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Los Angeles, Sebastian
Depois de mandar a mensagem pra Mia, eu sabia que a bola tava no campo dela agora. Eu tava desesperado pra ouvir a voz dela, pra tranquilizá-la, e pra contar o que tava rolando. Mas meu lance com a honestidade significava que eu tinha que esperar ela ligar de volta, um momento de expectativa que pesava muito em mim.
Decidi clarear a mente tomando um banho. A água quente caiu em mim, acalmando meus músculos tensos, e deixando meus pensamentos voltarem pra Mia. Enquanto a vapor enchia o banheiro, eu não consegui evitar a esperança de que ela estivesse segura e que nada de ruim acontecesse com ela durante o dia.
A água morna fez sua parte em aliviar um pouco da tensão que tinha se acumulado dentro de mim, e quando eu saí do chuveiro, me senti mais calmo. Me sequei, enrolei uma toalha na cintura e fui pro quarto.
Me vestir pro trabalho pareceu um processo mecânico, minha mente ainda ocupada com os pensamentos na Mia. Pentei meu cabelo e tentei dar uma organizada na minha aparência. Minhas roupas foram cuidadosamente escolhidas, mas faltava o entusiasmo de sempre que eu tinha ao me arrumar.
Meu reflexo no espelho mostrava um cara com a mente longe, perdido em um labirinto de emoções. Eu sabia que o dia ia ter reuniões importantes e responsabilidades urgentes, mas meus pensamentos nunca estavam longe da minha esposa.
Depois de finalmente terminar minha rotina da manhã, desci as escadas e entrei na cozinha. O café da manhã foi simples hoje, consistindo em uma tigela de cereal e uma xícara fumegante de café. O som dos grãos de cereal batendo na tigela de porcelana pareceu mais alto que o normal, quase ecoando a solidão que eu sentia naquele momento.
A primeira mordida no cereal, os sabores pareciam sem graça, um contraste gritante com o turbilhão de emoções que tinha me consumido nas últimas horas. Tomei um gole de café, o calor se espalhando por mim, mas falhando em afastar o frio da incerteza que pairava no ar.
Com o café da manhã completo, peguei minha maleta e os arquivos que eu precisava pras reuniões do dia. O som familiar das chaves do meu carro chacoalhando na minha mão foi um lembrete gritante de que o dia tava seguindo em frente, independente da manhã tumultuada que eu tinha vivido.
Eu fui pro meu carro, a luz do sol filtrando pelas árvores e criando padrões manchados na calçada. O mundo ao meu redor parecia continuar com sua rotina normal, alheio à turbulência que tinha abalado minha própria existência.
Ajeitado no banco do motorista e ligando o motor, minha relutância em ir pro trabalho continuou. As responsabilidades e compromissos que me esperavam lá sempre foram uma força motriz, mas hoje pareciam um fardo que eu tinha que carregar.
A viagem pro trabalho foi cheia de silêncio, o rádio desligado. Minha mente tava muito ocupada com a Mia e a situação não resolvida que tinha rolado de manhã. Cada rua que eu passava, cada prédio que eu via, me lembrava dela.
Eu sabia que tinha que estar no meu melhor pras próximas reuniões, pra cumprir os deveres profissionais que me esperavam. Mas mesmo quando entrei no estacionamento, não consegui evitar uma pontada de tristeza e frustração.
Quando entrei no prédio do escritório, a atmosfera agitada dos colegas se movendo e as vistas e sons familiares do local de trabalho me cercaram. O peso da responsabilidade era tão tangível quanto o ar que eu respirava, e eu me preparei pro dia.
As reuniões eram importantes, e eu precisava estar totalmente presente. Era um teste da minha capacidade de compartimentalizar minhas emoções, deixar de lado a turbulência pessoal e focar nas tarefas profissionais em mãos. Eu não podia permitir que minhas preocupações com a Mia obscurecessem meu julgamento ou prejudicassem meu desempenho.
Dentro da sala de conferências, as discussões começaram, e eu me forcei a me envolver totalmente, a ouvir atentamente e a contribuir com os procedimentos. Foi um esforço deliberado, uma corda bamba entre compromissos pessoais e profissionais.
No meio das palavras do orador, eu senti um movimento sutil ao meu lado, algo que quebrou a concentração que eu tinha construído ao longo da apresentação. A minha assistente, que estava sentada ao meu lado, se inclinou mais perto, seus olhos cheios de um senso de urgência.
Meu coração deu um pulo. O que poderia ser tão importante que ela interromperia a apresentação? Era a Mia? Uma onda de medo me inundou, e eu rapidamente me desculpei da sala, saindo.
No corredor, eu cheguei perto dela, minhas sobrancelhas franzidas de preocupação. 'O que aconteceu?' Eu perguntei secamente, a ansiedade na minha voz impossível de esconder.
A minha assistente encontrou meu olhar, sua expressão séria. 'Você tem uma ligação, senhor. É importante', respondeu ela, segurando um telefone pra mim.
Meus pensamentos correram. Eu tinha medo que algo tivesse acontecido com a Mia, mas a atitude da minha assistente não transmitia esse tipo de urgência. Se não era sobre minha esposa, então o que poderia ser tão crucial? Ainda assim, eu não consegui evitar a esperança de que meus medos fossem infundados.
