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Los Angeles, Sebastian
A reunião tava bombando, a sala de conferências fervilhando com discussões e debates sobre o projeto mais recente. Eu tava ligado na conversa, a atenção toda focada nos assuntos em questão, quando meu celular vibrou sinistramente na mesa. Franzi a testa, olhando o identificador de chamadas, e meu coração deu um pulo. A ligação era do Patrick.
Me desculpei na reunião, atendi a ligação, uma sensação de pavor tomando conta de mim enquanto eu encostava o telefone na orelha.
'Alô?' Eu falei, minha voz tensa de expectativa.
A voz do outro lado tava trêmula, e tava claro que essa ligação não ia ser fácil. 'O pai da Mia foi solto da cadeia,' a voz disse secamente, entregando a notícia sem rodeios.
Minha mente correu enquanto as implicações dessas palavras afundavam. Eu tinha achado que o pai da Mia ia pegar mais tempo, e essa soltura abrupta foi chocante. Foi um lembrete sinistro de que o mundo podia ser imprevisível e implacável.
'Put0' nem chegava perto de cobrir meus sentimentos. A mudança súbita nas circunstâncias me deixou fervendo, tanto pela segurança da Mia quanto pela turbulência emocional que essa notícia ia trazer pra ela.
Sem perder um segundo, eu contatei a Mia, meus dedos discando o número dela enquanto eu andava pra lá e pra cá no corredor fora da sala de reuniões. Ela atendeu a ligação, a voz dela tingida de curiosidade.
'Oi,' ela falou, uma pontinha de incerteza no tom dela.
'Oi, meu amor,' eu respondi, minha voz sincera mas com preocupação. 'Acabei de receber uma ligação… Mia, seu pai foi solto da cadeia.'
Houve uma pausa do outro lado da linha, um silêncio pesado que espelhava o peso da notícia. Eu podia sentir o choque e a confusão na resposta dela.
'Quê? Como? Por quê?' A voz da Mia vacilou enquanto ela lutava com a revelação repentina. Ela, também, tava lutando pra processar a reviravolta inesperada dos acontecimentos.
Eu tranquilizei ela o melhor que pude, minhas palavras escolhidas com cuidado. 'Eu não tenho todas as respostas agora, mas quero que você seja cautelosa. Fique de olho nos seus arredores, e não hesite em me ligar se você se sentir desconfortável ou insegura.'
Nosso amor compartilhado sempre foi uma fonte de força e apoio, e eu queria que a Mia soubesse que ela podia contar comigo durante esse período desafiador.
Assim que a ligação terminou, eu voltei pra reunião, meus pensamentos continuamente voltando pra notícia perturbadora que eu tinha acabado de receber. Eu lutei pra me concentrar nos assuntos em questão, minha mente preocupada com preocupação e frustração.
Quando a reunião finalmente terminou, eu não perdi tempo em ligar pro Patrick, meu irmão e a pessoa que tinha compartilhado a notícia sobre a soltura do pai dela. Eu precisava de respostas, precisava entender o que tinha acontecido.
'Patrick,' eu comecei urgentemente assim que ele atendeu o telefone. 'O que você sabe sobre isso? Por que o pai da Mia foi solto? Ela está segura?'
A voz do Patrick tava tão tensa quanto a minha quando ele respondeu, 'Não tem muita informação. Tudo que eu sei é que alguém pagou a fiança dele. Eu tô tão chocado quanto você. A Mia deve se sentir segura, e isso… isso muda tudo.'
Eu xinguei baixinho, uma mistura fervilhante de raiva e ansiedade me dominando. A soltura súbita e inexplicável do pai da Mia lançou uma longa sombra sobre a segurança e a estabilidade que a gente tinha tentado construir pra ela. Foi um lembrete doloroso de que o passado podia se intrometer no presente das maneiras mais inesperadas.
Finalmente, quando eu tava indo pra casa, a sensação de desconforto nunca me deixou. A viagem de volta pareceu mais longa e pesada, o peso da preocupação me esmagando. Eu sabia que a Mia ia ser igualmente afetada pela notícia, e meu coração doía pela turbulência emocional que ela indubitavelmente tava sentindo.
Quando eu entrei em casa, eu imediatamente disquei o número da Mia, ansioso pra ouvir a voz dela e tranquilizá-la mais uma vez. Ela atendeu, a voz dela uma mistura de apreensão e alívio.
'Oi, meu amor,' eu comecei, minha voz mais suave agora, cheia de compreensão e carinho.
A Mia respondeu da mesma forma, a voz dela carregando a complexidade das emoções dela. 'Oi,' ela respondeu, as palavras dela imbuídas do conhecimento de que nosso mundo tinha mudado de uma forma inesperada.
Eu reuni toda a minha força, minha preocupação fervilhando por baixo da superfície. 'Mia, precisamos conversar sobre seu pai.'
Eu podia sentir a mudança no tom dela quando ela respondeu, 'O que foi? Tá acontecendo alguma coisa?'
Respirando fundo, eu decidi ir direto ao ponto. 'Mia, eu tô preocupado com sua segurança agora que seu pai foi solto. Precisamos considerar o que é melhor pra você.'
A voz dela continha uma pontinha de frustração quando ela respondeu, 'Eu agradeço sua preocupação, mas eu não vou me mudar pra LA. Minha vida é aqui em Nova York.'
Eu tinha esperado a resistência dela, mas ainda assim me irritou. 'Mia, eu sei que Nova York é sua casa, mas com seu pai fora da cadeia, eu genuinamente temo por sua segurança. Não podemos ignorar os riscos.'
A resposta da Mia foi seca e teimosa. 'Eu não acredito que você quer que eu mude minha vida só por causa do meu pai. Ele é meu problema, não seu.'
Eu suspirei, minha paciência se esgotando. 'Não é só sobre seu pai. É sobre nós, nosso futuro e nossa família. Eu não aguento a ideia de você estar em perigo.'
A discussão tava escalando, as linhas de comunicação ficando tensas. Nós dois éramos apaixonados e inabaláveis em nossas posições, e a tensão era palpável.
A Mia suavizou o tom, tentando raciocinar comigo. 'Eu sei que você está preocupado, e eu agradeço isso. Mas essa decisão precisa ser minha. As ações do meu pai não devem ditar como vivemos nossas vidas.'
A discussão acalorada com a Mia tinha chegado a um ponto em que minha paciência tinha sido levada ao limite. A teimosia dela sempre foi um desafio, mas o tópico da soltura do pai dela da cadeia tinha intensificado nossa discordância a um ponto de ruptura. A frustração surgiu dentro de mim, e em um momento de exasperação, eu encerrei a ligação abruptamente, jogando meu celular na cama com um gemido de exasperação.
Eu detestava brigar com a Mia, especialmente sabendo que nossas divergências muitas vezes levavam a um impasse. Em qualquer discussão, sempre parecia haver uma pessoa que estava 'certa', e a outra, neste caso, era eu, que me sentia como um 'macho' indefeso.
Meu celular tocou de novo, e eu respirei fundo antes de atender, me preparando para a continuação da nossa conversa tensa. Era a Mia do outro lado da linha, a voz dela misturada com irritação e um toque de humor.
'Desculpa por ter desligado na sua cara,' eu murmurei, um pedido de desculpas que parecia necessário para restaurar alguma aparência de paz entre nós.
A resposta da Mia foi rápida e cheia de desafio. 'É, é bom que esteja. Eu liguei de volta só pra poder ser eu quem desliga na sua cara.'
E com isso, a linha ficou muda, me deixando perplexo.