24
Nova Iorque, Mia
O quarto tava mais frio que o normal, tipo se uma mão gelada tivesse entrado e agarrado nossos corações. A cara da Sophia, que normalmente brilhava, tava pálida que nem giz. Ela tava lá, segurando o buquê de flores que tinha chegado, com uma sensação de medo nos olhos.
'Que merda é essa?!" Sophia murmurou, com a voz tremendo, enquanto pegava as flores e jogava na lixeira. Sua mão tremendo, então, foi pra o cartão que veio junto, e ela rapidinho tirou uma foto com o celular.
Não consegui evitar de sentir um arrepio na espinha enquanto assistia as ações dela. 'O que você tá fazendo?" eu consegui gaguejar, minha voz igualmente instável, meu coração batendo que nem um tambor.
'Vou mandar pro Patrick," Sophia respondeu, a voz ainda tremendo. 'Ele tem um detetive particular. E ele pode descobrir de quem é a letra."
Eu dei uma olhada no cartão, que parecia um papel qualquer. 'A letra parece qualquer letra normal," eu falei, tentando diminuir a tensão. Mas lá no fundo, eu sabia que essa situação tava longe de ser normal.
A minha vida tinha virado uma tempestade caótica ultimamente, e o medo virou um companheiro constante. Tava rolando tanto drama, problema e mistério em volta de mim que eu mal tava conseguindo acompanhar tudo. Eu tava morrendo de saudade dos dias em que a vida era simples e previsível, quando eu não tinha que me preocupar com cartões anônimos e suas mensagens sinistras.
'Ele também pode escanear pra pegar as digitais," Sophia adicionou, a voz com um tom de preocupação. Mas quando ela viu o quão branca eu tava, ela abandonou seus pensamentos investigativos e chegou mais perto, me abraçando num abraço aconchegante.
'Ei, vai ficar tudo bem, eu prometo," ela sussurrou, as palavras como um bálsamo calmante pros meus nervos em frangalhos. 'Isso é só uma fase ruim, e a gente vai passar por isso juntas."
Lágrimas encheram meus olhos, e eu não consegui mais conter a enxurrada de emoções que vinham se acumulando dentro de mim. Eu comecei a chorar, meus soluços escapando sem controle. Sophia não tentou me calar ou oferecer palavras de conforto. Ela simplesmente me segurou, a presença dela uma tábua de salvação na tempestade de incerteza que tinha nos engolido.
Enquanto eu chorava, não consegui evitar de refletir sobre a minha situação atual. Todo mundo em volta de mim sempre disse que a gravidez era uma bênção, uma época feliz cheia de esperança e expectativa. Mas pra mim, tinha virado um pesadelo, uma maldição que parecia trazer só medo, confusão e desespero.
Eu pensei nas dificuldades que eu tava enfrentando, nas mensagens misteriosas, e na incerteza de quem tava por trás disso tudo. O peso de tudo isso tinha ficado insuportável, e eu me vi duvidando se ia conseguir continuar nesse caminho.
A Sophia continuou me segurando, a presença dela uma fonte de força e consolo.
Em meio ao mar turbulento de emoções que tinha me engolido, meu telefone tocou de repente, me tirando do desespero. Com as mãos tremendo, eu enxuguei as lágrimas que tinham borrado a minha visão e fui atender a chamada. No meio da névoa, eu vi que era o Sebastian ligando.
'Você também recebeu um bilhete?" ele perguntou com urgência quando eu atendi a ligação. A voz dele tava cheia de preocupação e com um tom de medo.
Eu funguei e balancei a cabeça, mesmo que ele não pudesse me ver. 'Sim," eu solucei, minha voz tremendo com uma mistura de alívio e ansiedade. Era reconfortante e perturbador saber que eu não era a única enfrentando essa situação bizarra.
'Como assim? Você também recebeu um?" eu perguntei, minha curiosidade superando meu sofrimento. Eu precisava entender a dimensão desse mistério que tava rolando.
O Sebastian suspirou do outro lado da linha, a frustração dele palpável mesmo pelo telefone. 'Sim," ele admitiu. 'Eu sei que você recebeu um porque o Patrick encaminhou a mensagem da Sophia pra mim. Você tá com a Sophia agora?"
Meu coração bateu forte enquanto eu confirmava minha localização atual. 'Sim, estou," eu respondi, olhando pra Sophia, que tava sentada por perto, com os olhos cheios de preocupação.
