33
Los Angeles, Sebastian
A parada de descobrir que o Gavin tinha filmado o nosso casamento privado e possivelmente vendido pra uma estação de TV deixou a gente sem acreditar. Quão desesperada uma pessoa pode ser pra invadir a nossa vida pessoal assim? Eu fiquei olhando a Mia andando de um lado pro outro no quarto, os nervos dela claramente tomando conta. Até o sorvete que eu tinha trazido pra ela parecia não conseguir acalmá-la.
'Tô tão assustada pela minha família,' ela admitiu, a voz tremendo de ansiedade.
O telefone dela tocou, e ela pegou na correria. Era o irmão dela, Kieran, na linha. Ela decidiu colocar a chamada no viva-voz pra eu também ouvir a conversa.
'Vocês casaram?!' A voz do Kieran ecoou pelo telefone, cheia de espanto. 'Como isso aconteceu?'
A Mia rapidamente contou os acontecimentos do dia pro irmão, incluindo a cerimônia de casamento inesperada e a presença do Gavin com a minha prima.
'Então, o Gavin tá com a prima do Sebastian?' O Kieran exclamou, incrédulo.
Eu não aguentei e entrei na conversa, sentindo pena da minha prima. 'Eu sinto muito pela minha prima,' eu admiti.
Depois que a Mia terminou de falar com o irmão dela, ela olhou pra mim com exaustão nos olhos. 'Tô tão cansada de hoje. Vou pra cama,' ela anunciou.
Eu balancei a cabeça em sinal de entendimento e a levei pro quarto. 'Então,' eu comecei quando entramos no quarto. 'Esse é o meu quarto, e é o único que tá mobiliado por enquanto. Sabe, eu me mudei pra cá faz uns dias. Você pode dormir na cama, e eu fico no sofá,' eu ofereci.
Eu peguei uns cobertores extras e entreguei pra ela.
'Boa noite,' eu sussurrei pra Mia antes de fechar a porta do quarto suavemente. Quando eu fui pra cozinha, não consegui evitar me sentir sobrecarregado com a reviravolta caótica que minha vida tinha tomado. Tinha tanta coisa acontecendo, e o peso da responsabilidade me sobrecarregava fortemente.
Encostando na pia, eu massageei minhas têmporas pra aliviar a dor de cabeça que tava vindo. Meu telefone vibrou, e eu notei uma enxurrada de e-mails do trabalho. Alguns me parabenizavam pelo meu casamento inesperado, enquanto outros questionavam a sua autenticidade. Sites de fofoca já estavam cheios de artigos especulando sobre a situação.
Eu suspirei pesadamente, colocando meu telefone na bancada. O estresse tava me afetando, e eu decidi colocar uma dose de whisky pra ajudar a tirar a pressão.
Tão logo eu me virei com o copo na mão, quase pulei da minha pele quando eu vi a Mia parada na cozinha. Ela me olhou com olhos cansados, e eu rapidamente deixei a garrafa de whisky de lado, não querendo que ela me visse me entregando ao álcool nesse momento.
'Você precisa de alguma coisa?' eu perguntei, tentando soar composto enquanto eu a encarava. Ela balançou a cabeça, sua expressão cansada, e veio na minha direção, envolvendo os braços em mim num abraço apertado. Eu retribuí, puxando ela pra perto.
'Você tá bem?' eu perguntei suavemente, meu coração apertando de preocupação. O cheiro do shampoo de morango dela preencheu meus sentidos, um cheiro que eu não tinha percebido que eu apreciava até agora.
'Eu tô bem agora,' ela sussurrou, sua voz mal audível enquanto ela se agarrava em mim. Eu levantei o queixo dela suavemente, pra que nossos olhos se encontrassem. Tinha algo no olhar dela, uma vulnerabilidade que mexeu com meu coração.
Naquele momento, eu me vi cativado pelos olhos da Mia, como se eu pudesse me perder nas profundezas deles. Foi uma sensação que eu não tinha experimentado antes, e ela me deixou sentindo tanto empolgação quanto vulnerabilidade. Tinha algo nela que despertava uma saudade bem no fundo de mim, um desejo que eu não podia ignorar.
Cada movimento dela, cada gesto gracioso, tinha um certo fascínio que era impossível resistir. Enquanto estávamos ali, os lábios dela tão convidativos e carnudos, eu não consegui me controlar. Sem um pensamento consciente, eu me inclinei e encostei minha boca suavemente na dela.
