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Los Angeles, Sebastian
Não pude deixar de notar que tinha alguma coisa errada desde o momento em que minha mãe se ofereceu para ajudar a Mia com a roupa dela. Minha mãe era super conhecida por proteger as coisas dela e não gostar que ninguém encostasse ou experimentasse as coisas dela. Foi um gesto meio estranho, mas eu dei um voto de confiança, achando que ela queria criar um laço com a Mia, principalmente com a presença de convidados indesejados como o Gavin Bonehead Campbell, que estava sentado na minha frente na sala, com uma cara de azedo.
Não conseguia negar que estava sentindo uma mistura de pena e frustração pela minha prima, a Calipso, que tinha escolhido ficar com o Gavin. Ela tinha visto a entrevista dele, que já devia ser um sinal de alerta, mas ela pareceu não dar bola. Todo mundo tem os próprios problemas pra lidar, e era óbvio que a Calipso e o Gavin estavam presos no drama deles.
Enquanto eu estava sentado na sala, pensando na presença incomum do Pastor Frederick, eu não conseguia tirar da cabeça que alguma coisa inesperada ia acontecer. Minha mãe só convidava o pastor quando tinha algum evento religioso ou cerimônia, e hoje tinha começado como um dia normal. Minha curiosidade aumentou, querendo saber o que tinha motivado a visita dele.
As peças do quebra-cabeça se encaixaram quando minha mãe reapareceu na sala, seguida pela Mia, que estava vestida de branco. A ficha caiu como uma onda, e de repente tudo fez sentido.
Meu coração disparou, e meus olhos arregalaram de espanto. Eu nunca esperaria que a Mia e eu estivéssemos nessa situação. Troquei um olhar rápido com a Mia, e a cara dela tava igual a minha, de descrença.
"Pastor Frederick", minha mãe começou, falando com o homem com uma seriedade. "Ela está pronta. Eles estão prontos pra se casar."
Minha boca abriu de choque e os olhos da Mia arregalaram, e ela gaguejou, chocada, "Quê?!"
Enquanto a tensão na sala continuava subindo, eu cerrei os dentes de frustração. Eu não podia acreditar que minha mãe tinha armado essa situação, empurrando a Mia e eu pra um casamento de última hora. Era uma loucura, e eu tava decidido a acabar com isso.
"Mãe", eu sibilei com os dentes cerrados, minha paciência acabando. "Para com essa palhaçada."
O Pastor Frederick olhou pra mim e pra minha mãe, claramente confuso com a briga repentina. "Eles não vão se casar?", ele perguntou, sem saber o que tava rolando.
Minha mãe respondeu com uma determinação inabalável, "Ah sim, eles vão se casar." Depois ela virou o olhar fixo pro meu pai. "Mande seu filho se comportar."
A expressão da Mia mudou de choque pra raiva quando a verdade da situação começou a cair na real. "Que que tá rolando? Vocês perderam a cabeça?", ela exclamou, a irritação dela óbvia. "Eu não quero me casar."
Minha mãe olhou pra Mia, um sorriso no rosto enquanto ela declarava, "Você está linda de noiva."
A Mia revirou os olhos, exasperada na voz. "Eu não quero ser noiva. Por que vocês estão nos forçando a ficar grávidos sendo que a gente claramente não quer? Vocês preferem que seu filho fique num casamento sem amor?"
Minha mãe respirou fundo, visivelmente tentando controlar a frustração. "Você está grávida do filho do nosso filho. O casamento é um requisito. O futuro do bebê vai estar em risco se não for assim."
A Mia zombou e deu uma risada falsa. "Eu prefiro ir pro inferno e dar a mão pro meu bebê no caminho do que me casar."
Um choque coletivo encheu a sala com a declaração ousada da Mia. Até o Pastor Frederick pareceu surpreso quando ele murmurou, "Estamos na presença da própria Satanás."
Meu pai, ficando cada vez mais irritado, me pegou pelo braço e sussurrou firme, "Dá um jeito na sua garota!"
"Ela não quer se casar, e eu também não", eu retruquei em voz baixa, a frustração evidente no meu tom. "Nós vamos pra casa."
Mas aí meu pai falou as palavras que eu tava odiando ouvir. "Então você pode se demitir de CEO da empresa."
Eu não podia acreditar que ele tinha realmente dito isso. "Que porra é essa, Pai?", eu exclamei, chocado com o ultimato dele.
A expressão do meu pai continuou séria enquanto ele reiterava, "Eu tô falando sério."
"E quem vai tomar o meu lugar?", eu desafiei, sem acreditar que tinha uma alternativa viável. "O Patrick tem a própria vida e não quer nem saber da empresa."
Meu pai zombou, a determinação dele inabalável. "Se você não casar com aquela garota, a empresa vai pro Campbell."
A pressão na sala tava sufocante, e o ultimato do meu pai pesava muito no ar. Ele tava disposto a entregar as rédeas da empresa pro Gavin Campbell se a Mia e eu não prosseguíssemos com o casamento. Era uma situação impensável, e eu não conseguia acreditar que ele ia recorrer a medidas tão drásticas.
"Você nem conhece o Campbell", eu retruquei, exasperado pela teimosia do meu pai.
Meu pai continuou resoluto. "Bom, então eu vou conhecer ele quando ele assumir a empresa."
Eu não conseguia evitar sentir uma frustração crescente com a postura inflexível do meu pai. Eu podia ver o Gavin, com um sorriso de satisfação no rosto, se deliciando com a confusão que ele tinha causado. A ideia de ele se beneficiar dessa situação me dava nos nervos.
Enquanto o pastor pacientemente esperava pela nossa resposta, eu massageei as têmporas, tentando aceitar a escolha impossível que eu tinha que fazer. Era uma situação em que todo mundo perdia, e nenhuma opção era desejável.
"Então, qual vai ser? Nós vamos nos casar hoje?", o pastor perguntou, com o olhar passando de mim pra Mia.
"Sim", eu falei relutante, minha voz pesada de resignação, ao mesmo tempo em que a Mia disse enfaticamente, "Não."
Ela se virou pra mim com incredulidade nos olhos, a voz mal audível. "Sebastian?"
Eu levantei da cadeira e fui pra Mia, me inclinando pra falar baixo no ouvido dela. "Minha empresa tá em jogo", eu confessei, minha voz cheia de arrependimento. "Eu não me importo", a Mia sussurrou de volta, a determinação dela inabalável. "Casamento é coisa séria, e eu não quero... de jeito nenhum."
Eu suspirei, sabendo que ela tava certa. Casamento era um compromisso grande, e nenhum de nós queria entrar nisso nessas circunstâncias. Mas o peso da ameaça do meu pai, junto com a presença do meu ex-marido que tava aprontando, fez parecer que a gente não tinha outra escolha.
"Acredita em mim, eu também não quero", eu admiti, minha voz sofrida. "Mas por favor, vamos fingir. Eu não quero que o seu ex-marido idiota aproveite esse drama. Vamos só acabar com isso."
A Mia me encarou, e eu consegui ver a luta interna nela. Depois de um momento tenso, ela concordou relutantemente, a voz dela cheia de resignação. "Beleza, vamos nos casar."