Capítulo 55
Numa sala de interrogatório limpa, as luzes fluorescentes brilhantes lançam uma luz pálida sobre os dois criminosos, sua confiança agora substituída por uma ansiedade assustadora.
A Detetive Miller estava sentada em frente a eles, seus olhos mostrando uma forte determinação enquanto ela batia levemente em uma pasta na mesa.
"Ok, senhores", ela começou, sua voz sem nenhum calor. "Entendemos que vocês não vieram aqui por razões sociais. Por que não nos dizem por que decidiram fazer uma visita ao Sr. Duke e à Sra. Jones?"
O homem com a navalha, com o rosto machucado pela briga durante sua prisão, permaneceu em silêncio, seu olhar saltando nervosamente entre Miller e seu parceiro.
O outro bandido, no entanto, pareceu mais ansioso para agradar.
"Nós estávamos apenas... fazendo nosso trabalho", ele gaguejou, um tremor na voz.
"E quem exatamente é seu empregador?" Miller pressionou, inclinando-se para frente em sua cadeira.
O homem hesitou, lançando um olhar preocupado para seu companheiro silencioso. Um silêncio tenso se estendeu entre eles antes que o homem com a navalha finalmente falasse.
"Olha, senhora", ele rosnou, uma pitada de desafio piscando em seus olhos. "Isso não é um jogo de nenhum tipo. Tudo o que você precisa saber é que fomos empregados para completar uma tarefa."
Os dois homens recuaram com o som de Miller batendo com o punho na mesa. Ela afirmou: "Não estamos brincando aqui", em um tom gelado. "A polícia está protegendo aqueles que vocês tentaram machucar. A única maneira de reduzir suas acusações depois de cometer um crime grave é cooperar."
A ameaça dela era óbvia quando suas palavras pairavam espessas no ar. O homem com o boné de beisebol, com o rosto pálido de medo, finalmente cedeu.
"Tudo bem, tudo bem", ele gaguejou. "Fomos contratados por... por um cara chamado Esmaga. Disse que havia um problema que precisava ser resolvido."
"Esmaga? Esmaga quem?" Miller pressionou, um brilho de reconhecimento piscando em seus olhos.
"Não peguei o sobrenome, senhora", o homem balbuciou, o desespero rastejando em sua voz. "Ele apenas disse que trabalhava para esse figurão, alguém importante."
Miller trocou um olhar com seu parceiro, suas mentes correndo. As peças estavam começando a se encaixar. "Esse Esmaga mencionou mais alguma coisa? Talvez onde ele trabalhava, ou quem era esse 'figurão'?"
O homem pensou por um momento, então balançou a cabeça. "Apenas que os alvos estavam mexendo com as pessoas erradas e precisavam de uma lição."
"E você?" Miller voltou sua atenção para o homem com a navalha, que ainda permanecia teimosamente em silêncio. "Você vai ficar quieto, ou vai se juntar à festa?"
O homem olhou para ela, sua mandíbula cerrada. Mas o desafio em seus olhos foi substituído por um brilho de dúvida. Ele sabia que estavam se aproximando, que seu silêncio não protegeria seu chefe por muito mais tempo.
Com um suspiro pesado, ele finalmente falou. "Tudo bem", ele murmurou, sua voz um rosnado baixo. "Nós trabalhamos para o Esmaga. Ele é chefe de segurança de alguma empresa importante no centro da cidade. T&T, eu acho que se chamava."
Um suspiro escapou dos lábios de Miller. Este foi um ataque deliberado, não apenas uma brincadeira violenta. Sua voz mal era audível quando ela perguntou: "E quem é esse figurão na T&T?"
O homem com a navalha hesitou por um momento, então cuspiu um nome com um sibilo venenoso. "Bobby maldito Duke."
A sala ficou em silêncio, o peso da revelação pairando no ar. O nome confirmou suas suspeitas, ligando Bobby diretamente à tentativa de agressão.
O jogo tinha tomado um rumo perigoso, e a luta por justiça acabara de se tornar muito mais pessoal.
"Tudo bem", ela disse, anotando suas declarações. "Então, Bobby Duke contratou vocês para silenciar Sarah e Derrick. Ele disse o porquê?"
Rico e Cicatriz trocaram um encolher de ombros impotente. Eles eram músculo, não confidentes.
"Ele não disse muito", Cicatriz murmurou. "Apenas que eles estavam mexendo com coisas que não deveriam ter mexido."
Miller recuou, sua mente correndo. Bobby Duke. O nome combinava. Ele tinha o motivo – Sarah e Derrick estavam chantageando-o. Mas recorrer à violência? Parecia fora de caráter para o empresário refinado que ela tinha visto nos noticiários.
No entanto, as evidências, a confissão dos bandidos, apontavam para ele. Havia muitas peças se encaixando.
"Tudo bem", ela disse, um brilho determinado em seus olhos. "Vocês dois vão cooperar totalmente. Digam-me tudo o que sabem sobre Bobby Duke, sua operação, qualquer coisa que possa nos ajudar a construir um caso."
Rico e Cicatriz, percebendo a gravidade da situação e desesperados para evitar novas acusações, prontamente concordaram.
Eles revelaram os detalhes de seus acordos com Bobby, as mensagens criptografadas, as reuniões discretas, tudo pintando um quadro de um homem desesperado agarrado ao poder por qualquer meio necessário.
