Capítulo 19
Teve uma batida forte na porta, quebrando o silêncio da manhã. Com uma careta saindo da boca, Sarah se levantou do sofá, seu estômago se rebelando com a ação. Quando chegou na porta, ela olhou pelo olho mágico e viu o sorriso familiar no rosto da Didi.
"Didi!" Com uma enxurrada de alívio inundando-a, Sarah exclamou. O peso de estar grávida de gêmeos estava começando a aparecer, e hoje em dia até as tarefas mais rotineiras pareciam uma escalada no Everest.
Com uma sacola de tecido vibrante pendurada no ombro, Didi entrou no quarto. "Bom dia, mamãe dorminhoca! Adivinha quem está aqui para ajudar?" ela cantou, seus olhos brilhando com travessura.
Sarah riu, encostada na moldura da porta. "Ajudar com o quê? Outra rodada de desejos insaciáveis da manhã?"
Didi sorriu. "Na verdade, algo mais produtivo", ela anunciou, segurando a sacola. "Operação Tomada de Gêmeos começa agora! Vamos conquistar o shopping em busca de suprimentos para bebês."
Os olhos de Sarah se arregalaram. "O shopping? Você tem certeza? Eu não quero te atrapalhar..."
Didi zombou. "Bobagem! Considere uma excursão para uma futura tia muito importante. Além disso, você precisa de uma folga dessas quatro paredes."
Sarah concordou com um sorriso. A ideia de ar fresco e uma distração do instinto de nidificação que havia tomado conta de seu apartamento era tentadora.
A santuário pacífico que Sarah construiu em casa era muito diferente da mistura agitada de música alta e multidões que era o shopping. Didi manobrou pelas multidões com facilidade, guiando Sarah por lojas cheias de berços, equipamentos de bebê e brinquedos coloridos.
Sarah estava animada para estar cercada por macacões e bichinhos de pelúcia. Finalmente estava acontecendo: duas pequenas vidas estavam prestes a nascer. Ela pegou um par de meias minúsculas, mas incrivelmente fofas.
"Imagine dois pares desses pezinhos chutando por aí", Sarah refletiu, um sorriso florescendo em seu rosto.
Didi cutucou seu ombro brincando. "Prepare-se para o dobro da confusão, o dobro do amor e o dobro da fofura."
Enquanto empilhavam seus itens escolhidos em um carrinho de compras, o sorriso de Sarah vacilou ligeiramente. Uma pontada de solidão por sua família, uma família dilacerada pela distância e pelas circunstâncias, a atingiu.
Sentindo a mudança no humor de Sarah, Didi apertou sua mão. "Ei, o que foi?"
Sarah respirou fundo. "Eu estava apenas pensando... na minha irmã, Olivia. Nós éramos... muito próximas na época."
A menção de Olivia trouxe uma enxurrada de memórias - brincar de se vestir em seu quarto de infância, sussurrar segredos sob as cobertas, o apoio interminável que ofereceram uma à outra ao longo dos altos e baixos da vida.
"Como ela está?" Didi perguntou gentilmente.
"Eu não falo com ela há meses", Sarah admitiu, sua voz embargada pela emoção. "Tudo aconteceu tão rápido quando eu deixei o Bobby. Eu não queria colocá-la em risco, ou fazer com que o Bobby a usasse contra mim."
Didi colocou uma mão confortante no ombro de Sarah. "Isso faz sentido, Sarah. Mas você sente falta dela, não é?"
Sarah assentiu, lágrimas enchendo seus olhos. "Mais do que as palavras podem dizer. Nós sempre estivemos lá uma para a outra."
Didi lhe deu um abraço. "Talvez... quando tudo se acalmar, quando os bebês estiverem aqui, você possa tentar entrar em contato com ela. Explique tudo. Talvez ela entenda."
Sarah considerou isso, um brilho de esperança tremeluzindo dentro dela. Talvez um dia, quando sua nova vida parecesse estabelecida, ela pudesse entrar em contato com Olivia. A ideia de se reconectar com sua irmã trouxe um calor ao seu coração que estava faltando há muito tempo.
Eles terminaram suas compras, voltando para o apartamento de Sarah carregados de sacolas. A tarde foi passada transformando um pequeno quarto em um refúgio para os gêmeos. Sarah subiu em uma escada, um pincel agarrado na mão, enquanto Didi colava folhas de plástico sobre os móveis.
"Então", Didi começou, sua voz ecoando na sala, "me conte mais sobre essa Olivia."
Sarah começou a contar histórias enquanto trabalhava pintando uma faixa azul suave na parede. Histórias de suas primeiras aventuras, a devoção inabalável de Olivia e seu relacionamento duradouro à distância. Uma sensação de pertencimento, um anseio por uma parte perdida de sua vida, parecia inundar a sala enquanto ela falava, além da tinta.
Didi ouviu atentamente e ofereceu palavras de apoio e encorajamento. Quando terminaram de pintar, o espaço parecia arejado e amigável, preparado para a chegada dos gêmeos. Mais significativamente, porém, Sarah experimentou um alívio de peso no peito. Foi simples compartilhar suas lembranças de Olivia, dar um passo em direção à cura dos laços invisíveis que as uniam.
Enquanto Sarah olhava em volta para a sala transformada, uma onda de gratidão a inundou. Ela tinha Didi, uma amiga leal ao seu lado, e em breve, dois bebês preciosos a caminho. E talvez, um dia, ela pudesse até ter sua irmã de volta em sua vida. O futuro, antes incerto, agora brilhava com possibilidades.
