Capítulo 104: Preconceitos no coração eram como montanhas difíceis de mover
Elena, relaxa. Eu não sou mais a mesma. Ninguém vai mais achar que pode me sacanear assim, e eu não vou mais ser fraca. Se alguém ousar arrumar confusão na minha frente, não vou pensar duas vezes antes de revidar," disse Martina, de boas.
Elena finalmente respirou aliviada, sabendo que só podia manter a calma, acontecesse o que acontecesse. "Tudo bem, tudo bem. Contanto que você não repita os mesmos erros, mas tá tudo certo. Eu tô aqui hoje, e ninguém vai se atrever a te intimidar. Essa é a minha área."
As duas amigas sorriram uma para a outra, entendendo a preocupação genuína que sentiam uma pela outra. Nessa vida, ter uma amiga tão leal era como ter o tesouro mais precioso do mundo.
...
Quando Amy chegou lá, ela viu a Martina, claro, e também reparou na roupa que a Martina tava usando. O sorriso no rosto dela na hora virou falso, e ela mal conseguia fingir. Como ela ia saber que ia dar essa treta hoje?
A Amy tinha pago uma grana preta por essa roupa, a ideia era brilhar mais que todo mundo e mostrar a elegância da única filha da família Paloma. Era um jeito de recuperar a reputação que ela tinha perdido antes.
Quem diria que ela ia acabar vestindo a mesma roupa que a Martina? Pra piorar, a Martina era a mulher que ela mais odiava.
Combinar roupa não era o pior, mas quem ficasse feia ia passar vergonha.
Na situação atual, tava claro que a Amy tava em desvantagem. Seja na aparência ou no jeito, a Martina tava arrasando, qualquer um via isso.
A Amy segurou a vontade de arranhar a cara da Martina, e um sorriso forçado e feio apareceu no rosto dela enquanto ela foi até a Martina e cumprimentou: "Oi, Miss Martinez. Parece que temos algo em comum. Não esperava te ver aqui. Achei que, com a posição da Miss Martinez, você não ia aparecer num lugar desses."
"E eu nunca imaginei que a gente ia escolher a mesma roupa por coincidência. Me diga, onde a Miss Martinez conseguiu esse vestido? É uma peça única, só tem duas no mundo."
Mesmo sem prestar muita atenção, dava pra ouvir o sarcasmo nas palavras dela. A Amy tava claramente provocando de propósito.
Instintivamente, Elena foi pra frente e se posicionou na frente da Martina, com uma expressão de defesa no rosto. "Não é da sua conta. Mandei comprar. Qual o problema? Você tá com inveja e imitando ela."
A Elena achou que a Amy ia recuar, mas ela não parou por aí.
"Ah, entendi. Sempre achei que a Miss Martinez não podia comprar roupas tão caras. Pelo visto, ela tá tirando proveito das amigas ricas," a Amy zombou e continuou. "Miss Martinez, numa época em que depender de homem não é mais uma opção, por que você insiste em correr atrás de bens materiais, apesar da sua situação de pobreza?"
"Será que a Miss Martinez só consegue garantir seu lugar entre nós agora dependendo dessas habilidades? Bom, você tá vindo aqui hoje de propósito pra arrumar um novo patrocinador que gaste dinheiro com você?" Os comentários da Amy mudaram de zombaria sutil para provocação direta, algo que ninguém podia tolerar.
A Elena imediatamente levantou o braço, como se fosse dar um tapa forte.
Era revoltante. A Amy tava completamente passando dos limites. O que ela queria dizer com tudo isso? Tava querendo arrumar briga ou o quê?
Quando a Amy falou essas palavras, os olhares de muitas pessoas pra cima da Martina ficaram estranhos. Parecia que começaram a enxergá-la como uma mulher interesseira que dependia totalmente dos homens, e os olhares pra cima da Martina ficaram cada vez mais cheios de desprezo.
Claramente, essa era a verdadeira intenção da Amy.
Alguns até chegaram a acreditar que o vestido que a Martina tava usando era falso. Só existiam dois vestidos daqueles no mundo. Seria compreensível se a filha da família Paloma usasse, afinal, eles eram ricos e influentes. Mas como alguém como a Martina, uma mulher que só dependia de homens, poderia ter uma roupa dessas? Tinha algo muito estranho rolando!
Preconceitos no coração eram como montanhas difíceis de mover. Uma vez que decidiam algo, não buscavam mais respostas, mas sim se apegavam teimosamente às suas próprias ideias preconcebidas.
A diferença de antes, quando a Martina não queria se rebaixar ao nível da Amy, é que a situação tinha mudado agora. Ela já tinha declarado que mudou, que não era mais a pessoa que podia ser facilmente controlada pelos outros.
A razão pela qual a Martina permitiu que os outros a manipulassem antes era porque ela não queria causar nenhum desconforto para o Benjamin. Mas agora, ela estava até disposta a aceitar a ideia de deixá-lo. Então, o que ela não ousaria fazer? As pessoas podem mudar.
Lembre-se que a Martina sumiu do mapa por um mês inteiro, bem debaixo do nariz do Benjamin, o que chocou ele muito.
Numa ocasião como hoje, com convidados presentes, mesmo que a Elena estivesse descontente, ela não podia revidar fisicamente, pois isso daria munição demais para os outros contra ela.
Mas a Martina era diferente. Ela já tinha deixado tudo pra lá. Se alguém a provocasse, ela não se importava de arrastar todo mundo com ela.
Enquanto a Elena se preparava para soltar toda a sua força, a Martina inesperadamente deu um passo à frente e segurou firmemente o braço dela, puxando-a para trás.
A Elena ficou confusa, pensando que a Martina talvez tivesse mudado de ideia de novo. Mas quem aguentaria uma situação dessas? A Amy já tinha levado a Martina ao limite.
"Martina --"
Antes que a Elena pudesse terminar a frase, a Martina já tinha ido pra frente da Amy e dado um tapa na cara dela.
O som do tapa foi tão casual, como se o que a Martina estivesse fazendo agora fosse algo normal e natural.
Mas sem um bom apoio, esse ato seria como trilhar o caminho da autodestruição. Muitas pessoas não conseguiam entender a atitude da Martina.
"Miss Paloma, parece que você esqueceu o que aconteceu da última vez, hein? Como é que hoje você quer me manchar com essas palavras sujas?" Os belos olhos da Martina brilharam com uma ponta de reflexão, como se estivesse pensando em algo. No entanto, ela rapidamente descartou com um comentário casual. "Ah, entendi agora. Parece que você não aprendeu de verdade com o nosso encontro anterior. Quer que eu te ajude a refrescar a memória?"
A Amy não disse nada, mas a memória desagradável ressurgiu na mente dela com total clareza.
Muitas pessoas conseguiam sentir o clima de fofoca entre as duas.
Considerando a saúde frágil da Amy, ela raramente fazia aparições públicas. No entanto, era de conhecimento geral que ela era a princesa estimada da proeminente família Paloma. Ofender a Amy era sinônimo de provocar a ira de toda a família Paloma.
É preciso dizer que essa mulher chamada Martina realmente tinha coragem.
No entanto, foi infeliz que sua coragem temporária só pudesse inevitavelmente convidar uma situação mais hostil pela frente.