Enquanto Miller ouvia, um plano começou a tomar forma. Eles tinham sua alavancagem – a confissão dos bandidos e as mensagens incriminatórias de Sarah.
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Os limites da sala de interrogatório pareciam um mundo de distância da cabana aconchegante onde Derrick e Sarah tinham escapado por pouco de danos. A Detetive Miller, com o rosto marcado por uma satisfação sombria, deslizou uma pasta pela mesa em direção a Derrick.
"Nós pegamos eles", ela anunciou, sua voz baixa, mas resoluta. "Os dois capangas de Bobby confessaram. Eles admitiram que ele os contratou para silenciar você e Sarah."
Derrick sentiu uma onda de alívio percorrer, seguida rapidamente por uma explosão de raiva. "Bobby? Essa cobra traiçoeira! Eu sabia que ele não ia desistir."
Sarah, que estava sentada ao seu lado, agarrou sua mão com força. "Graças a Deus você ligou para a polícia, Derrick. Poderia ter sido muito pior."
Miller assentiu em concordância. "Seus instintos estavam certos. Agora, graças às suas informações e às confissões dos bandidos, temos o suficiente para levar Bobby para interrogatório."
"Mas é o suficiente para acusá-lo?" Sarah perguntou, um fio de preocupação em sua voz.
"Estamos trabalhando para construir um caso mais forte", garantiu Miller. "As declarações dos bandidos são um bom começo, mas precisamos de mais – registros financeiros, evidências de seus acordos com seu pai… qualquer coisa que pinte um quadro claro de sua atividade criminosa."
Derrick sentiu uma onda de determinação. "Podemos ajudar com isso", ele declarou. "Temos gravações, documentos – tudo o que Bobby usou para nos chantagear. Poderiam ser evidências-chave."
Os olhos de Miller se iluminaram. "Isso é fantástico! Vamos fazer com que uma equipe analise as gravações e os documentos imediatamente. Quanto mais evidências tivermos, mais forte será nosso caso."
Sabendo que não podiam se dar ao luxo de ser complacentes, Derrick decidiu tomar medidas adicionais. "Também precisamos do melhor advogado que o dinheiro pode comprar", ele disse, seu olhar fixo em Sarah.
"Com certeza", Sarah concordou. "Alguém que possa navegar no sistema jurídico e lutar por nós."
Sem qualquer demora, Derrick pegou seu telefone e discou rapidamente um número de emergência que ele havia armazenado anos antes. Do outro lado, uma voz suave e autoritária atendeu.
"Sr. Thorne? Aqui é Derrick Duke. Eu preciso da sua ajuda."
Seguiu-se uma pausa de silêncio antes que a voz respondesse, uma pitada de diversão entrando. "Derrick Duke, hein? Não ouço falar de você há algum tempo. Que tipo de problema você está agora?"
Derrick, ignorando a provocação divertida, explicou a situação de forma concisa – as ameaças de Bobby, o ataque na cabana e a investigação policial. Ele concluiu delineando sua necessidade de uma equipe de defesa legal.
O Sr. Thorne, um renomado advogado conhecido por sua tenacidade e brilhantismo no tribunal, ouviu atentamente. Quando Derrick terminou, uma risada baixa ecoou pelo receptor.
O Sr. Thorne observou, sua voz tingida de curiosidade: "Parece que você se meteu em uma grande confusão, Derrick." "Eu geralmente gosto de um bom desafio, então não se preocupe. Envie-me os detalhes do caso e montarei um grupo para defender a Sra. Miller e você."
Derrick desligou o telefone sentindo-se aliviado. O fato de o Sr. Thorne estar do lado deles animou seu ânimo.
No dia seguinte, Bobby foi preso pela polícia depois que eles invadiram seu escritório sob suspeita de conspiração e tentativa de assassinato. Enquanto o CEO era levado algemado, sua fachada polida desmoronou, uma máscara de desafio silencioso colada em seu rosto.
O ar na sala de interrogatório estava pesado de tensão e parecia frio. A detetive Miller sentou-se em frente a Bobby, uma pasta cheia de evidências disposta diante dela.
Ela começou a descrever a investigação policial, detalhando as confissões dos bandidos, as gravações recuperadas e os documentos incriminatórios que Sarah e Derrick haviam fornecido.
Bobby, no entanto, permaneceu em silêncio. Com a mandíbula tensa e os olhos estreitos como fendas geladas, ele sentou-se ali. Ele optou por se esconder atrás de uma máscara de quietude, assumindo que isso o protegeria das repercussões de sua conduta, e recusou-se a responder às perguntas.
Mas Miller pareceu imperturbável por sua desobediência. Ela tinha as evidências e estava determinada a vê-lo levado à justiça.
"Você pode ficar em silêncio, Sr. Duke", ela disse, sua voz firme, mas com uma pitada de pena. "Mas as evidências falam por si. Seu reinado de terror acabou."
Um brilho de terror surgiu nos olhos de Bobby, mas ele permaneceu imóvel. Não havia nada que ele pudesse fazer para impedir o mundo cuidadosamente construído que estava desmoronando ao seu redor.
Embora o jogo estivesse longe de terminar, as coisas haviam mudado. A justiça, parecia, estava finalmente no horizonte.