13
Nova York, Mia
Enquanto a gente continuava a nossa jornada pro meu novo, embora temporário, refúgio no apartamento do Sebastian, eu peguei meu celular e mandei uma mensagem pra Bella, contando pra ela sobre essa mudança inesperada nos meus planos. Eu sei que pode parecer meio absurdo, mas a ideia de fugir das garras dos paparazzi implacáveis foi maior do que qualquer receio que eu tinha de passar a noite na casa do Sebastian. A resposta dela veio rapidinho, como eu esperava, e já veio com aquela zoeira dela: 'Beleza, Sra. Quase Thornton.'
Não teve jeito, rolei os olhos com a piada dela. A Bella sempre foi de achar graça nas situações mais doidas, uma parada que agora tava dando uma aliviada na minha situação atual.
Só que, conforme o carro foi chegando mais perto do apartamento do Sebastian, minha mente começou a mil por hora, com uns pensamentos sobre os meus pais. Não teve jeito, já tava me preparando mentalmente pro drama que ia rolar. A decepção e a desaprovação deles pesavam muito na minha cabeça.
De repente, outra preocupação surgiu. 'Eu não tenho roupa, nem escova de dente,' eu disparei pro Sebastian, percebendo que eu não tinha planejado ficar fora de casa.
Ele respondeu tranquilizador: 'Relaxa. Tenho roupas sobrando que você pode pegar emprestado, e tem escova de dente extra também. É só por uma noite.'
A ideia de usar as roupas do Sebastian e a escova de dente dele me pareceu estranha, e não teve jeito, eu tive que falar o que tava sentindo. 'Eu vou ter que usar suas roupas?' eu perguntei, sem acreditar. 'E sua cueca?'
Ele deu uma risadinha com o meu desconforto, com as sobrancelhas levantadas, de sacanagem. 'Minhas cuecas boxer são bem confortáveis,' ele respondeu, com um sorriso maroto. 'Você vai ver.'
'Credo,' eu respondi, fazendo uma careta com a ideia.
Sebastian levantou uma sobrancelha, fingindo não acreditar. 'Você teve meu pau inteiro dentro de você, e minhas cuecas são ‘credo’?! Sério mesmo?' A risada dele tomou conta do carro, e eu não aguentei, fiquei toda vermelha com a lembrança do nosso encontro quente.
'Por favor, não fala isso,' eu murmurei, minhas bochechas ficando ainda mais vermelhas.
A zoeira dele continuou, enquanto ele explicava qual era o nosso destino. O carro parou na frente de um prédio gigante, e ele apontou pra cima. 'Eu tô no último andar,' ele anunciou, todo orgulhoso. 'De manhã, você vai literalmente acordar nas nuvens.'
A menção do Sebastian sobre acordar no meio das nuvens na cobertura dele, lá em cima da cidade, me fez rir. 'Imagina acordar e ver um avião entrando no seu quarto,' eu falei, balançando a cabeça, de brincadeira. 'Vocês, gente rica, são de outro planeta mesmo.'
A minha mente viajou pra uma lembrança bizarra do meu passado – uma época em que o meu ex-marido, Gavin, comprou uma Alpaca porque ele achava que a bisavó dele tinha reencarnado em uma. Foi uma daquelas ideias malucas que me fizeram questionar as decisões que ele tomava. Dei uma risadinha, refletindo sobre as peculiaridades dos ricaços e seus estilos de vida extravagantes.
Quando a gente chegou na entrada do prédio, o Sebastian foi super gentil, abriu a porta pra mim, e eu fui atrás dele. A galera do hotel tava esperta, e não teve jeito, eu notei o olhar de julgamento de um deles. Eu sabia que ia ter que me acostumar com esse tipo de coisa.
Já dentro do elevador, o Sebastian pegou o cartão dele, de boa, e passou na telinha. As portas do elevador fecharam, e a gente começou a subir pra cobertura dele. Só que a nossa viagem teve uma reviravolta inesperada, o elevador deu um tranco de repente, e a gente mergulhou na escuridão.
'Ahhh!' eu gritei de susto, automaticamente fui procurar um apoio.
