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Los Angeles, Sebastian
Eu tava sentado na sala de reuniões, com a minha atenção dividida entre os esboços que o nosso arquiteto tinha apresentado e a porrada de pensamentos que tavam borbulhando na minha cabeça. A reunião tinha sido uma de uma longa série de encontros e conversas sem fim, tudo a ver com negócios e os detalhes arquitetônicos do nosso projeto mais recente. Meu trampo como o chefão de uma empresa que tava bombando exigia dedicação constante e um monte de reuniões sem parar.
Enquanto o arquiteto continuava com a apresentação dele, eu não conseguia deixar de sentir o peso do cansaço caindo em cima de mim. A sala tava cheia do zumbido suave das vozes, o barulho das canetas riscando no papel e os cliques ocasionais dos laptops. Minha assistente, uma mulher esperta e eficiente, tava por perto, pronta pra ajudar com qualquer coisa.
De repente, ela apareceu na porta e sussurrou: "Sr. Thornton, sua mãe tá na recepção."
Eu franzi a testa, confuso. O que a minha mãe tava fazendo aqui, sem avisar e durante uma reunião importante? A minha mãe sempre foi uma fonte de stress na minha vida, armando tudo, desde o meu casamento até o meu divórcio futuro, e tentando arranjar outra união furada.
Eu virei pro arquiteto e interrompi a apresentação dele com a mão levantada. "Desculpa, vamos precisar dar uma pausa," eu falei, com um toque de irritação na voz. "Façam uma pausa, respirem um ar fresco e, talvez, comam alguma coisa enquanto eu vejo o que a minha mãe precisa." Eu saí da sala de reuniões, com a minha cabeça tentando entender a presença estranha da minha mãe.
Na recepção, eu encontrei ela parada lá, a presença dela já me dando nos nervos. Ela tava acompanhada pela Amanda, uma mulher que ela tava tentando enfiar na minha vida contra a minha vontade. A Amanda tava quieta do lado da minha mãe, com uma mistura de timidez e desconforto na cara.
"Mãe. Amanda," eu cumprimentei elas, meio seco. Eu não tava a fim dessa visita de última hora, e a fama da minha mãe de se meter na minha vida pessoal só alimentava a minha apreensão.
"Eu almocei com a Amanda," minha mãe anunciou, com um tom falsamente alegre, "e achei que ia dar uma passadinha pra mostrar pra ela onde o futuro marido dela trabalha."
Eu não consegui evitar de bufar por dentro. A determinação implacável da minha mãe em ditar o rumo da minha vida já tinha causado muita confusão. Ela me forçou a casar com a Mia, depois forçou um divórcio logo depois do nascimento do nosso filho, insistindo que eu casasse com a Amanda em vez disso.
"Mãe," eu comecei, com a paciência acabando, "não vamos começar isso aqui. Eu tô no meio de uma reunião importante."
A minha mãe, de boa, só ignorou as minhas preocupações. "Ah, Sebastian, com certeza você pode arranjar um tempinho pra sua futura esposa," ela me repreendeu, com as palavras cheias de expectativas mal disfarçadas.
A minha frustração explodiu e eu respondi com a voz mais grossa. "Mãe, por favor, não coloca ideias falsas na cabeça dela. Ela nunca vai ser minha esposa. Minha esposa é a Mia."
Os olhos da minha mãe se estreitaram com desaprovação e ela zombou em resposta. "Aquela pecadora? Aquela... aquela diaba?" O tom dela ficou cada vez mais revoltado. "Ela te envenenou, você não vê?"
Eu rangei os dentes, tentando manter a calma. As palavras cruéis da minha mãe sobre a Mia tinham sido uma presença constante no nosso relacionamento turbulento. "Só... só vai embora," eu falei pra ela, com a minha paciência finalmente chegando ao limite.
A minha mãe ficou me encarando, com uma mistura de raiva e decepção nos olhos. A Amanda, que tinha ficado quieta durante a conversa, pareceu sentir a tensão na sala. Sem falar nada, eu fiz um sinal pro guarda mandar elas saírem. Eu voltei pra sala de reuniões, com uma sensação de frustração e desamparo, sabendo que a intromissão da minha mãe ia continuar jogando uma sombra na minha vida e nas minhas escolhas.
A reunião continuou, mas os meus pensamentos foram pra longe da apresentação do arquiteto. Eu não conseguia evitar de pensar na visita inesperada da minha mãe e da Amanda. Eu não tinha contado os detalhes pra Mia, nem queria, e até pedi pra Sophia guardar segredo sobre esse último encontro.
A razão por trás do meu silêncio era simples: a Mia tá grávida. A gente já tava lidando com as complexidades do nosso relacionamento, os desafios da paternidade e o nascimento do nosso filho. A última coisa que eu queria era adicionar mais stress pra Mia. Stress é conhecido por ter efeitos ruins tanto na mãe quanto no bebê, e eu tava determinado a proteger ela de qualquer carga adicional.
Enquanto eu tava sentado na reunião, a minha cabeça voltava direto pra Mia. Eu tava doido pra ver ela, abraçar ela e compartilhar a alegria e a ansiedade de receber nosso filho no mundo. A cada dia que passava, os meus instintos de pai pareciam ficar mais fortes, uma profunda sensação de responsabilidade e amor ganhando força dentro de mim.
Justamente quando eu tava começando a me perder nos pensamentos sobre a Mia e o nosso filho que ia nascer, a porta da sala de reuniões se abriu de novo. Eu não consegui evitar de bufar por dentro. As interrupções tavam ficando cada vez mais chatas, e eu tava querendo muito um momento de descanso.
A minha assistente correu na minha direção, com a expressão cheia de urgência. "Sr. Thornton," ela começou, e eu pude sentir que tinha alguma coisa errada. "É urgente."
A minha paciência tava acabando, e eu não consegui conter a minha frustração por mais tempo. "Manda a minha mãe sair desse prédio antes que eu chame a polícia!" eu disparei, com a voz cheia de irritação. Eu tinha esperança que a mensagem fosse clara, que a minha mãe entendesse os limites que eu tava tentando estabelecer.
No entanto, a cara da minha assistente revelou uma emoção totalmente diferente. Ela olhou pra mim com uma mistura de preocupação e simpatia. "Não é sua mãe, Sr. Thornton. É sua esposa. Ela tá no hospital."
O peso das palavras dela me atingiu como uma marretada. A minha raiva e irritação sumiram na hora, substituídas por uma profunda sensação de alarme e medo. Meu coração disparou enquanto eu processava a notícia. A Mia tava no hospital. A minha cabeça girava com mil perguntas, todas direcionadas ao bem-estar da minha amada esposa e do nosso filho que ia nascer.
Sem hesitar, eu me levantei da mesa de reuniões, com a minha cadeira raspando alto no chão. A sala ficou em silêncio, enquanto eu ia em direção à porta. A minha assistente me seguiu, com a expressão cheia de empatia e compreensão.
"Preparem o avião pra mim. Agora!"