Capítulo 228: Sua Fraqueza Deliberada
Não sei quanto tempo passou, mas a Martina e a Elena tavam ali batendo papo mó tempão quando ouviram o barulho de alguém abrindo a porta lá fora. A Martina desligou o telefone, na hora.
Assim que ela levantou a cabeça, viu o Benjamin entrando.
A cara do Benjamin não tava muito boa naquele momento, e era difícil sacar o que ele tava pensando. A Martina, que tava ligadona no Benjamin, conseguiu sentir uma parada estranha, tipo, nas emoções dele.
"Que foi, mano?" a Martina perguntou.
O Benjamin foi direto pras lembranças de antes, pensando no que o Jack tinha falado pra ele.
"Não consegue fazer um esforço, moleque? Tua mina tá quase sendo roubada por outro cara, e tu nem sabe como se dedicar. Se ela vazar mesmo, não vem me culpar por não ter te avisado! Eu fiz o que pude, dei o que tinha que dar. O resto é contigo. Se esforça. Te dou dois meses pra descobrir como casar com ela. Se não conseguir, não vou ligar de ter outro neto. Tu não serve pra nada!"
O Jack tava mó puto. O peito dele subia e descia forte a cada frase que ele falava. Sorte que ele se controlou e continuou: "E também, por um tempinho, tu vai ter que se comportar e parar de se meter em coisas que não são da tua conta. Já conversei com a família Paloma, e eles ainda querem tirar a Amy da cadeia. Mas a parada já aconteceu, e foi tão feia que não dá pra soltar ela. Tu tem que fazer o que precisa ser feito, e não deixar os sentimentos pessoais atrapalharem a lei."
O Jack ainda tava preocupado, então avisou o Benjamin de várias coisas em particular. Usou a experiência dele ao máximo. Só queria que o Benjamin não fizesse nenhuma besteira. Ele continuou: "Essa é a tua única chance de mudar a tua atitude. Se não aproveitar essa oportunidade, a Martina nem vai querer te ver no futuro."
Depois de falar tudo isso, o Jack fingiu que tava com dor de cabeça e mandou o Benjamin vazar. Ele não queria ficar com ele nem mais um segundo.
O Benjamin agora tava se sentindo como se todo mundo odiasse ele, mesmo sendo um cara todo importante antes, e ninguém ia tratar ele assim. Mas agora, as coisas tavam diferentes. A diferença era tão grande que ele achava inacreditável. Ele não lembrava de ser tão chato assim antes.
Agora, de volta pro quarto que ele dividia com a Martina, sentiu um pouco do cansaço ir embora. Tem que falar, ela era MUITO importante pra ele, tipo, insubstituível.
O Benjamin conseguiu juntar as ideias depois de ouvir a pergunta da Martina. Ele respondeu: "Nada, só tomei uma bronca do meu avô."
Meio sem graça, a Martina achou que isso tinha a ver com ela. Então ela decidiu falar o que tava pensando: "É por causa da minha atitude que seu avô te deu bronca?"
No começo, o Benjamin queria recusar a sugestão do Jack. Afinal, essa parada parecia difícil e não ia agradar muito, e podia fazer a Martina achar que ele era um inútil. Mas depois ele mudou de ideia. O Jack tinha falado que em momentos especiais, tinha que usar meios especiais. Se ele não tomasse alguma atitude agora, sua futura esposa podia mesmo fugir com outro.
Principalmente o Alejandro, ele era tipo um falcão de olho no território dele. Mesmo não mostrando muito, ele sempre tava lá, mostrando a presença dele na frente da mulher do Benjamin.
Como homem, como o Benjamin não ia entender o que tava rolando na cabeça do Alejandro? Era justamente porque ele entendia tão bem que precisava tomar medidas preventivas. Afinal, ele não podia só ficar ali vendo alguém roubar a sua mulher. Era pior que matar.
Então, surpreendentemente, o Benjamin usou um tom de vulnerabilidade e, mais uma vez, encontrou o olhar da Martina com um toque de ressentimento. "É, meu avô falou que eu não presto, e minha mulher tá quase fugindo com outro cara."
Sério, essas palavras não pareciam vir da boca do Benjamin, mas eram mesmo as palavras dele. Nesse momento, até a Martina não tava acreditando no que tava ouvindo. Ela não conseguia entender porque a mudança do Benjamin tinha sido tão radical ultimamente. Ele era cara de pau mesmo? Como ele conseguia falar essas coisas sem nenhuma vergonha?
"Que 'minha mulher tá quase fugindo com outro cara' o quê? Eu não sou sua mulher," a Martina falou, constrangida e abaixando a cabeça. Ela não queria ver o Benjamin fingindo ser fraco. Sinceramente, o jeito dele agora tava de partir o coração.
Vendo a reação da Martina, o Benjamin sabia que tava no caminho certo. Podia ser antiético, mas pra evitar que sua mina fugisse com outro, ele tinha que continuar nessa parada.
Com passos calmos, o Benjamin chegou perto da Martina e pegou a mão dela gentilmente. Quando ela levantou o olhar devagar, ele se abaixou e olhou nos olhos dela com uma postura séria e digna, chamando a atenção dela.
Quando que esse cara tinha abaixado o status e a identidade dele assim, com tanta humildade? Era provavelmente só na frente da Martina que ele ia se comportar dessa forma.
A Martina tava meio chocada no fundo, e puxou o braço do Benjamin por instinto. "O que você tá fazendo aí embaixo? Se tem alguma coisa pra falar, levanta e fala."
Mas o Benjamin foi persistente, continuou abaixado como se tivesse alguma tara esquisita. "Você não é minha mulher? Minha mulher tá quase fugindo com outro, e eu tô aqui abaixado. Qual o problema?"
Diante de palavras tão sem vergonha, as bochechas da Martina ficaram vermelhas na hora, sentindo um calor forte, sem conseguir formar uma frase completa. "Você... Como você pode ser tão cara de pau, falando essas coisas sem um pingo de vergonha? Benjamin, eu te subestimei!"
O Benjamin insistiu, encostando a palma da mão na da Martina com o dedo. "Então, você não vai discutir o nosso futuro comigo mesmo?"
Esse cara já tinha um par de olhos que encantavam. Só um olhar podia fazer alguém esquecer, sem falar quando ele usava aqueles olhos charmosos pra olhar pra ela. Era uma tentação irresistível, e nem a Martina conseguia desviar facilmente. O coração dela tava batendo rápido.