A voz do Sebastian tava calma, mas eu ouvi um tom de irritação quando ele murmurou: 'De novo, não.' Parecia que essa não era a primeira vez que ele passava por problemas no elevador daquela cobertura chique.
Enquanto o pânico foi me dominando, eu agarrei no corrimão, meu coração batendo a mil. O espaço apertado e a escuridão desorientadora só pioraram o meu mal-estar.
O Sebastian, por outro lado, tava tranquilo. 'Relaxa,' ele me tranquilizou, mas a voz dele ainda tinha um toque de frustração. 'Isso já aconteceu antes, e geralmente arrumam rapidinho.'
Enquanto o pânico começava a me dominar no elevador escuro, eu não conseguia parar de me perguntar por que essa não era a primeira vez que o Sebastian tava passando por isso. Pra alguém tão rico quanto ele, eu esperava que o elevador da cobertura fosse top. Era perturbador imaginar pagar uma grana pra ter um lugar e o elevador dar problema.
'Que merda é essa?!' eu exclamei, minha voz tremendo de frustração e medo. Lembranças do meu passado começaram a ressurgir, e o espaço fechado e escuro do elevador intensificou o meu desconforto. Eu odiava lugares escuros; eles eram uma lembrança de todas as vezes que o meu pai me arrastava pelos cabelos e me trancava num quarto escuro por horas, como castigo.
'Me desculpa, me desculpa,' eu sussurrava pra mim mesma, com lágrimas nos olhos. O trauma das experiências da minha infância tornava a escuridão ainda mais insuportável.
De repente, uma voz distante chegou nos meus ouvidos. 'Mia, Mia, por que você tá pedindo desculpa?' Quem era aquela pessoa? Era o Kieran, meu irmão? De quem era aquela voz?
'Kieran, irmão?' eu sussurrei aliviada, minha voz trêmula. O som do nome dele ofereceu um pouco de conforto na escuridão opressiva. Minhas mãos estavam fracas, e meu cérebro estava nebuloso por causa da ansiedade.
'Me desculpa. Me desculpa,' eu repeti, minhas palavras virando um mantra de medo e arrependimento. Era como se o passado tivesse voltado, e eu estivesse revivendo aqueles momentos aterrorizantes de isolamento e escuridão da minha infância.
No meio do meu pânico, uma sensação repentina nas minhas pernas me fez gritar. 'Ahhh!' Minha mente disparou, incapaz de distinguir entre a realidade e as memórias traumáticas que me assombravam.
Minhas mãos tremiam sem parar, e eu senti que tava entrando em pânico. Foi aí que eu senti o abraço caloroso de alguém, uma voz reconfortante me incentivando a respirar. Eu me deixei encostar nos braços do estranho, me sentindo estranhamente segura e protegida. Minha cabeça descansou no ombro dele enquanto eu sussurrava desesperadamente, 'Me tira daqui... me tira daqui.'
De repente, as luzes piscaram e voltaram, e o elevador começou a se mover de novo. Eu ainda tava nos braços do estranho enquanto eu abria meus olhos devagar. A reconheci – era o Sebastian. Eu estive com o Sebastian durante essa provação aterrorizante.
'Me larga,' eu murmurei, enquanto ajeitava meu cabelo e tentava recuperar a compostura. Eu não conseguia olhar nos olhos dele. Ele tinha visto minha vulnerabilidade, e isso me deixou envergonhada e exposta. Mas o olhar dele continuava fixo em mim, com preocupação estampada no rosto.
'O que você tá olhando?' eu perguntei, levantando as sobrancelhas enquanto tentava esconder meu medo com um toque de defesa. O Sebastian balançou a cabeça, se recusando a desviar o olhar.
'Foi o Campbell?' ele perguntou, a voz com um tom de raiva. Franzi a testa, a confusão enchendo meus pensamentos. 'Foi aquele... aquele idiota do Campbell que te machucou?!' A voz dele aumentou, e eu consegui ver a fúria fervendo nos olhos dele quando ele mencionou o nome do Gavin Campbell.
Eu balancei a cabeça, minha voz mal saindo num sussurro enquanto eu confessei, 'Foi o meu pai.'