23
Nova York, Mia
De volta ao trabalho, me vi sentada no meu escritório com uma vista incrível da Times Square pela janelona. A energia agitada da cidade lá fora era um contraste gritante com a atmosfera focada e composta do meu espaço de trabalho. Hoje era um dia importante, com duas clientes novas agendadas, mas era a ideia de ver minha cliente regular, Sophia, que adicionava uma pitada de animação ao dia.
Enquanto me aprofundava no meu trabalho, o aroma agradável do perfume Bare Vanilla pairava no ar, instantaneamente reconhecível. Não consegui evitar sorrir, sabendo exatamente quem era. Me virei para encontrar uma Sophia radiante parada na porta, com os olhos brilhando de alegria. Sua lua de mel tinha sido uma experiência deliciosa, aparentemente.
"Miaaaa", ela gritou com entusiasmo enquanto corria na minha direção e me envolveu em um abraço apertado. "Ughh, senti tanto a sua falta."
"Também senti a sua falta", respondi, retribuindo o abraço. Sophia sempre foi uma das minhas clientes favoritas, não só por sua personalidade vibrante, mas também pela conexão genuína que compartilhávamos.
Ela se afastou um pouco, com os olhos cheios de curiosidade e animação. "Ouvi falar de tudo enquanto estava em lua de mel", ela disse, sua ânsia evidente. "Termina logo, e a gente conversa."
Eu balancei a cabeça para ela, entendendo a necessidade de atender às necessidades da minha cliente atual antes de mergulhar em uma conversa pessoal. Enquanto Sophia se acomodava em seu lugar favorito no sofá no canto do meu escritório, voltei para ajudar minha segunda cliente.
Vinte minutos depois, concluí a sessão com minha segunda cliente e chamei Sophia de volta para o meu escritório. Ela entrou com um sorriso que podia iluminar um cômodo, claramente ansiosa para colocar a conversa em dia.
"Vamos começar por você estar grávida do meu cunhado", Sophia começou, seus olhos dançando de entusiasmo enquanto falava. "Vamos ser irmãs!"
Não consegui evitar rir do entusiasmo dela e balancei a cabeça em resposta. "É, acho que não", brinquei.
Sophia levantou uma sobrancelha, sua expressão curiosa. "O que você quer dizer?", ela perguntou, sua curiosidade despertada.
Respirei fundo, percebendo que era hora de colocar Sophia a par de tudo o que havia acontecido em sua ausência. Com o coração pesado, comecei a relatar os desafios, escândalos e incertezas que se desenrolaram desde sua partida.
Enquanto eu falava, o rosto de Sophia se transformou de um de entusiasmo para um de preocupação e empatia. Ela ouviu atentamente, absorvendo todos os detalhes das provações e tribulações que se tornaram parte integrante da minha vida.
Quando terminei de compartilhar minha história, Sophia se levantou e correu na minha direção, me envolvendo em um abraço sincero. Seu abraço transmitiu uma profunda sensação de apoio e compreensão que eu precisava desesperadamente.
"Você é tão forte", ela sussurrou no meu ouvido, sua voz cheia de admiração e afeto. "Não consigo acreditar que você passou por tudo isso e ainda está firme e forte."
Pisquei para trás lágrimas, tocada pelas palavras de Sophia.
"Obrigada, Soph, as coisas têm sido uma montanha-russa por aqui", admiti com um suspiro, reconhecendo a jornada tumultuada que tive ultimamente.
Sophia enfiou a mão na bolsa e tirou algo que instantaneamente chamou minha atenção – donuts, meus lanches favoritos. Minha boca encheu d'água só de olhar para eles.
"Para você, mamãe", disse Sophia, entregando-me os doces deliciosos.
"Eles parecem tão gostosos", exclamei, minha animação evidente. Donuts recém-assados tinham uma maneira de tornar qualquer dia melhor.
"Recém-assados por mim mesma", Sophia respondeu com um sorriso orgulhoso.
Não consegui evitar me sentir tocada por seu gesto. Sophia não era apenas minha cliente favorita, mas também uma padeira talentosa com sua própria loja de bolos em Nova York. Seus donuts e panquecas eram lendários, e eu poderia facilmente devorar uma caixa inteira de suas criações deliciosas.
Ao estender a mão para pegar um dos donuts, minha gratidão transbordou. "Obrigada", eu disse sinceramente, apreciando o conforto de guloseimas familiares e amadas em meio ao caos.
Sophia e eu conversamos enquanto nos deliciávamos com os donuts de dar água na boca, deixando temporariamente de lado o peso do mundo. Sua presença trouxe uma sensação de normalidade à minha vida, caso contrário, turbulenta, e eu valorizei cada momento que passamos juntas.
Assim que estávamos absortas em nossa conversa e nos deliciosos donuts, uma batida suave na porta interrompeu nosso momento de trégua.
"Entre", eu chamei, curiosa sobre o visitante inesperado.
A porta se abriu, revelando a recepcionista segurando um buquê de rosas brancas imaculadas. Franzi a testa, me perguntando quem poderia ter me enviado um presente tão elegante e inesperado.
"Isso é para você, Srta. Anderson", anunciou a recepcionista enquanto colocava o buquê na minha mesa.
Sophia levantou uma sobrancelha em divertimento, sua curiosidade despertada. "Hum, admirador secreto? Ou Sebastian?", ela especulou, seu tom brincalhão cheio de humor.
Examinei o buquê, intrigada com a escolha das rosas brancas. "Meio estranho, né?", eu meditei, "Você não dá isso para alguém que está… bem, morto?"
Sophia riu da minha observação. "Falou e disse", ela concordou, seu interesse crescendo. "O que está escrito no cartão?"
Estendi a mão para o envelope que estava em cima do buquê, dividida entre a curiosidade e a apreensão. Com o incentivo de Sophia, abri cuidadosamente o envelope e peguei o cartão.
Enquanto lia as palavras no cartão, nossos olhos se arregalaram em choque, e pude sentir arrepios formigando por todo o meu corpo. A mensagem no cartão me deu um arrepio na espinha, e senti uma sensação perturbadora de pavor me invadir.
Livre-se desse bebê ou morra com ele x