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Nova York, Mia
Já tinham se passado uns meses, e eu tava numa situação que só dá pra descrever como surreal. Meu corpo tinha crescido tipo um elefante, e cada dia tava sendo uma luta. A gravidez tava longe de ser fácil, e eu não via a hora de acabar. Sorte que as últimas semanas tavam chegando, ou pelo menos eu achava.
Um dia normal, eu tava na cozinha, trampando firme na pilha de louça que nunca acabava. O peso da minha situação tava em todo lugar, mas eu já tava acostumada com isso faz tempo. Tava lá, pensando na vida, quando, de repente, senti uma parada estranha escorrendo pela minha coxa. O pânico bateu, e eu sussurrei, 'Ai, não.'
Sebastian, meu parça, tava na sala, ligado em alguma coisa na TV. A voz dele ecoou pela casa, 'Que foi?' A preocupação tava na voz dele, quando ele correu pra cozinha, mó confuso na cara. 'Você fez xixi no chão da cozinha?'
Eu forcei um sorriso fraco no meio do caos, mas não tinha como negar a real da situação. 'A bolsa estourou,' eu falei pra ele, tentando manter a calma. O choque foi forte, e o pânico logo correu nas veias dele.
'Caraca, espera, preciso pegar suas coisas,' Sebastian gaguejou, com a cabeça a mil, pensando na viagem pro hospital que tava pra acontecer. A mente dele voou pela sala, catando a mala do hospital que a gente tinha feito semanas atrás. Nesses momentos, é fácil esquecer onde você colocou uma coisa importante.
Enquanto ele corria de um lado pro outro feito louco, meu desconforto aumentou. As cólicas na barriga ficaram mais fortes, e eu gemi, agarrando a bancada da cozinha pra me segurar. As contrações começaram, e não tavam de brincadeira. Cada uma parecia uma morsa, apertando meu corpo sem dó.
Sebastian voltou com a mala do hospital pegada às pressas e as chaves dele. A cara dele misturava medo e animação, mostrando o turbilhão de emoções que a gente tava sentindo. Ele me ajudou a ficar de pé, as mãos firmes apesar do coração acelerado.
As contrações tavam vindo em ondas, cada uma mais forte que a outra. Respirei fundo, tentando aguentar a tempestade que tinha explodido dentro do meu corpo. Sebastian me guiou até a porta da frente, a voz dele me tranquilizando, falando pra eu focar na respiração e na ideia de conhecer nosso bebê logo.
Entrar no carro foi uma tarefa e tanto. Meu corpo tinha ficado desajeitado, e as contrações faziam até os movimentos mais simples serem um desafio. Conseguimos me espremer no banco do passageiro, e Sebastian ligou o carro. O hospital, que tinha parecido tão longe até agora, de repente tava a poucos quilômetros.
Durante o caminho, eu tava agarrada na alça da janela, os nós dos dedos brancos de tensão. Os olhos de Sebastian tavam grudados na estrada, a pegada no volante igualmente forte. A gente tava junto nessa, navegando o caminho da paternidade com uma mistura de animação e receio.
A unidade de trabalho de parto e parto do hospital apareceu à distância, e meu coração disparou. Estacionamos, e a cada contração, minha determinação aumentava. Era isso. Nosso bebê tava chegando, e não tinha como voltar atrás agora.
Já dentro do hospital, a equipe médica assumiu rapidinho. Me levaram numa cadeira de rodas pra sala de parto, as luzes fortes e os equipamentos médicos contrastando com o ambiente aconchegante e familiar da nossa casa. A sala tava agitada, e eu agradeci pelas mãos habilidosas e vozes compassivas que me cercavam.
Enquanto as contrações continuavam, eu usei cada técnica de respiração e relaxamento que tinha aprendido nas aulas de pré-natal. Sebastian tava do meu lado, dando palavras de incentivo e segurando minha mão durante a dor. A presença dele era uma fonte de força, me mantendo firme no meio do turbilhão.
As horas passaram, e as contrações ficaram mais fortes. O trabalho duro do parto tinha começado, e não tinha volta. A equipe médica me guiou em cada passo, e eu podia sentir o momento chegando. A dor era agonizante, mas a promessa de conhecer nosso filho me manteve firme.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, o momento chegou. Com um último empurrão monumental, nosso bebê entrou no mundo, e a sala se encheu com os choros da nova vida. Lágrimas de alegria e alívio escorreram pelo meu rosto quando colocaram nosso filho precioso nos meus braços.
Sebastian, com a cara mostrando as mesmas emoções que eu, se inclinou pra beijar eu e nosso recém-nascido.
'O nome dele é Luca Thornton.'