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Nova Iorque, Mia
A respiração travou na minha garganta quando eu vi o Sebastian na minha frente, todo arrumado com as roupas de trabalho dele. Não tinha a menor dúvida de que ele provavelmente era um dos homens mais bonitos que eu conhecia. As feições dele, a mandíbula bem definida, e aqueles olhos azuis que pareciam furar, sempre me deixavam meio sem fôlego, e hoje não foi diferente.
"Posso te ajudar com alguma coisa?" Eu consegui gaguejar, mas nem precisava perguntar porque eu sabia exatamente o que ele estava fazendo ali. Meus olhos foram, sem querer, para o envelope na mão dele, e a ansiedade fez meu estômago virar um nó.
Sebastian ergueu a sobrancelha pra mim, uma expressão clássica dele, e então olhou por cima de mim para a sala, onde o Kieran e a Bella estavam olhando pra ele, meio sem graça. A culpa deles tava escrita na cara. "Fui interrompido numa reunião", começou o Sebastian, com um tom que misturava irritação e frustração, enquanto me empurrava pro lado e entrava na sala. Mal-educado, eu pensei, mas não falei nada.
"Pra saber que eu vou ser pai", ele continuou, com a voz cheia de sarcasmo. Eu me virei pra olhar pra ele, com o coração batendo forte no peito. Não era assim que eu tinha imaginado contar a novidade pra ele, mas parece que o destino tinha outros planos.
Sebastian colocou a mão na cintura, me olhando fixamente, e continuou, "Você tá tentando me prender, é?" A acusação ficou no ar, e eu senti meu rosto corar de vergonha e raiva.
"Sebastian, não é o que você tá pensando", eu tentei explicar, com a voz tremendo. "Eu não planejei que isso acontecesse. É que…" Eu não consegui terminar a frase, sem saber como colocar em palavras a situação complicada que tinha nos trazido até ali.
"É que o quê?" Sebastian perguntou, com a frustração evidente, colocando o envelope na mesinha de centro. "Você quer dinheiro? É isso que se resume?"
Minha raiva explodiu, e parecia que tava saindo fumaça imaginária pelas minhas orelhas. "Escuta aqui, seu babaca", eu falei, com a voz afiada, mas fui interrompida pelo Sebastian de novo.
"Esse babaca vai ser o pai do seu filho", ele rosnou, com as palavras cheias de irritação.
"Não se acha tanto", eu respondi, igualmente irritada. "Eu achei que eu era infértil. Tava escrito no meu prontuário que eu era infértil, mas aparentemente, o problema não era eu. Era meu ex. Então, sinto muito que tenha chegado a essa situação, e eu não espero que você faça parte disso."
Sebastian soltou uma risada amarga, não aquele tipo de risada que acalma, mas uma bem perturbadora. "O que você pensa que eu sou? Um pai ausente?!" ele exclamou, com a voz cheia de raiva e mágoa. Ele então virou o olhar pro Kieran. "É isso que você pensa de mim?"
Kieran encarou o Sebastian com uma expressão séria. "Eu só quero o melhor pra minha irmã e pro bebê dela", ele falou firme, deixando claro que a preocupação dele era genuína.
Sebastian rangeu os dentes, a frustração dele era óbvia. "Nosso bebê", ele corrigiu, com um tom mais suave, mas ainda tenso. Tava claro que ele tava lidando com um turbilhão de emoções, e eu não podia culpar ele completamente. Essa situação tinha pego todos nós de surpresa.
Sebastian pegou o envelope na mesa, com uma expressão indecifrável, enquanto examinava por um momento. Os olhos dele então se voltaram pra todos nós na sala, o olhar dele fixo. "Tenham isso bem claro na cabeça", ele falou, com a voz firme. "Eu vou fazer parte da vida desse bebê, quer vocês queiram ou não."
Com um movimento rápido, ele rasgou o envelope em quatro pedaços, os fragmentos de papel se espalhando pela sala. Foi um gesto simbólico, que nos deixou todos momentaneamente chocados. Eu vi quando ele virou a atenção pra mim, o olhar dele penetrante. "De quantas semanas você tá?" ele perguntou, com um tom surpreendentemente gentil.
"Quase seis", eu respondi, com a voz quase um sussurro. Os pedaços de papel rasgados flutuavam ao nosso redor, uma lembrança forte da reviravolta inesperada que nossas vidas tinham tomado.
