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Nova York, Mia
A cesta de roupa suja no canto do meu quarto tinha virado uma montanha ameaçadora de roupa pra lavar, tipo um atestado da minha falta de energia recente. Já fazia semanas que eu não dava conta dessa parada, e tava na hora de organizar a bagunça dos tecidos. Minha barriga crescendo, provando a vida nova brotando dentro de mim, tava sugando minha energia, e eu não podia mais ignorar a existência persistente da roupa suja.
Com um senso de determinação, comecei a tarefa árdua. Separei todas as roupas em duas pilhas, separando as cores claras e escuras. O zumbido suave da máquina de lavar encheu o quarto enquanto eu colocava a primeira leva de roupa. Era uma tarefa que exigia toda a minha atenção, e fiquei aliviada de ver a roupa finalmente sendo cuidada.
Quando fechei a tampa da máquina de lavar, percebi que não estava me sentindo bem ultimamente. A fadiga e os acessos ocasionais de enjoo eram companheiros indesejados nessa jornada de gravidez. Me disseram que eram os hormônios, mas isso não tornava o desconforto mais fácil de aguentar. Mesmo assim, tinha uma sensação de alegria por baixo de tudo, sabendo que essas mudanças no meu corpo eram por uma razão maravilhosa.
Meu corpo pedia comida, e fui pra cozinha, guiada pelo cheiro tentador de fruta fresca. Abri a geladeira e peguei um cacho de uvas, uma maçã e algumas laranjas que eu tinha descascado com carinho no dia anterior. Lavei as uvas e cortei a maçã, o cheiro crocante e suculento dela revigorando. Sabia que cuidar de mim era fundamental, não só pela minha saúde, mas pelo bem-estar da vida crescendo dentro de mim.
Sentada na mesa da cozinha, me deliciei com as frutas refrescantes e nutritivas. Os sabores doces e frios eram um contraste bem-vindo com o caos da lavanderia. Meu celular estava na mesa, e decidi tirar um tempinho pra mim, navegando pelas redes sociais enquanto comia. As imagens e histórias de amigos e conhecidos proporcionaram uma breve escapada, uma janela pro mundo além do meu.
A medida que continuei navegando, recebi uma mensagem da Bella. Ela tava por aí, se oferecendo pra pegar o almoço pra gente. Foi um pequeno ato de gentileza que significou o mundo pra mim, considerando como eu estava me sentindo ultimamente. Agradeci a ela pela consideração e esperei ansiosamente pela refeição que ela traria.
Enquanto esperava a volta da Bella, meu olhar vagueou pelo chão da cozinha, que precisava de atenção. Era uma tarefa que estava na minha lista de coisas pra fazer há um tempo, e agora parecia um bom momento pra encarar. Me levantei da mesa, grata pela explosão temporária de energia.
Peguei o esfregão e enchi o balde com água e sabão. O movimento rítmico do esfregão pelo chão trouxe uma sensação de satisfação. Era uma tarefa simples, mas ajudou a criar um ambiente mais limpo e confortável pra mim e pro meu bebê. O cheiro da solução de limpeza encheu o ar, misturando-se ao aroma persistente da fruta fresca.
Enquanto limpava diligentemente a casa, o cheiro de limpeza e os ecos fracos das minhas tarefas pairavam no ar. A roupa estava separada, o chão da cozinha esfregado, e eu estava arrumando a sala quando a porta se abriu, e a Bella entrou.
'Trouxe comida chinesa pra nós', ela anunciou com um sorriso caloroso. O aroma delicioso da comida chinesa encheu a sala, e meu estômago não pôde deixar de responder aos cheiros convidativos.
'Mmh', murmurei em agradecimento, colocando os produtos de limpeza e indo pra cozinha. A fome tinha me pegado, e a ideia de uma deliciosa comida chinesa era tentadora demais pra resistir. Peguei dois pratos do armário e comecei a nos servir porções generosas dos pratos saborosos.
Sentamos na mesa da cozinha, e com a primeira mordida, os sabores explodiram no meu paladar. Estava ainda melhor do que eu lembrava, especialmente porque já fazia um tempo que eu não comia culinária chinesa. A combinação de sabores e texturas foi um deleite delicioso.
