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Nova Iorque, Mia
Estava na cozinha, preparando o café da manhã pra mim, quando a Bella entrou tipo, desesperada. Olhei pra ela, meio chocada. "Achei que você ia na loja?" perguntei, curiosa. Dava pra ver que era urgente.
Ela me pegou pela mão e quase me arrastou pra fora. Fui atrás, com um aperto no coração. Quando vi o que fizeram com a frente do nosso apê, meus olhos arregalaram. Tinha papel higiênico pra todo lado, tipo um mar branco e caótico. Jogaram ovos na parede, que fizeram uma sujeira que ia ser um pesadelo pra limpar.
"Que porra é essa?!" exclamei, com raiva e sem acreditar. "Como a gente não ouviu nada?"
A Bella, ofegante por ter entrado correndo, explicou, "Nosso ar condicionado é muito barulhento."
Mas quando ela apontou pro grafite na parede e me mostrou o que tava escrito, meu coração disparou. "Tá escrito, 'Livre-se dessa criança do demônio'."
Minha respiração travou na garganta. Isso não era uma brincadeira normal. Era uma ameaça, uma mensagem aterrorizante que bateu direto nos nossos maiores medos.
A Bella pegou o celular do bolso rapidinho, com as mãos tremendo um pouco. "Vou ligar pra polícia", ela disse, com a voz urgente.
Neguei com a cabeça, com a mente a mil, com medo e raiva. "Não, Bella, liga pro Patrick. Ele tá cuidando desse caso. Ele precisa ver isso."
A Bella concordou, discando o número rapidinho. Eu, por outro lado, peguei meu celular e tirei fotos da vandalização. Mandei as fotos pro Sebastian numa mensagem, com os dedos tremendo um pouco enquanto digitava uma explicação rápida.
A ligação do Sebastian veio quase que na hora. "Quem fez isso?!" ele berrou, com a voz cheia de preocupação.
Respirei fundo, tentando me acalmar. "Nosso stalker", respondi. "Isso tá saindo do controle, Sebastian. Espero que o Patrick pegue ele logo."
Ouvi o Sebastian suspirar do outro lado da linha, a frustração dele era óbvia. "Eu também espero. Você vai trabalhar mais tarde?"
Concordei com a cabeça, mesmo que ele não pudesse me ver. "Sim, claro."
"Por favor, se cuida, Mia", ele implorou, a preocupação dele por mim era palpável.
"Vou me cuidar, Sebastian", garanti pra ele, com o coração pesado com o peso da situação.
"Eu te amo", ele disse, as palavras cheias de carinho e sinceridade.
"Eu também te amo", respondi, com um nó na garganta. Queria que ele estivesse aqui comigo nesse momento de medo e incerteza.
Quando a ligação acabou, virei pra Bella, que ainda tava no telefone com o Patrick. Ela desligou depois de uns minutinhos e passou o recado dele. "O Patrick disse que vai vir aqui em uns minutos. Ele quer ver a cena pessoalmente."
Concordei, agradecida por termos alguém como o Patrick trabalhando nesse caso. Mas o medo e a insegurança continuavam, como uma nuvem escura sobre nossas vidas. Nosso stalker tinha intensificado as ações, e a gente ficou se perguntando até onde ele ia.
Depois que o Patrick veio e tirou fotos de tudo, só esperamos que não piore.
Juntas, eu e a Bella começamos a limpar a bagunça, tentando trazer um pouco de ordem pra nossa entrada. Mas tava claro que a gente estava vivendo na sombra de uma ameaça perigosa, e o único consolo que tínhamos era a esperança de que o Patrick resolvesse isso antes que piorasse.
Minha ida pro trabalho pareceu uma mera formalidade, minha mente muito longe das tarefas e responsabilidades que me esperavam. Era como se eu estivesse no automático, navegando pelo mundo ao meu redor, mas sem estar realmente presente. Pensamentos nos acontecimentos recentes no meu apartamento, a mensagem perturbadora deixada pelo nosso stalker e o bem-estar do meu filho que ia nascer consumiam cada momento em que eu estava acordada.
Enquanto eu comecei a ajudar meus clientes, não demorou muito pra eles sentirem que meus pensamentos estavam em outro lugar. Eles eram perceptivos, notando o olhar distante nos meus olhos, as falhas na minha concentração. Tentei manter uma fachada de profissionalismo, mas tava claro que eu não estava totalmente presente.
Felizmente, meus clientes não me pressionaram com perguntas ou preocupações. Eles me deixaram seguir com as coisas, uma compreensão silenciosa entre nós de que existem momentos na vida em que a mente precisa de espaço para vagar, processar e curar.
Com cada cliente, eu me esforçava, oferecendo apoio e orientação da melhor maneira possível. Mas foi um alívio quando meu último cliente foi embora, e me vi sozinha no meu escritório. O peso das interações do dia e a turbulência na minha vida pessoal caíram sobre mim.
Respirei fundo, afundando na cadeira atrás da minha mesa, sentindo o peso do cansaço se instalando. Meu coração disparou, meus pensamentos eram um turbilhão caótico. Fiquei olhando pela janela, vendo o mundo seguir em frente enquanto eu permaneci presa numa maelstrom de emoções e medo.
Minha vida toda tava uma bagunça, um ciclo implacável de seguir em frente e lidar com as incertezas e ameaças que invadiram meu mundo. Eu ansiava por uma sensação de normalidade, por paz e segurança, mas parecia perpetuamente fora de alcance.
Alguém bateu na porta do meu escritório, e a minha Assistente da Mia entrou, com uma expressão gentil e carinhosa. 'Rosquinha e água pra você, Sra. Thornton', ela disse, colocando a bandeja na minha mesa.
Consegui esboçar um sorriso fraco de gratidão, meu apetite despertou pela simples oferta. 'Obrigada', respondi, com a voz mais suave do que o normal.
Ela ficou por um momento, a preocupação dela era evidente. 'Posso sair mais cedo hoje?' ela perguntou, com a voz misturando profissionalismo e empatia.
Concordei com a cabeça em reconhecimento, apreciando a compreensão dela. 'Sim, pode', eu disse, reconhecendo que eu não era a única afetada pelo caos da minha vida.
A minha assistente saiu da sala, e finalmente fiquei sozinha, com nada além da presença silenciosa da rosquinha e da água na minha frente. Dei pequenas mordidas, encontrando conforto na familiaridade da comida, mesmo que meus pensamentos continuassem a se agitar.
O cansaço que vinha crescendo ao longo do dia me atingiu como uma onda, e percebi o quanto eu tinha me forçado. Afundei na cadeira, sobrecarregada por uma sensação de cansaço que vinha fervendo por baixo da superfície.
Minhas pálpebras ficaram pesadas, e antes mesmo de terminar a rosquinha, me vi caindo num sono profundo. Meu corpo se entregou à necessidade de descanso, e minha mente, mesmo que por um breve período, teve uma pausa da turbulência que era minha constante companheira.
Enquanto eu dormia, o mundo fora da janela do meu escritório continuou a seguir em frente, alheio às lutas e medos que estavam dentro dessas quatro paredes.