12
Nova Iorque, Sebastian
Enquanto eu tava sentada no carro com a Mia, a memória do 'não' dela, alto e claro, ecoando na minha cabeça, eu não conseguia evitar a vontade de botar a mão na cara. Sempre ouvi dizer que ser rejeitado num pedido de casamento era o pior pesadelo de um cara, e agora, eu tava vivendo esse pesadelo. Era o tipo de experiência que faz um cara querer mudar de nome, se mudar pra outro país, ou talvez até pra outro planeta.
Mas, claro, tava acontecendo comigo, Sebastian Thornton, um cara que tava acostumado a lidar com os obstáculos da vida com graça e charme. Só que essa situação era diferente, e envolvia a Mia, a mulher cabeça-dura que agora tava esperando meu filho.
A rejeição da Mia não foi só um baque no meu ego; foi um lembrete gritante das complexidades da nossa situação. Éramos duas pessoas que quase não se conheciam, jogadas num evento que ia mudar a vida de ambos, algo que nem um nem outro tinha previsto ou desejado.
Dei uma olhada de canto pra Mia, com a cara misturando raiva e medo. Era o medo que me intrigava mais. De quem a Mia tava com medo? De mim? Duvido. Tinha algo mais profundo rolando ali, algo que a Mia não tava contando.
Enquanto o celular dela não parava de vibrar com mensagens, eu observei ela de perto, e a palidez dela foi aumentando. Quando ela finalmente leu as mensagens de texto, toda a expressão dela mudou. O rosto dela ficou pálido, e os olhos arregalaram com uma mistura de choque e pavor.
Não aguentei e me aproximei, minha preocupação com ela superando qualquer desconforto que ainda pudesse ter entre a gente. 'Mia, o que foi?' perguntei, com a voz cheia de preocupação genuína.
Ela me olhou, os lábios tremendo um pouco enquanto tentava achar as palavras certas. 'Meus pais… eles sabem,' ela sussurrou, com a voz cheia de angústia.
A revelação me atingiu como um caminhão. Os pais da Mia agora sabiam da situação escandalosa em que a gente tava, e, pela reação dela, tava na cara que aquilo era uma catástrofe de proporções épicas aos olhos dela.
Não consegui evitar uma pontada de simpatia por ela. Embora meus próprios pais não tivessem ficado exatamente empolgados com os acontecimentos recentes na minha vida, eles eram muito mais compreensivos que a família da Mia, que, sem dúvida, ficaria profundamente decepcionada com as circunstâncias em torno da gravidez da filha.
'É tão ruim assim mesmo?' perguntei pra Mia, com a minha curiosidade genuína evidente no meu tom de voz. Eu queria entender a profundidade da situação dela, entender a extensão total dos medos e ansiedades dela.
Uma risada sem graça escapou dos lábios dela, um contraste forte com as emoções que estavam borbulhando dentro dela. 'Ruim? É o pior,' ela admitiu num tom baixo, a voz cheia de vulnerabilidade. 'Principalmente porque eu ainda não contei pra eles sobre o meu divórcio.'
A revelação dela me deixou momentaneamente chocado. 'Divórcio?' repeti, com as sobrancelhas subindo em surpresa.
A Mia balançou a cabeça, o olhar baixo enquanto continuava a se abrir pra mim. 'Sim, eu fui casada com o Gavin Campbell até uns meses atrás,' ela confessou. 'Mas eu não contei pros meus pais sobre o divórcio ainda porque, bom, mesmo que o Gavin estivesse errado, eles ainda iam ficar do lado dele. Eu não sou exatamente a filha ideal deles - a filha dos sonhos que eles imaginavam.'
Meu coração foi pra ela quando ouvi a dor nas palavras dela. 'Você é uma consultora de moda muito bem-sucedida,' eu apontei, querendo dar um pouco de segurança pra ela. 'Suas conquistas falam por si só.'
A Mia conseguiu um sorriso torto, reconhecendo minhas palavras. 'Diga isso pros meus pais,' ela disse, com a voz tingida de amargura. 'E agora, com essa gravidez e o escândalo do casamento estampando as manchetes, eu sei que eles vão descobrir mais cedo ou mais tarde. Eu só queria que fosse mais tarde - bem mais tarde.'
Comovido com a angústia dela, eu estendi a mão e peguei a mão dela gentilmente, aliviado quando ela não puxou. 'Nós estamos juntos nessa,' eu disse pra ela, com sinceridade. 'Meus pais também não estão felizes, e eu tenho que admitir, foram eles que sugeriram o casamento.'
A reação dela foi imediata - a cabeça dela subiu, e os olhos arregalaram em descrença. 'Você tá mentindo,' ela respondeu, claramente chocada com a revelação.
Eu balancei a cabeça, com a expressão sincera. 'Não, eu não tô,' eu garanti a ela. 'Eles são muito religiosos, e, aos olhos deles, é a coisa certa a se fazer.'
A Mia suspirou com exasperação e depois virou o olhar pra janela. Enquanto continuávamos o trajeto, chegamos na rua dela, só pra sermos recebidos por uma cena que encheu nós dois de pavor.
'Tem muitos carros lá fora,' a Mia observou, com a voz tingida de ansiedade.
Eu olhei pela janela, confirmando as suspeitas dela. 'Sim, tem,' eu confirmei. 'Vamos usar a porta dos fundos.' Eu direcionei o meu motorista pra ir em direção à entrada dos fundos, esperando evitar o olhar implacável dos paparazzi.
Meu motorista virou a cabeça e me olhou com desculpas. 'Eles bloquearam, senhor.'
'Filhos da puta.'
Enquanto estávamos no carro, bloqueados pelos paparazzi e confrontados com o dilema de como levar a Mia em segurança pra dentro da casa dela, minha mente corria pra encontrar uma solução. Infelizmente, toda tentativa de criar um plano não deu em nada. Os fotógrafos eram implacáveis, e as opções pareciam limitadas.
'Você quer ir pra minha casa?' eu sugeri, com o desespero se infiltrando na minha voz. 'Pelo menos até os paparazzi irem embora.'
A Mia me olhou com ceticismo, claramente surpresa com a oferta. 'Você quer que eu vá pro seu apartamento?' ela perguntou, com a incerteza aparente.
Eu balancei a cabeça com sinceridade. 'Sim, pode ser a opção mais segura agora,' eu expliquei. 'Você pode ficar até amanhã de manhã. Eu sei que os paparazzi vão te encher de perguntas insanas, e eu prefiro que você evite isso.'
O olhar pensativo dela persistiu por um momento antes dela finalmente ceder. 'Tá bom,' ela concordou, com a voz carregando uma pitada de resignação. 'Eu vou mandar uma mensagem pra Bella dizendo que vou dormir na sua casa.'