Capítulo 38
Um suor frio arrepiou a pele de Rico. Ele roubou um olhar para as costas de Bobby, os ombros largos radiando uma aura ameaçadora. Pela primeira vez, a lealdade inabalável que ele tinha por seu chefe começou a vacilar.
Será que esse jogo doentio valia o preço que ele poderia ter que pagar? Havia uma linha que ele não cruzaria, um ponto onde até a lealdade cega se tornava amarga?
Rico engoliu com força, espalhando uma semente de dúvida no solo escuro de sua ansiedade. Ele estava ciente de que precisava fazer uma escolha, e essa escolha estava pressionando-o como uma névoa densa.
Bobby bateu na mesa de café empoeirada com o punho, fazendo com que as canecas lascadas tilintassem e seus capangas se encolhessem. "Vazio!" ele disse, sua voz ressoando pela sala deserta. "O lugar está deserto!"
"Nós procuramos em todos os lugares, chefe", disse Esmaga, seu principal executor, com a voz gotejando suor nervoso.
"Em todos os lugares?" Bobby cuspiu, seus olhos estreitos. "Olharam embaixo das tábuas do chão? Atrás das cortinas? Este lugar é um lixo, não pode haver muitos esconderijos!"
Esmaga e sua gangue se entreolharam ansiosamente. Como um furacão, eles haviam devastado o apartamento, vasculhando cada canto e fenda. O silêncio assustador os provocava, um reflexo da preparação cuidadosa de Sarah.
"Talvez eles tenham recebido uma dica", murmurou outro capanga, Rico, com a voz mal audível.
"Uma dica?" Bobby zombou. "Quem os avisaria? Aquele velho fantasma, Black?"
"Talvez a mulher", ofereceu Esmaga cautelosamente. "Aquela que entregou os e-mails."
A carranca de Bobby se aprofundou. "Emily? Ha! Ela provavelmente já está cantando como um canário para Ramirez. Inútil!"
Ele bateu com o punho novamente, fazendo as janelas tremerem. A frustração era uma pílula amarga de engolir. Ele estava tão confiante, tão certo de que encontraria Sarah aqui, um pato para sua vingança. Agora, ela se foi, desapareceu como um fio de fumaça.
"Encontrem-nos", Bobby rosnou, sua voz carregada de uma borda perigosa. "Eu quero todos eles. Sarah, as crianças, Black... qualquer um que esteja ajudando-os. Não deixem pedra sobre pedra."
Esmaga e seus homens engoliram em seco. Não era mais apenas sobre silenciar Sarah. Era sobre a dominação absoluta, sobre esmagar qualquer um que ousasse se opor a ele. O ar crepitava com uma sensação de violência iminente, uma tempestade se formando nos olhos escuros de Bobby.
"E aquele maldito espião", Bobby acrescentou, um novo pensamento aparentemente surgindo nele. "Descubram quem é. Alguém me avisou que Sarah estava viva. Alguém quer jogar dos dois lados. Eu vou ter a cabeça deles em uma bandeja de prata."
Os capangas balançaram a cabeça fervorosamente, a ameaça pairando pesada no ar. Eles sabiam que Bobby não hesitaria em cumprir sua promessa. Deixando o apartamento revirado para trás, eles saíram em fila, uma nuvem escura de propósito pairando sobre eles.
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Enquanto isso, a quilômetros de distância, Sarah e Derrick se amontoavam na cabana abandonada, o som do vento assobiando pelas árvores sendo seu único companheiro. O peso de sua situação os oprimia, o silêncio pontuado apenas pelos suspiros irregulares de sua ansiedade compartilhada.
"Você acha que eles encontraram alguma coisa?" Sarah sussurrou, sua voz tremendo levemente.
Derrick a puxou para perto, seus braços oferecendo uma pequena medida de conforto. "Nós não sabemos", ele admitiu, sua voz rouca. "Mas o Sr. Black disse que eles não esperariam que ficássemos parados. Espero que eles não consigam nada."
Sarah sentiu uma lágrima escapar de seu olho e correr uma trilha quente por sua bochecha. Seu coração doía o tempo todo pensando em seus filhos, que estavam seguros, mas longe.
Sarah e Derrick se amontoavam em torno de um telefone burner, suas expressões marcadas de pavor, enquanto a luz bruxuleante do gás lançava um tom irregular em seus rostos. O silêncio se estendeu até que parecesse ensurdecedor enquanto Sarah agarrava o dispositivo gasto em suas mãos trêmulas.
"Vamos lá", murmurou Derrick, sua voz rouca de medo não dito.
Um leve estalido finalmente quebrou o silêncio, seguido por um chiado alegre. O coração de Sarah saltou em sua garganta. Era Margaret, a mulher da casa segura, atendendo com sua calma habitual.
"Olá?" A voz de Margaret encheu a sala.
"Margaret, é Sarah", Sarah sussurrou, sua voz mal audível. "Está tudo bem?"
"Sarah! É bom ouvir você", respondeu Margaret, sua voz um bálsamo calmante. "Os meninos estão indo bem. Um pouco rabugentos esta manhã, sentindo falta de sua rotina de dormir, mas no geral saudáveis e seguros."
O alívio inundou Sarah em uma onda. Lágrimas brotaram em seus olhos, embaçando sua visão. "Como eles estão comendo?" ela perguntou, sua voz grossa de emoção.
"Como porquinhos", Margaret riu. "Leo descobriu uma nova fascinação em jogar sua colher pela sala, mas ambos estão recebendo uma boa quantidade de comida."
