Capítulo 49: O lugar mais seguro
Martina saca rapidinho a ideia do Chefe e pensou que, já que ia ficar ali sei lá quantos dias, ia ser bom ajudar as crianças com os estudos. Não só ia distrair ela, como também ia deixar a estadia mais de boa. Com isso na cabeça, Martina topou na hora, sem pensar duas vezes.
"Beleza. Vou fazer o meu melhor pra ajudar essas crianças a aprenderem mais no tempo que eu tiver por aqui antes de ir embora", falou Martina.
Quando o Chefe ouviu as palavras da Martina, ficou mó grato e quase chorou. "Eu agradeço muito a sua ajuda", ele falou, de coração. "Pode ficar sussa, Miss Martinez. Pode ficar aqui o tempo que quiser, desde que esteja disposta a ensinar as crianças da nossa vila."
Com as ideias dela, Martina pensou um pouco antes de falar: "Não é problema, mas tenho um favor pra pedir. Se alguém aparecer procurando por mim na vila nos próximos dias, por favor, não conte nada de onde eu tô."
O Chefe era esperto e agora, depois de tanto trampo, finalmente conseguiu convencer a Martina a ensinar as crianças da vila. Lógico que ele não queria nenhuma treta com isso, então concordou na hora.
"Sem problema, a gente vai te ajudar com tudo. Pode ter certeza que todo mundo da vila vai te dar uma força", respondeu ele.
Um sorriso maior apareceu na cara da Martina. "Muito obrigada, Sr. Huckleberry. Aliás, pode me chamar de Martina."
O Chefe fez jus à fama de homem de ação. Assim que topou, avisou todo mundo na vila na hora. Isso deixou a Martina ainda mais tranquila.
Nos dias seguintes, além de descansar um pouco, ela se dedicou a ajudar as crianças a aprender e ensinava tudo com vontade.
Principalmente quando via os olhares curiosos e dedicados dessas crianças, a Martina até sentia que tava mandando muito bem. Durante as aulas, ela tava cheia de pique e energia.
Mais uma semana se passou. Mesmo que as condições de vida ali fossem meio precárias, o básico tava garantido.
Depois de passar um tempão com essas crianças, a Martina, pra variar, tava começando a ficar meio relutante em ir embora.
Mas coisa boa nunca dura muito.
Depois de acabar mais um dia de aula e tomar um banho em casa, a Martina levou um susto com a voz nervosa da Candy. "Martina, deu ruim!"
A Martina, na hora, botou a roupa correndo e botou a cabeça pra fora do banheiro simples. Ela olhou pra Candy, que tava vindo correndo, e perguntou: "Que foi? Calma, respira e me conta o que aconteceu."
...
De manhã, o Benjamin tinha mandado uma galera procurar em vários lugares na costa, mas não acharam sinal da Martina. A dúvida começou a bater no Benjamin, questionando se ele tava certo.
Principalmente depois de checar os registros de passagem daqueles navios, não tinha nenhum sinal da Martina. A parada tava clara: ou ela não pegou nenhum navio, ou usou uma identidade falsa pra embarcar.
Onde essa mulher tinha ido, por enquanto, não dava pra saber. Todas as pistas pareciam ter sumido.
Sem precisar falar nada, o Leslie sentia a queimação na cara, com uma dor forte.
Era deprê demais perceber que, mesmo tendo sido reconhecido como um cara talentoso pelo Benjamin, ele tava decepcionando ele toda hora.
Agora o próprio Leslie sentia que não podia ficar na frente do Benjamin, sem saber como escapar da situação.
"Chefe, me dá outra chance! Dessa vez eu vou achar a Miss Martinez e trazer ela de volta", implorou Leslie, sem nem conseguir levantar a cabeça, sentindo o calor queimando na cara.
Até o Simon não sabia o que falar, porque eles nunca imaginaram a possibilidade da Martina ter fugido de boa na frente deles, e não só isso, mas sumir sem deixar rastros. Deu a impressão que todo o esforço deles foi uma piada.
Com tanta gente envolvida, principalmente com o chefe como estrategista, eles não conseguiram ser mais espertos que a Martina.
Foi o fim da picada!
Mas agora, mesmo que eles não aceitassem, não tinha jeito. A Martina sumiu de verdade, como se tivesse evaporado da terra, deixando todo mundo sem chão.
A pressão que vinha do Benjamin tinha chegado num ponto que não dava mais pra dizer que tava baixa, e sim descontrolada.
Vendo a bagunça no chão, ninguém ousava falar nada. Os cantos dos olhos dele estavam vermelhos e ferozes, mostrando o que ele tava sentindo.
Enquanto ele ouvia os relatórios dos subordinados, não teve uma frase que ele gostou de ouvir.
Nesses poucos dias, o Benjamin tinha corrido pra lá e pra cá, procurando pessoalmente, mas ainda não tinha achado nenhum rastro da Martina. Era inacreditável.
O Leslie percebeu que o Benjamin ficou calado, e a especulação ousada começou a tomar forma na cabeça dele.
"Será que a Miss Martinez nunca subiu no navio e ainda tá nessa cidade, escondida num lugar mais seguro?", ele falou.
Mas o Benjamin cortou a ideia na hora, falando: "Não, essa é a única chance dela."
O Benjamin ficou brincando com o relógio dele, que ele fez sob medida, um item de luxo caro, valendo pelo menos um milhão de dólares. No segundo seguinte, sem pensar duas vezes, ele jogou no balde de gelo que tava ali perto, como se tivessem jogando um lenço fora.
Ele pegou uma toalha seca pra limpar as mãos, depois levantou de novo, falando: "Muda o lugar, continua procurando."
Eles já tinham revistado um monte de lugar, deixando só uns cantinhos sem olhar. O Leslie tava começando a se sentir sem esperança e sem jeito.
"A gente já procurou em cidades e vilas onde as pessoas podiam se esconder, mas ainda não vimos a Miss Martinez", ele falou. "Tô começando a me perguntar, onde a Miss Martinez pode estar escondida? Ela não ia escolher lugares perigosos pra se esconder, ia? Ia ser pedir pra morrer!"
Essas palavras acordaram o Benjamin de repente. Se tinha alguém que entendia ele, sem dúvida era a Martina. Se ela realmente quisesse escapar dele, com certeza ia entender a personalidade dele, tomando cuidado total. Até os lugares que ele ia priorizar na busca iam estar no controle da Martina!
Talvez ela realmente achou um lugar perigoso pra se esconder!
Com essa ficha caindo, o Benjamin pegou o celular rapidinho e começou a investigar tudo.