Sebastian balançou a cabeça, as feições dele suavizando enquanto ele parecia absorver a realidade da situação. "Quando é a sua próxima consulta?" ele perguntou, com o interesse dele nos detalhes da minha gravidez me surpreendendo.
"Daqui a três semanas", eu respondi, ainda tentando processar o envolvimento repentino dele.
"Me passa seu telefone", ele falou, estendendo a mão. Eu olhei pra ele, confusa com o pedido. "O quê?" eu perguntei, precisando de esclarecimento.
"Me passa seu telefone", ele repetiu, a paciência dele se esgotando. Sem ter certeza, mas disposta a obedecer, eu entreguei o telefone pra ele, vendo quando ele digitou alguma coisa rapidamente. Ele me devolveu, e eu vi que ele tinha salvo o número dele nos meus contatos. "Quando a consulta estiver chegando, me avisa", ele instruiu, com um toque de preocupação que me pegou de surpresa.
Eu balancei a cabeça, com o coração ainda acelerado pelo turbilhão de emoções e ações que tinham acontecido em tão pouco tempo. Eu não conseguia acreditar que ele tava ali, que ele tava interessado em fazer parte dessa jornada. Era muita coisa pra assimilar, e minha cabeça tava fervilhando com um milhão de perguntas.
Kieran deu um passo à frente, com os instintos protetores dele a todo vapor. "Nem pense em machucar minha irmã", ele avisou, com o olhar fixo no Sebastian. "Ela já passou por muita coisa."
Sebastian olhou pro Kieran por um momento, com uma expressão séria. "Pode deixar", ele respondeu, com as palavras carregando um peso de sinceridade que me tranquilizou.
\ E com isso, Sebastian saiu da sala tão rápido quanto tinha entrado, deixando todos nós em estado de choque e incerteza.
Depois da saída brusca do Sebastian, teve um momento de silêncio atordoado na sala. O envelope rasgado ficou espalhado no chão como um lembrete da reviravolta inesperada dos acontecimentos que tinham acabado de acontecer na nossa frente. Foi a Bella que quebrou o silêncio primeiro com a reação dela toda animada.
"Que tesão!" ela gritou, com os olhos brilhando de emoção. "Ah, eu vou ser a melhor tia do seu bebezinho!"
Kieran não conseguiu evitar de reagir à animação dela com um tapa de brincadeira na cabeça dela. "A gente tá todo mundo em choque, e você tá toda boba", ele repreendeu ela.
Bella esfregou a parte de trás da cabeça, fingindo que tava emburrada por um momento antes de abrir um sorriso enorme. "O que não dá pra gostar?" ela exclamou, com o entusiasmo dela inabalável. "Um bebê é uma benção. E o fato do bebê ser um Thornton. Meu Deus, o bebê já tá ganhando na vida!"
As palavras dela, mesmo sendo leves, carregavam um toque de verdade. Era difícil não sentir um brilho de esperança e emoção em meio ao caos da situação. A ideia de trazer uma criança ao mundo era algo profundo, e o fato de que ele teria o sobrenome Thornton adicionava uma camada extra de significado ao momento.
Um sorriso leve surgiu no meu rosto quando eu ouvi a animação contagiante da Bella. Ela tava certa; essa criança, independente das circunstâncias, era mesmo uma benção. No entanto, no fundo, eu não conseguia tirar a sensação de que essa jornada ia ser bem difícil. Ia ter desafios, obstáculos e incertezas que a gente não conseguia prever.
Kieran, sempre o prático, respirou fundo e olhou pra mim com preocupação nos olhos. "Você tá bem?" ele perguntou, com a voz gentil. "É muita coisa pra assimilar, e eu quero ter certeza que você tá bem."
Eu agradeci a preocupação dele e balancei a cabeça, embora minhas emoções ainda estivessem em turbilhão. "Eu tô bem, Kieran", eu respondi suavemente. "É que… tudo aconteceu tão rápido. Eu nunca esperava que o Sebastian reagisse dessa forma."
Kieran suspirou e passou o braço pelos meus ombros, oferecendo um abraço reconfortante. "Nenhum de nós esperava", ele falou. "Mas a gente tá junto nessa, e a gente vai dar um jeito conforme as coisas forem acontecendo. Você não precisa passar por isso sozinha."