A Bella e eu saboreamos nossa refeição, nossa conversa leve e fácil. Depois de alguns momentos aproveitando a comida, não consegui mais conter a notícia empolgante.
'Então', comecei, limpando a boca com um guardanapo, 'o Sebastian e eu conversamos ontem à noite.' A Bella me olhou curiosa, seu interesse aguçado. 'Estávamos discutindo algo importante.'
A Bella se inclinou, seus olhos fixos em mim. 'Sim?' ela perguntou.
'Bem', continuei com um sorriso, 'conversamos sobre quem deveria ser a madrinha do nosso filho.' As sobrancelhas da Bella se levantaram de surpresa, e seus olhos brilharam de curiosidade.
'E?' ela perguntou ansiosamente.
Meu sorriso ficou ainda maior ao dar a notícia. 'Nós dois concordamos que você deveria ser a madrinha', anunciei.
Os olhos da Bella se encheram de lágrimas, e um suspiro de alegria escapou de seus lábios. Ela se jogou em mim, me envolvendo em um abraço apertado e emocionante. 'Sério?' ela sussurrou, sua voz cheia de admiração.
Abracei-a de volta, sentindo o calor do seu abraço e a profundidade da sua felicidade. 'Sim, sério', respondi, meu coração inchando de gratidão pela amizade e apoio que ela me deu ao longo dos anos.
'Que honra', disse a Bella, sua voz tremendo de emoção. Ela enxugou uma lágrima da bochecha. 'Eu não posso acreditar.'
Olhei pra ela, sentindo a sinceridade das minhas palavras. 'Você cuida tão bem de mim, Bella. Eu sei que você também vai cuidar muito bem do nosso bebê', eu a tranquilizei, minha mão repousando suavemente na minha barriga grávida. A ideia de ter a Bella como madrinha me trouxe imenso conforto, sabendo que meu filho seria cercado de amor e proteção.
Os olhos da Bella brilharam com lágrimas de alegria. 'Eu vou proteger seu bebê com a minha vida', ela prometeu.
Eu sorri.
Enquanto a Bella e eu apreciávamos nossa refeição, a conversa fluiu naturalmente, e meu coração estava transbordando de emoção sobre a chegada do meu bebê e a perspectiva da Bella ser a madrinha. Rimos e compartilhamos histórias, e o calor da amizade encheu a sala.
Mas então, sem aviso, meu sorriso vacilou. Parecia que o chão tinha se movido sob mim. De repente, senti uma onda esmagadora de tontura me atingir. O quarto pareceu girar, e meu estômago revirou com uma náusea perturbadora. Instintivamente, agarrei a borda da mesa para me firmar, minhas juntas ficando brancas com o esforço.
A voz da Bella, cheia de preocupação, chegou aos meus ouvidos como se viesse de um lugar distante. 'Mia, você está bem?' ela perguntou, suas palavras mal se registrando nas sensações desorientadoras que giravam ao meu redor.
Minha visão borrou, e o mundo girou mais rápido, como se eu estivesse presa em uma montanha-russa implacável e sem fim. O pânico me dominou quando minha cabeça parecia estar girando em direções diferentes ao mesmo tempo, e cada respiração se tornou uma luta.
'Mia?' A voz da Bella, embora fraca, ficou mais urgente. Eu queria responder, tranquilizá-la que eu estava bem, mas as palavras pareciam presas na minha garganta.
O quarto continuou a girar, e minha consciência se manteve por um fio frágil. Lutei para ficar focada, para me apegar à realidade, mas o mundo ao meu redor se dissolveu em um redemoinho incompreensível de cores e formas.
E então, em um momento de fraqueza avassaladora, tudo ficou em branco. A sensação do mundo girando, a tontura desorientadora e o quarto cheio de preocupação desapareceram quando sucumbi à inconsciência.
O tempo pareceu perder todo o sentido enquanto eu vagava em um vazio, alheia a tudo ao meu redor. Era como se eu estivesse suspensa em um espaço liminar, nem aqui nem ali. Naquele abismo escuro, não havia noção de tempo ou lugar, apenas um vazio profundo.