O beijo começou com um toque gentil dos nossos lábios, mas rapidamente se aprofundou, se tornando mais apaixonado e intenso a cada segundo que passava. Eu senti uma onda de desejo correndo por mim quando eu a puxei mais pra perto, minha mão deslizando pra trás da cabeça dela pra segurá-la no beijo. Eu queria mais dela, mais daquela conexão eletrizante que nós compartilhávamos.
Nosso beijo foi como um fogo ardente, derretendo todas as barreiras geladas que eu tinha construído ao redor do meu coração. Eu não conseguia ter o suficiente do gosto dela, da sensação dos seus lábios macios nos meus. Foi um beijo que me deixou querendo mais, um beijo que me fez perceber o que tava faltando na minha vida o tempo todo—a Mia.
Enquanto nossos lábios se separavam, nós dois ofegamos, nossos rostos a poucos centímetros de distância. A intensidade do momento pairava no ar entre nós, uma energia palpável que me deixou sentindo tanto alegria quanto sobrecarregado.
De repente, a campainha tocou, estilhaçando a serenidade calma da nossa noite juntos. Mia e eu, entrelaçados num abraço caloroso, fomos sacudidos do nosso casulo de conforto. O toque estridente da campainha ecoou pela sala, nos fazendo pular de surpresa.
A Mia se separou dos meus braços e me olhou, os olhos dela arregalados de apreensão. 'Você tá esperando alguém?' ela perguntou, a voz dela tingida de ansiedade. Eu balancei a cabeça, meu coração batendo forte no meu peito. Eu não tava esperando ninguém, especialmente não a essa hora.
Com passos cautelosos, eu me aproximei da porta da frente, meus sentidos em alerta máximo. Eu girei a maçaneta lentamente e abri a porta, espiando pra fora na noite mal iluminada. Pra minha surpresa, não tinha ninguém à vista—apenas a escuridão vazia da varanda.
Meus olhos se voltaram pra baixo, e ali, no capacho frio, jazia um envelope solitário. Era uma visão estranha, o envelope pálido contrastando fortemente com a madeira escura do chão. Minha curiosidade despertou, eu me abaixei pra pegá-lo, uma sensação de desconforto se instalando em mim.
Eu fechei a porta atrás de mim e voltei pra Mia, que tava me observando com uma mistura de curiosidade e preocupação. 'Foi isso que deixaram no capacho,' eu falei, segurando o envelope simples. Ele era simples, sem nenhuma marca ou pista sobre sua origem.
A testa da Mia franziu quando ela pegou o envelope da minha mão, examinando-o de perto. 'Isso é estranho,' ela murmurou. 'Quem deixaria uma coisa dessas sem um bilhete ou explicação?'
Sem hesitar, eu peguei meu telefone, meus dedos rapidamente teclando na tela enquanto eu acessava a filmagem da câmera de segurança. Eu precisava ver quem tinha deixado esse envelope na nossa porta. Quando a filmagem passou, meu coração afundou. A figura capturada na câmera parecia ser um carteiro normal, usando o uniforme padrão e carregando uma sacola.
A Mia espiou por cima do meu ombro na tela, seus olhos se estreitando de suspeita. 'Não pode ser só um carteiro normal,' ela disse firmemente. 'Não a essa hora, e com certeza não com uma mensagem dessas.'
Eu não podia discutir com a lógica dela, mas a filmagem da câmera não ofereceu muita mais informação. O rosto do carteiro tava obscurecido, e as ações dele pareciam rotineiras enquanto ele entregava outras correspondências pras casas vizinhas. Era como se ele tivesse se misturado intencionalmente.
Minha sensação de pavor aumentou, e eu sabia que precisávamos chegar ao fundo desse mistério. Sem falar, eu fui pra cozinha e peguei uma faquinha, sua lâmina brilhante oferecendo um pouco de conforto nessa situação perturbadora.
De volta na sala, eu abri cuidadosamente o envelope pra ver o que tinha dentro. O cartão continha uma mensagem sinistra, escrita em letras pretas e em negrito que enviaram um calafrio pela minha espinha. Quando eu li as palavras em voz alta, ficou claro que nossos problemas estavam longe de acabar.
Nessa jornada, segredos se revelam,
Intriga e perigo, contos não ditos.
Mantenha a guarda, fique preparado,
Pro jogo de sombras, cuidado.