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Nova Iorque, Mia
Eu tava no carro, com Sophia no volante, me levando pra casa. A bad do dia e os paranauês sinistros com o stalker ainda tavam frescos na minha mente. A presença da Sophia dava uma aliviada, uma trégua da tempestade que tava rolando na minha vida.
"Como foi a conversa com teu ex?" ela perguntou, quebrando o silêncio que tinha se instalado entre a gente. A preocupação dela tava na voz.
Eu resmunguei, putaça, lembrando do encontro com Gavin. "Só xinguei ele", admiti, meio frustrada. "Ele até que curtiu."
A Sophia não teve papas na língua. "Ele é muito otário", mandou, concordando comigo na lata. As atitudes e a cara de Gavin já tinham me enoado há tempos, e tava na cara que ele adorava causar.
Me encostei no banco do carro e massageei as têmporas, tentando aliviar a dor de cabeça que tava me atormentando o dia todo. As palavras da Sophia deram uma consolada, mas o peso da situação ainda tava me esmagando.
Quando chegamos no meu prédio, meus olhos bateram na figura imponente do guarda de segurança lá fora. Era o mesmo guarda fortão que o Sebastian tinha botado pra me vigiar, uma presença que dava uma tranquilidade nesses tempos de treta.
A Sophia olhou pra ele e perguntou: "É o guarda que o Sebastian botou pra você?"
Eu dei uma risadinha, confirmando. "Sim, é ele."
"Caramba", a Sophia murmurou, preocupada. A presença do guarda na porta do meu apê era um lembrete sinistro do perigo real que tava espreitando.
Antes de sair do carro, eu virei pra Sophia. "Ah, vou levar o bilhete comigo, tá? O Patrick quer analisar pra ver se acha alguma digital."
Ela concordou, entendendo. "Beleza, me mantém informada", ela pediu, a preocupação dela comigo era palpável.
"Vou manter", eu garanti pra ela. "E, por favor, me mantém informada também, tá?"
Com um abraço rápido, me despedi da Sophia e fui pro meu apê. Quando abri a porta, dei de cara com a Bella, que já tinha chegado.
"E aí", ela me cumprimentou, a preocupação estampada nos olhos. "Como foi no escritório?"
Eu suspirei fundo, o peso das paradas do dia nos meus ombros. "Foi... agitado", respondi, percebendo que tinha muita coisa pra contar pra ela sobre as últimas tretas na minha vida.
Depois que eu contei pra Bella sobre o stalker, a carta sinistra e a ligação perturbadora do Gavin, ela só conseguiu balançar a cabeça, chocada. A reação dela foi uma mistura de pena e descrença.
"Sua vida virou uma novela turca na vida real", ela falou, com um toque de cansaço.
Eu dei uma risadinha seca, apesar da barra pesada. "Eu sei, né? Parece que eu e o bebê tamos sempre no meio da treta."
A Bella, sempre a amiga prática e que acalma, ofereceu um frango frito que ela tinha feito. Eu aceitei o prato com gratidão e comecei a comer os pedaços crocantes e reconfortantes. Era um pequeno consolo no meio do caos.
"Continua firme", a Bella me incentivou, a voz dela cheia de determinação. "Uma hora tudo vai melhorar."
Eu suspirei, percebendo que as palavras dela ecoavam os sentimentos de tanta gente que tinha tentado me consolar nessa fase turbulenta. "É o que todo mundo fala", admiti. "Mas tá sendo meio difícil, saca?"
A minha vida, que antes era tranquila, tinha virado de cabeça pra baixo, transformada numa tempestade de incertezas e medo. O peso de tudo isso me esmagava, e eu não conseguia parar de me perguntar quando a tempestade ia finalmente acabar.
Depois de devorar o último pedaço de frango frito, decidi me trancar no banheiro pra tomar um banho longo e relaxante. Era uma chance de lavar a bad do dia, tanto física quanto emocional. Comecei com a minha rotina de skincare, me mimando com cada passo, e depois entrei no abraço quente do chuveiro.
A água quente era um bálsamo pras minhas dores, e deixei a tensão ir embora enquanto fechava os olhos e simplesmente ficava embaixo da queda d'água. Os pensamentos rodopiavam na minha mente, as paradas mal resolvidas e as ameaças espreitando, mas por um breve momento, me permiti encontrar consolo no simples ato de tomar banho.
Depois, me sequei e fui pro meu quarto, o cansaço do dia me pegando. Me joguei na cama, na esperança de encontrar o descanso que eu tanto precisava. As paradas do dia tinham cobrado um preço do meu espírito, e eu ansiava pelo esquecimento do sono.
Enquanto eu tava entrando no sono, as paradas do dia continuavam passando na minha mente como um filme de terror. As mensagens sinistras, a invasão na minha casa e a ligação ameaçadora do Gavin me deixaram vulnerável e exposta.
Quando eu achei que finalmente ia entregar pro sono, fui acordada por tiros, secos e ameaçadores. Meu coração disparou no peito enquanto o medo me dominava, a adrenalina correndo nas minhas veias. O quarto tava escuro, e meus sentidos estavam em alerta máximo enquanto eu me esforçava pra identificar a origem do barulho assustador.
Os segundos pareciam não passar, e os ecos dos tiros pareciam se dissipar na noite. Peguei meu celular, tremendo, e rapidamente disquei o número do guarda de segurança que tava na frente do meu apê.
"Aconteceu alguma coisa", eu falei desesperada, minha voz mal saía num sussurro. "Tiros. Eu ouvi tiros."
"Sou eu." Ele tossiu. "Me balearam."