'Bom," o Sebastian disse, a voz resoluta. 'Fica com a Sophia até eu conseguir mandar alguém te buscar. Você precisa ter muito cuidado. Tem alguém por aí que preferia te ver morta do que viva."
O frio voltou, roendo as bordas da minha consciência. A constatação de que eu tinha um perseguidor, alguém com intenções maldosas espreitando nas sombras, era apavorante. Eu estremeci com a ideia de uma presença desconhecida observando cada passo meu, enviando mensagens enigmáticas que me deixavam exposta e vulnerável.
'Quem você vai mandar me buscar?" eu perguntei, minha voz tremendo de medo. Eu pensei se era mais seguro confiar na Sophia ou nos esquemas do Sebastian.
O Sebastian hesitou por um momento, sua preocupação evidente. 'Ela vai conseguir?" ele finalmente perguntou.
Eu virei pra Sophia e encontrei o olhar determinado dela. Ela balançou a cabeça, seus olhos mostrando tanto a disposição dela em ajudar quanto a preocupação com a minha segurança. 'Sim, ela vai," eu garanti, confiando na determinação da Sophia e no laço que a gente tinha.
'Então, que bom," o Sebastian disse, um tom de alívio na voz dele. 'Se cuida, tá?"
Eu balancei a cabeça, embora ele não pudesse me ver. 'Vou me cuidar," eu respondi, o peso da situação se instalando pesadamente nos meus ombros. Quando eu desliguei a ligação, não consegui evitar de me perguntar sobre a identidade da pessoa misteriosa por trás dos bilhetes, aquela que tinha transformado a minha vida num quebra-cabeça de pesadelo.
A pergunta da Sophia pairou no ar, pesada de incerteza. 'Você faz ideia de quem é?" ela perguntou, seus olhos me procurando em busca de um sinal de reconhecimento, uma pista que pudesse jogar luz sobre o mistério.
Eu balancei a cabeça, uma profunda sensação de frustração me corroendo. Tinha muitos adversários em potencial nas nossas vidas, muitas pessoas que podiam ter más intenções em relação ao Sebastian e a mim. Primeiro, tinha o Gavin, cuja vingança contra a gente tinha ficado dolorosamente evidente. Depois, tinha as dinâmicas complexas dentro das nossas famílias, cada uma carregada com suas próprias tensões e segredos. Nesse ponto, parecia que a lista de possíveis suspeitos tinha crescido tanto que podia incluir qualquer pessoa, até um completo estranho com rancor.
'Não faço ideia," eu admiti, minha voz cheia de desamparo. Eu conseguia sentir o peso do medo pressionando meus ombros, tornando cada passo nessa jornada através da incerteza árduo.
A Sophia ofereceu um sorriso tranquilizador, o apoio inabalável dela uma presença reconfortante em meio ao caos. 'Não se preocupe," ela disse, a voz dela suave. 'O Patrick vai resolver isso, e logo você vai estar segura e sã."
Eu respirei fundo e firme, encontrando consolo no conhecimento de que tínhamos alguém tão esperto quanto o Patrick do nosso lado. Pelo menos tinha uma faísca de esperança no horizonte, uma chance de desvendar esse enigma e acabar com os bilhetes atormentadores.
Eu olhei pra Sophia, a gratidão crescendo dentro de mim. 'O que seria de mim sem você?" eu sorri, um calor genuíno se espalhando pelo meu rosto. 'Vem, é hora de fazer minha mágica em você."
Com um jeito brincalhão, eu a levei pro meu escritório dos fundos, onde eu comecei a fazer minha mágica. A distração da nossa pequena sessão foi um alívio bem-vindo do peso dos meus problemas, uma lembrança de que havia momentos de normalidade mesmo em meio ao caos.
Depois que eu terminei com a Sophia, era hora de arrumar meu escritório e me preparar pra ir pra casa. A Sophia esperou pacientemente por mim na recepção, o apoio dela constante e reconfortante. Quando eu finalmente fiquei satisfeita que tudo tava no lugar, eu fechei a porta do meu escritório e fui me juntar a ela na recepção.
Enquanto a gente caminhava juntas em direção à saída do prédio, meu telefone tocou, me fazendo franzir a testa de surpresa. Eu atendi com cautela, meu coração acelerando enquanto eu me perguntava quem poderia estar me ligando naquele momento.
'Alô," eu cumprimentei, tentando esconder o desconforto na minha voz.
'Você viu a entrevista, meu amor?" A voz do outro lado me deu um arrepio na espinha.
Era ninguém menos que o Gavin, seu filho da puta Campbell.