Capítulo 57
O julgamento desenrolou-se como um drama horrível, com cada testemunha a desfazer a fachada meticulosamente montada que o Bobby cultivou ao longo dos anos.
Ele ficou horrorizado ao ouvir os capangas descreverem as suas interações com ele; as suas descrições davam a impressão de que ele era um homem indefeso que usaria a força.
As gravações tocaram no tribunal, a sua própria voz, um eco condenatório das suas ameaças e manipulações.
Depois veio o golpe mais duro. Tiger, com o rosto pálido e abatido, subiu ao banco das testemunhas. A mandíbula de Bobby contraiu-se enquanto ouvia o seu antes leal confidente detalhar as suas operações ilegais, os esquemas de chantagem e as ordens explícitas de Bobby para silenciar Sarah e Derrick.
"Sr. Duke", o promotor dirigiu-se ao Tiger, com a voz cortante, "O Sr. Duke alguma vez ameaçou machucar alguém?"
Tiger olhou para Bobby por um segundo, depois voltou a sua atenção para o promotor, encontrando o seu olhar com uma faísca de desafio. "Sim, senhor", respondeu, com a voz mal audível acima de um sussurro. "Ele ordenou que eu cuidasse da Sra. Thompson e do Sr. Duke."
A acusação continuou, detalhando a desesperação de Bobby e a sua crescente paranoia, e a atmosfera na sala acendeu-se.
Os interrogatórios do Sr. Thorne foram duros e incisivos quando a defesa finalmente teve a oportunidade de contra-interrogar, mas o dano já estava feito.
Os jurados deliberaram por muito, muito tempo. Quando finalmente voltaram, com expressões sombrias, a decisão foi tomada rapidamente e duramente: foram considerados culpados de conspiração, tentativa de homicídio e assassinato de Marshal Briggs.
A juíza, uma mulher severa com olhos azuis penetrantes, dirigiu-se a Bobby. "Sr. Duke", disse ela com uma voz sem emoção, "você foi considerado culpado de conspiração, tentativa de homicídio e do assassinato de seu pai, Marshal Briggs. Por esta punição, você cumprirá uma pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade."
Prisão perpétua. As palavras ecoaram na mente de Bobby, uma sentença muito mais severa do que ele havia antecipado. Ele havia imaginado anos em uma prisão de colarinho branco, cercado por outros homens de negócios que haviam tomado decisões erradas.
A vida em uma prisão real, com criminosos endurecidos e trabalho árduo, era uma perspectiva aterrorizante.
Enquanto os guardas o levavam, seu olhar caiu em Sarah e Derrick. As suas expressões eram uma mistura de alívio e tristeza enquanto estavam ali sentados.
Ele queria pedir desculpas, pedir perdão, mas não conseguiu encontrar as palavras certas. A vergonha, um manto pesado, sufocou qualquer tentativa de redenção.
O mundo de Bobby desmoronou à sua volta. Prisão perpétua. Trabalho. Uma sentença de morte em tudo, exceto no nome, as palavras ecoavam na sua mente.
Com uma faísca de algo como felicidade nos olhos, ele olhou para Sarah e Derrick e sentiu uma onda de tristeza passar sobre ele.
Ele olhou para Betty, que estava sentada na fila de trás e tinha um rosto chocado e pálido. O seu filho secreto de seis anos, Tommy, sentou-se ao lado dela, com os seus grandes olhos castanhos arregalados de confusão.
O coração de Bobby doía. Ele não podia deixar que este fosse o fim. Ele tinha que sair, por causa do Tommy, pelo seu próprio sentido distorcido de sobrevivência.
Nos limites da sua cela, um plano desesperado começou a formar-se na mente de Bobby. Ele conhecia um sujeito, um contrabandista com ligações, que podia conseguir-lhe um passaporte em um nome falso. Tudo o que ele precisava era dinheiro e uma saída.
Ele conseguiu fazer uma ligação escondida para Betty, com a voz rouca de urgência. "Betty, sou eu, Bobby", sussurrou, com o coração a bater contra as costelas.
"Bobby? Como… como você conseguiu isso?" Betty gaguejou, com a voz carregada de medo.
"Não importa", Bobby rosnou. "Escute, precisamos ir. Faça as malas, leve o Tommy. Encontre-me no aeroporto em dois dias. Vamos sair daqui."
Betty engasgou. "Sair daqui? Onde? E como?"
"Não faça perguntas", Bobby sibilou. "Apenas faça isso. Estamos a ficar sem tempo, mas há uma saída. Vou enviar-lhe a informação por e-mail. Basta aparecer."
Com uma fagulha de esperança a brilhar dentro dele, ele desligou o telefone. Ele pretendia fugir e começar uma nova vida, longe dos fantasmas do seu passado. A sua determinação foi fortalecida pela ideia de um futuro, por mais incerto que fosse.
Mas Bobby estava tão desesperado que não tinha visto que as paredes da sua prisão iam muito além das barras de aço e concreto. As consequências dos seus atos grudavam-se a ele como um sudário, lembrando-o constantemente de que nem todas as culpas são perdoadas.
Enquanto Bobby e Betty dirigiam pela autoestrada, com os dedos brancos a agarrar o volante, o ar crepitava com eletricidade tensa.
Tommy não percebeu a gravidade da situação, então subiu para a sua cadeira de segurança e cantarolou junto com uma música no rádio.
"Mamãe, para onde estamos indo?" Tommy cantou, com os seus grandes olhos castanhos a brilhar com curiosidade.
Betty forçou um sorriso. "Apenas uma pequena viagem surpresa, querido. Lembra-se de como sempre quis ver o oceano?"