As semanas que se seguiram foram um turbilhão de atividades. Didi se tornou a companheira constante de Sarah, ajudando-a a separar roupas de bebê, montar berços e até mesmo ensinando-lhe algumas canções de ninar básicas em preparação para as histórias antes de dormir. Sarah, com a barriga ficando mais redonda a cada dia que passava, encontrou imenso conforto no apoio inabalável de Didi.
As horas passaram embaçadas enquanto elas trabalhavam incansavelmente, alimentadas por sua excitação e determinação compartilhadas. Quando o sol começou a se pôr no horizonte, o berçário foi transformado. Paredes azuis claras envolviam o quarto, enquanto cobertores macios e bichos de pelúcia adicionavam um toque aconchegante ao berço e à cadeira de balanço.
Quando deram um passo para trás para admirar seu trabalho, uma sensação de satisfação as inundou. A sala era mais do que apenas um berçário; era um símbolo de esperança e novos começos. E quando Sarah olhou ao redor do espaço, ela não pôde deixar de sentir uma onda de gratidão pela amiga que havia estado ao seu lado durante tudo isso.
Virando-se para Didi, Sarah a envolveu em um abraço apertado, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas. "Obrigada", ela sussurrou, sua voz embargada pela emoção. "Por tudo."
Didi retribuiu o abraço com igual fervor, seus próprios olhos brilhando com lágrimas. "De nada, Sarah", ela respondeu, sua voz cheia de calor. "Eu sou muito grata por fazer parte desta jornada com você."
Certa noite, enquanto estavam sentadas no chão da sala cercadas por uma montanha de roupas de bebê recém-lavadas, Sarah pegou um álbum de fotos empoeirado guardado em uma estante. Com um suspiro, ela folheou as fotos desbotadas, um sorriso adornando seus lábios quando ela pousou em uma foto de duas meninas, seus braços enrolados uma na outra, sorrindo para a câmera.
"Essa é a Olivia e eu", disse Sarah, entregando a foto para Didi.
Os olhos de Didi se suavizaram quando ela estudou a foto. "Vocês duas parecem tão felizes", comentou ela.
"Nós éramos", confirmou Sarah, sua voz misturada com uma pitada de nostalgia. "Nós éramos inseparáveis. Contávamos tudo uma para a outra, prometemos que sempre estaríamos lá uma para a outra."
Didi apertou a mão de Sarah gentilmente. "Parece uma ligação linda."
Sarah assentiu, uma única lágrima traçando um caminho por sua bochecha. "Eu sinto tanta falta dela, Didi. Mais do que posso expressar."
Didi sabia que esse silêncio precisava ser quebrado. "Você já pensou em entrar em contato com ela?" ela perguntou, sua voz gentil, mas firme.
Sarah hesitou, um brilho de medo cruzando seus traços. "E se ela não entender? E se o Bobby..." ela se interrompeu, o peso de seu passado ameaçando engolfá-la.
Didi pegou um lenço, enxugando a lágrima que escapou do olho de Sarah. "Você não pode controlar a reação dela, Sarah, mas você deve a si mesma, e ao seu relacionamento, tentar. Explique sua situação, os abusos que você sofreu, por que você teve que ir embora. Olivia é sua irmã, sua família. Talvez, só talvez, ela entenda."
Sarah ponderou isso, um brilho de esperança se acendendo dentro dela. A ideia de se reconectar com Olivia, de reconstruir seu vínculo, era um motivador poderoso.
"Talvez você esteja certa", Sarah admitiu, sua voz tremendo ligeiramente. "Talvez valha a pena tentar."
Didi sorriu. "Com certeza! Vamos escrever uma carta para ela. Você pode contar sua história, explicar por que não está em contato e expressar seu desejo de se reconectar."
O coração de Sarah bateu forte com emoção e apreensão. A ideia de se reconectar com sua irmã depois de tantos meses separadas a encheu de uma sensação de saudade que ela não sentia há muito tempo.
Mas, enquanto se sentavam com papel e caneta, prontas para despejar o coração de Sarah na página, uma súbita onda de medo a invadiu. E se o Bobby de alguma forma interceptasse a carta? E se ele a rastreasse até seu novo apartamento, colocando ela e seus gêmeos ainda não nascidos em perigo?
"Nós não podemos arriscar", disse Sarah, sua voz mal acima de um sussurro quando ela largou a caneta, suas mãos tremendo ligeiramente.
Didi olhou para ela com preocupação, entendendo o peso das palavras de Sarah. "Você está certa", ela disse suavemente. "Precisamos encontrar outra maneira."
Sarah mordeu o lábio, sua mente correndo com possibilidades. Então, um pensamento ocorreu a ela. "Eu vou fazer uma visita a ela", declarou, sua voz cheia de determinação. "Depois que os bebês nascerem, quando eu souber que eles estarão seguros aqui comigo."
Didi assentiu em concordância, um sorriso de apoio brincando em seus lábios. "Isso parece um plano", ela disse. "E, enquanto isso, podemos nos concentrar em nos preparar para a chegada deles e manter você e os bebês seguros."
Sarah deu a Didi um abraço apertado, sentindo-se aliviada e grata por seu apoio constante. Mesmo que ela não soubesse o que estava por vir, ela sabia que com Didi ao seu lado, ela poderia superar quaisquer obstáculos.
O coração de Sarah se encheu de otimismo para o futuro quando elas voltaram a dobrar as roupas do bebê. Mesmo que ela e sua irmã estivessem separadas agora, ela acreditava que seu relacionamento era inabalável e que elas acabariam se reconectando.