16
Nova Iorque, Mia
Fui acordada do sono pela luz forte da manhã, que entrava no quarto e aquecia meu rosto. Tinha uma parada pesada cobrindo meu olho esquerdo, e quando abri, soltei um grito de susto. O braço do Sebastian estava espalhado na minha cara, e minha reação inicial foi puro pânico.
Sebastian acordou de repente em resposta ao meu grito, piscando groggy para mim. "É assim que você acorda? Que nem uma galinha, porra?!" ele resmungou, indo para o lado da cama dele.
"Eu fiz essa parede de travesseiros pra você não vir pro meu lado! E você ainda veio!" Eu olhei pra ele, meu coração ainda batendo forte por causa do susto.
"Eu não consigo controlar meus sonhos", ele retrucou, a voz cheia de irritação.
"E essa é a porra toda da barreira de travesseiros – pra te manter no seu lado."
Ele revirou os olhos, claramente indiferente à minha indignação, e enxugou o rosto com a mão. "Blá blá, você não morreu!"
Ignorando o comentário sarcástico dele, decidi que era hora de levantar da cama. "Vou lavar meu rosto e escovar os dentes, e aí você pode me levar pra casa", eu disse, meu tom firme.
Sebastian levantou uma sobrancelha. "Sem café da manhã?" ele perguntou, com uma pitada de diversão na voz.
Eu pausei por um momento, percebendo que o Sebastian era, na verdade, um cozinheiro habilidoso. "Depois do café da manhã, claro", eu modifiquei. Eu não podia negar o encanto de uma refeição deliciosa preparada pelas mãos dele.
Eu podia sentir o sorriso dele mesmo não estando olhando pra ele.
Enquanto eu fui pro banheiro pra me arrumar, meus pensamentos voltaram pra mensagem que meu pai tinha me mandado. As palavras dele tinham tocado fundo, apesar de eu já ter ouvido elas inúmeras vezes antes. O fato de eu estar agora grávida adicionou uma camada totalmente nova de complexidade e emoção às suas observações cruéis. A picada das palavras dele teve uma ressonância diferente quando eu considerei a vida crescendo dentro de mim.
Depois de lavar o rosto e escovar os dentes, eu sequei meu rosto e peguei minhas coisas. Era hora de encarar o dia. Fui pra cozinha, onde o aroma de dar água na boca de ovos e waffles cumprimentou meus sentidos.
"Que cheiro bom", eu observei com apreço genuíno enquanto eu me sentava na mesa. Sebastian me entregou uma xícara de chá e colocou um prato cheio de waffles, ovos e panquecas na minha frente. Meu estômago roncou em resposta à comida deliciosa.
"Bon appétit", ele disse com um sorriso gentil.
Eu não consegui evitar de sorrir de volta, grata pelo esforço que ele tinha feito no café da manhã. Nós podemos ter nossas diferenças, mas não tinha como negar que o Sebastian Thornton manjava da cozinha.
Depois de terminar um café da manhã reforçado, eu senti uma nova sensação de satisfação. Sebastian tinha provado ser um cozinheiro impressionante, e eu não podia deixar de apreciar o esforço que ele tinha colocado na refeição. Com a barriga cheia e os meus ânimos elevados, eu sabia que era hora de encarar o dia.
Nós fomos pro andar de baixo pro carro, e eu não pude evitar de ser grata que o elevador estava funcionando direito dessa vez. Sebastian me ajudou com elegância no carro, e nós partimos em direção ao meu apartamento. Eu esperava com fervor que os paparazzi tivessem ido embora.
Enquanto eu olhava pela janela do carro, meus pensamentos foram consumidos pela vida crescendo dentro de mim. A realização de que eu logo me tornaria mãe me emocionava e aterrorizava ao mesmo tempo. Era uma oportunidade de ser uma mãe melhor do que a minha foi, especialmente minha Mãe.
A situação da minha Mãe era complexa. Ela tinha vindo de um contexto humilde e enfrentado uma pressão social imensa, mas eu queria que ela tivesse encontrado a força para enfrentar meu pai ou, pelo menos, para procurar um divórcio. Em vez disso, ela suportou os inúmeros desrespeitos e maus tratos dele.
"No que você está pensando?" A voz do Sebastian quebrou minha divagação.
Eu encolhi os ombros, um pouco hesitante em compartilhar meus pensamentos. "Só na vida", eu respondi de forma enigmática.
Então, uma pergunta me ocorreu, uma que tinha me incomodado desde a manhã. "Seus pais são religiosos, né?" eu perguntei, virando pra encarar o Sebastian. "Tenho certeza que eles viram as manchetes ontem à noite. O que eles disseram?"
Sebastian permaneceu quieto por um momento, sua expressão pensativa. Era como se ele estivesse carregando um peso pesado nos ombros dele. "Nada, na verdade", ele finalmente respondeu. "Acho que eles ainda não viram."
Eu contemplei a resposta dele, imaginando se ele estava falando a verdade ou simplesmente me protegendo de possíveis conflitos. O carro logo parou na minha rua, e eu soltei um suspiro de alívio ao notar a ausência de paparazzi. Graças a Deus pelas pequenas coisas.
Justo quando eu tinha ousado esperar que a sorte finalmente estivesse do meu lado, um sentimento de afogamento tomou meu estômago quando eu avistei um rosto familiar parado em frente ao meu apartamento. "Você tá de sacanagem", eu murmurei audivelmente, descrença e frustração correndo por mim.
Sebastian, percebendo meu sofrimento, perguntou, "Quem é aquele osso duro ali?"
Eu não pude evitar de soltar um suspiro exasperado antes de responder relutantemente, "Aquele osso duro é meu ex-marido."