O rosto de Tommy iluminou-se. "O oceano? De verdade?"
"De verdade", confirmou Betty, com a voz trémula. A mentira parecia pesada na sua língua, mas era a única maneira de manter Tommy calmo.
A chamada desesperada de Bobby tinha virado o seu mundo de cabeça para baixo. Ir embora? Parecia absurdo, como um plano desesperado concebido por um homem destruído.
Ainda assim, havia um vislumbre de esperança misturado com horror ao mencionar deixar as suas vidas para trás, bem como o pânico genuíno na sua voz.
Ele tinha prometido uma rota de fuga, uma nova personalidade e um novo começo. Agarrando-se às ruínas da sua vida em colapso, Betty estava desesperada para agarrar a boia lançada através de uma fossa de tristeza.
Depois de receber instruções confusas por meio de um monte de telefones descartáveis, Betty carregou uma mala de viagem, enfiou as necessidades de Tommy numa mochila e partiu. Eles estavam a dirigir-se para um destino desconhecido, um futuro envolto em incerteza.
Aproximando-se do aeroporto, uma sensação crescente de desconforto corroía Betty. Ela roubou um olhar para o espelho retrovisor, uma sensação de formigueiro a subir-lhe pela espinha.
Um sedã preto, discreto e, no entanto, estranhamente ameaçador, parecia estar a segui-los.
"Mamãe, porque estamos indo tão rápido?" Tommy disse, com a voz carregada de um toque de preocupação.
De repente, um brilho de luz azul cintilou no espelho retrovisor. A respiração de Bobby engasgou. Polícia.
"Não…" ele engasgou, com a voz carregada de pânico cru.
"O que foi?" Betty gritou, com a voz a rachar.
"Polícia", murmurou Bobby, com o pé a pisar o acelerador. O carro avançou, com o motor a rugir em protesto.
"Não faça isso, Bobby!" Betty gritou. "Pense no Tommy!"
Mas Bobby, consumido pelo medo primordial, não estava a ouvir. Ignorando as luzes intermitentes e as buzinas, ele abriu caminho pelo trânsito. A viagem parecia uma aposta desesperada em cada curva.
Aproximando-se deles, a viatura da polícia começou a tocar uma melodia ameaçadora. Com o rosto enterrado no cabelo de Tommy, Betty abraçou-o e sussurrou palavras reconfortantes que nem sequer pareciam reais para ela.
À frente, o aeroporto brilhava como uma luz distante de esperança. Mas o veículo preto atrás deles derrapou até parar quando Bobby entrou no estacionamento temporário. Com o rosto sombrio, duas figuras de ternos pretos saíram do automóvel.
De repente, Betty sentiu uma mão pousar firmemente no seu ombro. Uma voz áspera rosnou no seu ouvido antes que ela tivesse a chance de gritar. "Não se mexa, Sra. Betty."
Betty virou-se, com o sangue a transformar-se em gelo. Dois policiais estavam atrás dela, com os rostos sombrios, com os distintivos a brilhar sob o sol forte da tarde.
"Onde ele está?" um deles latiu, com o olhar afiado.
A mente de Betty ficou em branco. "Quem? Onde? Eu não…"
"Sr. Duke", o outro policial interrompeu, com a voz carregada de um toque de desgosto. "Sabemos que estava a planear sair da cidade com ele. Não torne mais difícil do que precisa ser."
O mundo girou à volta de Betty. Bobby tinha sido pego. Em um instante, todos os seus sonhos de liberdade e um novo começo desapareceram. A sua visão turvou-se quando as lágrimas encheram os seus olhos.
Ela gritou, "Tommy", a proteção intensa de uma mãe a mostrar-se. "E o Tommy? Ele não entende…"
Um dos oficiais suspirou e puxou um walkie-talkie. "Despacho, temos a mulher sob custódia. Solicito reforços para cuidar da criança."
Betty, com a voz trémula, tentou explicar, oferecer alguma semelhança de conforto. Mas as palavras não conseguiam sair. Os seus olhos encontraram os de Bobby, um olhar de medo cru e nu gravado no seu rosto à distância, enquanto os oficiais o levavam.
Oficiais surgiram, com os rostos sombrios, com as suas vozes carregadas de uma autoridade firme. Bobby, tendo perdido toda a esperança, desabou sobre o assento do motorista em derrota.
Um dos oficiais gritou: "Saia do carro, Sr. Duke", enquanto levantava a mão para a sua coldre.
As algemas foram colocadas nos pulsos e as portas foram abertas à força. Tommy começou a chorar, as suas lágrimas a criarem uma melodia triste no ar, quando ele de repente percebeu a gravidade da situação.
"Mamãe, para onde estamos indo?" Ele choramingou, com medo e confusão visíveis nos seus grandes olhos castanhos.
Com lágrimas a correrem pelas suas bochechas, Betty ajoelhou-se e envolveu-o nos seus braços, protegendo-o da terrível realidade que lhes estava a ser revelada.
Ela disse: "Está tudo bem, bebê", com a voz cheia de tristeza. "Tudo vai dar certo."
O plano de fuga, um sonho frágil alimentado pelo desespero, tinha terminado antes mesmo de começar. O peso dos crimes de Bobby, o longo braço da lei, tinha-os apanhado e, no processo, arrastado Betty e Tommy com ele.
A medida que foram conduzidos para viaturas policiais separadas, Betty lançou um último olhar para Bobby. O homem que ela amava, o pai do seu filho, tinha ido embora. No seu lugar estava um estranho, consumido pela sua própria escuridão, para sempre prisioneiro das suas escolhas.