Peguei o telefone da mão dela, uma sensação de apreensão percorrendo meu corpo. Meus dedos se apertaram em volta do aparelho quando o coloquei na orelha. 'Thornton', eu disse secamente, minha voz tingida de desconforto.
Do outro lado da linha, ouvi uma voz que eu não reconhecia, distorcida por algum tipo de software pra fazer com que soasse diferente. O tom artificial enviou um arrepio na minha espinha. 'Sebastian', disse a voz de forma monótona, quase robótica. 'Eu só tenho uma coisa a dizer.'
Meu coração disparou, e eu não consegui evitar a tensão com as implicações da ligação misteriosa. Meu pensamento imediato foi na Mia. Estavam ameaçando ela? A voz continuou, 'Vem em uma hora embaixo da ponte que não fica longe da sua empresa. A ponte vermelha. Se você quiser manter sua esposa segura.'
A mensagem enviou uma onda de choque de pânico em mim. Eu estava dividido entre uma crescente sensação de medo e a necessidade de responder. 'O quê?!' Eu comecei, minha voz cheia de descrença e raiva, mas antes que eu pudesse pedir mais informações, a ligação terminou abruptamente.
Eu olhei pro telefone, minha mente correndo e meu coração batendo no meu peito. As ameaças estavam aumentando, e o chamador desconhecido tinha arrastado a Mia pra essa situação perigosa. O peso da mensagem, a urgência na voz, me deixou me sentindo impotente e vulnerável.
A ponte vermelha era um marco conhecido, não muito longe da minha empresa. Sua estrutura tinha um ar de familiaridade, mas agora representava um futuro premonitorio, cheio de incertezas e perigos. Eu não conseguia entender o motivo por trás dessa ligação sinistra, mas uma coisa era clara: eu tinha que responder, eu tinha que garantir a segurança da Mia.
A minha assistente me observou, seus olhos cheios de preocupação. 'Senhor, o que devemos fazer?' ela perguntou, sentindo claramente a urgência da situação.
Eu sabia que não tinha escolha. Minha responsabilidade não era só com minha esposa, mas também com a segurança do nosso filho que ainda ia nascer. 'Ligue pra polícia', eu instruí, me referindo ao meu melhor amigo. 'Diga pra eles me encontrarem na ponte vermelha.'
Meu coração disparou com pânico quando tentei ligar pra Mia repetidamente, as mensagens de correio de voz repetidas só alimentando minha ansiedade. Ela não estava atendendo, e a cada ligação sem resposta, meu medo pela segurança dela se intensificava.
\Num movimento desesperado, disquei pra Bella, esperando por alguma informação sobre a Mia. Quando ela atendeu, eu soltei minhas preocupações, mal conseguindo esconder a preocupação na minha voz. 'Bella, onde está a Mia? Eu estou tentando falar com ela e ela não atende.'
A voz da Bella continha uma pitada de surpresa quando ela respondeu, 'A Mia tá no trabalho. Ela saiu esta manhã pro trabalho dela.'
Alívio me inundou. Saber que a Mia estava no trabalho trouxe uma medida de conforto, mas não aliviou totalmente o desconforto que eu sentia sobre a ligação sinistra que eu tinha recebido antes. Ainda assim, foi uma confirmação tranquilizadora de que a Mia estava segura no momento.
Terminei a ligação com a Bella, agradecendo a ela pela informação, e então corri pra fora do prédio. Meu coração ainda estava disparado, e o medo que tinha me dominado permaneceu um peso pesado. Eu precisava chegar na ponte vermelha, pra enfrentar a ameaça e garantir a segurança da Mia.
Meu carro estava estacionado no estacionamento próximo, e eu corri em direção a ele, minha mente fixada na necessidade urgente de chegar à ponte. Cada segundo que passava era um segundo que a segurança da Mia estava em questão.
Quando eu saí do estacionamento, meus pensamentos foram consumidos pela Mia e pelo confronto iminente. A viagem pra ponte vermelha foi repleta de tensão, a estrada que se estendia à frente parecendo interminável.
Os minutos passaram, e quando me aproximei do cruzamento que levava à ponte, senti meu pé se mover para o pedal do freio. Meu coração bateu forte, e o peso do encontro iminente era palpável. Minha mão se apertou no volante quando tentei diminuir a velocidade, mas algo estava errado.
Pânico correu por mim quando percebi que os freios não estavam respondendo. Eu bombeei o pedal do freio, mas era como se o carro tivesse perdido sua capacidade de parar. Eu podia ver um caminhão enorme à frente, sua presença imponente bloqueando a estrada. A proximidade do impacto foi imediata, e não havia como evitar a colisão.
\ naquele momento aterrorizante, tudo ficou escuro. O mundo ao meu redor desapareceu, e o som estridente de metal contra metal encheu o ar. O impacto foi brutal, e o carro estremeceu com a força da colisão. Meu corpo se moveu pra frente, contido pelo cinto de segurança, enquanto o mundo ao meu redor foi jogado no caos.