Um sorriso aquoso agraciou os lábios de Sarah. Mesmo em meio à sua situação desesperada, a imagem de seu filho travesso trouxe uma faísca de normalidade para seu mundo.
"Eles têm perguntado por nós?" Derrick perguntou, sua voz rouca, mas com uma pitada de esperança.
"Não em palavras, é claro", explicou Margaret, "mas eles ficam um pouco irritados na hora de dormir. Nós cantamos as músicas favoritas deles, e isso parece ajudar."
Sarah fechou os olhos, imaginando Ethan e Leo sob os cuidados de Margaret. A imagem era agridoce, um conforto e um fardo ao mesmo tempo.
"Posso... posso falar com eles?" ela perguntou hesitante.
"Claro", disse Margaret gentilmente. "Só um momento, deixe-me pegá-los."
O som de um suave balbucio encheu o telefone, seguido por uma gargalhada. Então, um guincho familiar e agudo perfurou o ar.
"Et! Et!" Sarah engasgou, lágrimas transbordando de seus olhos.
"Uma voz minúscula e inquisitiva rachou através do telefone, "Mamãe?" Embora a palavra não fosse muito clara, a necessidade da voz pequena era óbvia.
Sarah murmurou: "É a mamãe, querido", sua voz rompendo de tristeza. "Eu te amo muito. Eu realmente sinto sua falta."
O telefone soltou um choro que partiu o coração de Sarah e o encheu de um carinho intenso.
Derrick sussurrou: "Nós te amamos também, querida", sua voz pesada de lágrimas invisíveis. "Nós voltaremos para você em breve, eu prometo."
Mais alguns minutos se passaram, durante os quais os sons balbuciantes de seus filhos, soluços abafados e votos sussurrados foram ouvidos. Sarah finalmente desligou o telefone com um coração triste.
O silêncio que se seguiu pareceu sufocante. Sarah caiu contra Derrick, enterrando o rosto em seu ombro. O peso de sua situação os oprimia, o fardo de sua ausência uma presença tangível na cabana isolada.
"Eles estão bem", murmurou Derrick, acariciando suavemente seu cabelo. "Eles estão seguros."
Sarah respirou fundo e assentiu. Ela murmurou: "Eles estão", em uma voz que mal era um grunhido. "Mas por quanto tempo?"
A pergunta pairava no ar, servindo como um lembrete deprimente de quão vulnerável era sua situação. A segurança de seus filhos estava em perigo enquanto eles fugiam de um adversário poderoso.
Eles, no entanto, se apegavam a um vislumbre de esperança e à determinação de lutar por sua família e retomar suas vidas, apesar de seus medos e incertezas.
Sua voz estava sufocada de emoção quando ela perguntou: "Quanto tempo podemos ficar aqui?"
Derrick suspirou, o som pesado de preocupação. 'Até as coisas esfriarem', disse ele. "O Sr. Black nos manterá atualizados sobre o testemunho de Emily e a investigação de Ramirez. Então, talvez, possamos descobrir uma maneira de trazer os gêmeos de volta."
Sarah assentiu, enterrando o rosto em seu peito. Eles estavam diante de um desconhecido amplo e terrível, cheio de incertezas. No entanto, enquanto se amontoavam na cabana remota, eles se apegavam a um brilho de esperança e juravam erradicar o cara que ameaçava sua frágil existência e salvar sua família.
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Derrick ouviu o som agudo do telefone burner vibrando em seu bolso pela cabana calma. Ele se desculpou com Sarah, que estava perdida em um livro, uma tentativa desesperada de normalidade em meio à sua situação caótica. Saindo, ele atendeu a ligação com um cauteloso: "Alô?"
"Derrick, é o Sr. Black", veio a voz familiar através do alto-falante arranhado. "Eu tenho algumas notícias sobre Bobby."
O estômago de Derrick se contraiu. Notícias sobre Bobby raramente eram um bom sinal. Ele se encostou na parede áspera da cabana, preparando-se para o impacto. "O que é?"
"Ele está transferindo a propriedade do T&T Group", disse o Sr. Black, sua voz grave. O peso de suas palavras pairava pesado no ar.
A respiração de Derrick falhou. "Transferindo? Para quem?"
"Marshal Briggs", respondeu o Sr. Black. "O CEO da Somech Ltd."
O reconhecimento piscou na mente de Derrick. "Espere, não é... ?"
"O pai de Bobby", confirmou o Sr. Black.
Um medo frio penetrou nos ossos de Derrick. Isso não era apenas sobre vingança. Isso era um jogo de poder, uma jogada calculada que causou arrepios em sua espinha. Bobby, transferindo a propriedade, estava se distanciando, tornando-se intocável, pelo menos legalmente.
"Por quê?" Derrick forçou a pergunta, sua voz tensa.
"Pode haver várias razões", explicou o Sr. Black. "Talvez Bobby antecipe problemas legais e queira proteger seus bens. Talvez seja uma forma de consolidar o poder, de se tornar intocável enquanto ainda puxa as cordas nos bastidores. Uma coisa é certa, isso complica as coisas."
Derrick passou a mão pelo rosto, o peso da situação pressionando-o. Ele imaginou o rosto preocupado de Sarah, a incerteza nublando seus olhos. Como ela receberia essa notícia?
"Eu preciso contar para Sarah", disse Derrick finalmente, sua voz baixa.
"Claro", disse o Sr. Black. "Mas antes de fazer isso, há mais uma coisa."