a determinação deles.
"A gente precisa de um jeito de nocautear aquele segurança do lado de fora do quarto da Olivia," a Sarah disse, com a voz cheia de uma firmeza de aço. "Sem fazer barulho, sem disparar o alarme."
Um silêncio tenso desceu sobre a cabana mais uma vez. O Derrick e a Didi trocaram olhares preocupados. Nocaute não letais era uma coisa, mas era muito perigoso nocautear um guarda armado discretamente.
Um brilho de intenção maliciosa surgiu nos olhos da Didi. "Lembra daqueles dardos tranquilizantes que eu falei que 'peguei emprestado' da minha ex-colega de quarto, que queria ser veterinária?"
Os olhos da Sarah e do Derrick se arregalaram de surpresa. "Você quer dizer aqueles…" a Sarah começou, com a voz falhando enquanto imaginava os dardos cheios de um sedativo potente.
"Exatamente," a Didi sorriu. "O suficiente pra derrubar um rinoceronte, quanto mais um segurança."
A cabana ficou cheia de uma onda de excitação nervosa. Apesar de pouco convencional e talvez arriscado, havia um fascínio estranho nisso quando não havia opções melhores.
Com um brilho determinado nos olhos, a Sarah disse: "Ok. Aqui está o plano revisado. A gente causa a queda de energia. O Derrick e eu vamos pra entrada de serviço. Didi, você fica do lado de fora de olho em qualquer problema. Depois que a gente entrar, o Derrick cuida do guarda com um dos dardos 'emprestados' da Didi. Depois, a gente pega a Olivia e volta pela entrada de serviço."
"E o Bobby?" o Derrick perguntou, com a testa franzida de preocupação.
"A gente resolve com ele depois," a Sarah respondeu, com a voz endurecendo. "Nossa prioridade agora é tirar a Olivia de lá em segurança."
O Tiger, ouvindo atentamente do outro lado da linha, pigarreou. "Tem mais uma coisa. O Bobby tem uma… personalidade explosiva. Se as coisas não derem certo, se ele se sentir encurralado, existe a chance dele machucar a Olivia. Estejam preparados pra tudo."
O estômago da Sarah revirou com uma nova onda de pavor. A possibilidade de enfrentar um Bobby desesperado e violento era aterrorizante, mas ela não ia deixar o medo paralisá-la.
Ela tinha que acreditar que eles podiam tirar a Olivia, que eles podiam superar quaisquer desafios que os aguardassem.
"A gente entendeu," o Derrick disse sombriamente. "A gente vai ter cuidado, mas não vamos recuar."
As horas seguintes foram uma correria frenética. O Miguel, do outro lado de uma ligação telefônica instável…confirmou que ele podia desativar as câmeras de segurança por dez minutos, a partir da meia-noite.
Cada segundo a mais seria uma aposta, já que o gerador de emergência ligaria depois de quinze minutos.
Com urgência renovada, eles se prepararam para a missão ousada. A Sarah pegou uma mochila velha e colocou dentro o que precisavam, incluindo lanchinhos de granola, garrafas de água, um kit de primeiros socorros e, o mais importante, o frasco com os dardos tranquilizantes que a Didi tinha conseguido.
O líquido transparente cintilava de forma ameaçadora na penumbra, um lembrete claro da estratégia pouco convencional deles.
O Derrick, sempre pragmático, revisou sua arma – um pé-de-cabra resistente que ele tinha encontrado escondido no galpão empoeirado da cabana. Não era o ideal, mas teria que servir em uma situação de luta corpo a corpo.
A Didi, enquanto isso, preparou um par de rádios comunicadores roubados de uma caixa esquecida de brinquedos da infância. Eles estalaram pra vida com um chiado satisfatório, uma tábua de salvação frágil no caos que estava por vir.
Um silêncio nervoso tomou conta da cabana quando o relógio se aproximou da meia-noite. O ar estava pesado de medo e suspense, e eles sentiram o peso das circunstâncias deles pressionando-os.
A Sarah olhou para as crianças, que dormiam profundamente no canto, completamente alheias à tempestade iminente lá fora.
Uma proteção feroz surgiu dentro dela, alimentando sua determinação. Ela não só ia trazer a Olivia de volta; ela ia garantir um futuro para toda a família dela.
Finalmente, com a hora das bruxas a meros dez minutos de distância, o Miguel ligou. A voz dele, tensa de nervos, confirmou que as câmeras estavam desligadas. Uma onda de adrenalina correu pela Sarah. Era agora.
A voz dela estava notavelmente firme quando ela disse: "Ok, vamos nessa."
Impulsionados pelo desespero, eles se moveram com uma habilidade praticada. A Sarah e o Derrick vestiram roupas escuras, seus rostos escondidos por máscaras improvisadas feitas de lenços velhos.
A Didi, agindo como vigia, se posicionou perto de uma janela com uma visão clara da estrada que se aproximava.
A Sarah e o Derrick saíram sorrateiramente para o ar fresco da noite depois de darem uma última olhada nas crianças dormindo. A lua deu à floresta próxima um brilho assustador, pois estava obscurecida por uma fina camada de nuvens.
Os únicos sons que quebraram o silêncio foram o farfalhar das folhas sob seus pés e seus corações disparados.