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Nova Iorque, Mia
Peguei meu celular pra ligar pro Sebastian. Já tava no meu quarto, depois de jantar e lavar a louça. A luz suave da luminária tava jogando uma luz quentinha e aconchegante no quarto. Disquei o número dele e encostei o telefone na orelha, com o coração batendo forte de ansiedade. Sebastian atendeu depois do segundo toque.
'Oi, Mia, você recebeu minhas flores?' ele perguntou. A voz dele tava meio sem fôlego, e dava pra ouvir um zunido fraco de trânsito no fundo. 'Tô indo pra casa agora, do escritório.'
'Sim, recebi as flores,' respondi, o alívio me invadindo. 'Por um momento, fiquei com medo de que fosse do stalker.' Dei uma risadinha nervosa.
'Ah, é só de mim,' Sebastian riu. Consegui imaginar o sorriso dele de moleque, aquele que eu tanto amava, mesmo não podendo ver pelo telefone.
'O que você tá fazendo?' perguntei, a curiosidade me dominando.
'Tô pedindo uma pizza porque tô cansado demais pra cozinhar. E você?' ele perguntou.
'Acabei de jantar com a Bella, e agora tô deitada na cama,' contei, afundando no edredom macio. 'E o bebê?' A preocupação do Sebastian com o nosso filho que ainda ia nascer sempre aquecia meu coração.
Coloquei a mão na minha barriga, que ainda tava bem lisinha. 'Tá vivendo a melhor vida,' respondi, rindo dos chutinhos que eu tava sentindo ultimamente.
Minha voz ficou séria. 'Então, sei que a gente não falou sobre isso ainda, mas eu perguntei pro meu irmão Kieran pra ser padrinho do nosso filho.' Teve uma pausa curta do outro lado da linha.
'Que bom,' Sebastian respondeu finalmente. 'Desculpa, tava fazendo meu pedido… mas, uhh, que bom. Queria que você tivesse falado comigo primeiro, no entanto.'
'Desculpa,' pedi, sentindo uma pontada de culpa. 'Devia ter falado com você antes de tomar a decisão.'
'Tá tudo bem,' Sebastian me tranquilizou. 'Quem vai ser a madrinha então? Bella? Sophia?'
'Ainda não sei qual escolher,' admiti. 'Acho que você podia me ajudar com essa decisão. Afinal, devia ser alguém em quem a gente confia e ama.'
'A gente tem tempo pra caramba pra tomar essa decisão,' ele disse, parecendo mais à vontade. 'Já pensou onde a gente vai criar nosso bebê?' A pergunta do Sebastian ficou no ar, convidando à reflexão.
E pra ser sincera, sim, eu tinha pensado muito nisso. A ideia de criar nosso filho tinha sido um assunto que ocupava minha mente há um tempo. Nossa conversa tinha acabado de entrar num território mais profundo, mais significativo.
'Já,' respondi. 'Tô pensando bastante nisso, na verdade. Sempre adorei a ideia de um bairro suburbano tranquilo, com boas escolas e um ambiente seguro.'
A voz do Sebastian carregava um tom pensativo. 'Subúrbio parece bom, Mia. É um lugar onde nosso filho pode crescer com um senso de comunidade e um quintal pra brincar. Mas é uma decisão grande, e a gente devia escolher um lugar que seja conveniente pra nós dois, em termos de trabalho.'
Assenti com a cabeça, embora ele não pudesse ver. 'Concordo, Sebastian. Acho que a gente devia procurar um lugar que não seja muito longe dos nossos trabalhos e que ofereça as melhores oportunidades pro nosso filho.'
As palavras do Sebastian ficaram no ar como uma nuvem pesada, lançando uma sombra na nossa conversa. 'Mas esse é o problema, não é? Meu trabalho é em LA, e o seu é em Nova Iorque.' A voz dele tava tingida com o peso do dilema que agora pairava sobre nós.
Fiquei quieta por uns minutos, perdida em pensamentos. Ele tava certo. A separação geográfica das nossas carreiras era um desafio que a gente não podia ignorar. Era uma realidade dura que tinha o potencial de mudar o rumo das nossas vidas, principalmente com a chegada iminente do nosso filho.
'É LA ou Nova Iorque,' Sebastian disse, quando eu não dei uma resposta imediata. Parecia entender a gravidade da situação. 'Não vou mentir,' continuou, o tom sincero. 'Já comprei uma mansão maneira em Nova Iorque pra quando o bebê chegar. Caso a gente decida ficar por lá e criar o bebê. Mas se você quiser se mudar pra LA por mim, também tem uma casa maneira esperando lá.'
Soltei um suspiro, o peso da decisão me esmagando. Eu sabia que minha carreira tava profundamente enraizada em Nova Iorque. Meus clientes estavam aqui, minha reputação tava aqui, e eu tinha trabalhado duro pra me estabelecer nessa cidade agitada. Se eu fosse embora, ia arriscar perder uma parte significativa dos meus clientes, e começar tudo de novo numa cidade nova, principalmente com um bebê a caminho, era uma perspectiva assustadora. Uma coisa era correr riscos quando era só eu, mas agora eu tinha um filho pra pensar.
Além disso, eu amava Nova Iorque. Era uma cidade de oportunidades, um lugar onde os sonhos eram perseguidos, e eu sempre me senti em casa entre os arranha-céus imponentes e a energia vibrante da cidade.
'Vamos ver,' falei finalmente pro Sebastian, minha voz carregando a incerteza que tinha se instalado no meu coração. 'Por enquanto, o lugar vai ser Nova Iorque. Mas talvez, com o tempo, a gente se mude pra LA. Quem sabe o que o futuro nos reserva?'
A voz do Sebastian continha compreensão e uma pontada de alívio. 'É verdade,' ele concordou. 'Eu não tava planejando ser pai tão cedo. Mas aqui estamos.' Ele riu, o riso dele trazendo um toque de leveza à conversa pesada.
'Aqui estamos,' ecoei, sentindo uma mistura de emoções, da apreensão do desconhecido à empolgação de me tornar mãe.
Um bocejo escapou dos meus lábios, uma reação involuntária à hora tardia. Tinha sido um dia longo, cheio de trabalho e discussões sobre o nosso futuro, e a fadiga finalmente me alcançou. Esfreguei os olhos, sentindo o peso nas pálpebras enquanto encostava o telefone na orelha.
'Você devia ir dormir,' Sebastian disse, a voz dele cheia de preocupação e carinho. Ele sempre sabia quando era hora de eu descansar, mesmo quando eu não queria admitir.
Não consegui evitar sorrir, grata pela consideração dele. 'Obrigada pelas flores,' falei pra ele, meu coração aquecido pelo gesto que tinha iluminado meu dia.
'De nada, amor,' ele disse, as palavras dele temperadas com uma pitada de brincadeira. Era um termo carinhoso que tinha se tornado nosso, uma lembrança do compromisso que a gente tinha feito um com o outro.
'Bons sonhos,' Sebastian continuou, a voz dele suave e reconfortante. 'Eu te amo.'
'Eu te amo.'