Capítulo 147: Você é bem extravagante
A estrada tava cheia de curvas e super difícil; se alguém tavas perseguindo, ia ser impossível alcançar, não importa o que acontecesse.
Sobre as vozes da galera fofocando, Simon só tava ouvindo na boa.
Daí ele ficou quietinho, seguindo o Benjamin e a Martina, tipo um seguidor. A principal parada dele agora era ficar perto dos dois e ajudar a carregar as mochilas e tals.
No caminho, a Martina pensou, já que tavam ali, por que não curtir? Afinal, ela não podia vazar.
Com essa ideia na cabeça, ela decidiu dar uma volta nas ruas perto, sem se importar com a vista do topo da montanha por enquanto. Ela queria explorar a base da montanha primeiro.
Só que a parada de compras da Martina fez com que as mãos dela logo tivessem um monte de sacolas e coisas.
Mas não eram só as mãos dela que tavam cheias, as mãos do Simon é que tavam MUITO cheias.
O Simon de repente entendeu por que tinha tanto cara em novela que metia bronca em um monte de coisa e vivia várias aventuras sem medo, mas que, tipo, morriam de medo de ir comprar com as mulheres. Principalmente porque as mulheres viravam guerreiras incansáveis na hora de comprar.
Como a Martina não fazia umas comprinhas de verdade há mó tempão, estar num lugar tipo Carlsbad naquele dia fez com que ela se interessasse por tudo.
O Benjamin, por outro lado, tava com a ideia de acompanhar uma gata, custe o que custasse. O que a Martina queria fazer, ele dava um jeito de ir junto.
Se não fosse porque as mãos do Simon tavam cheias de sacolas e o Benjamin não tava muito legal, a Martina ia continuar comprando, certeza.
Nessa altura, a Martina já tinha trocado quase tudo de roupa. Ela botou uns óculos escuros pra proteger do sol, e um chapéu na cabeça, tava estilosa e linda. Ela também comprou uns óculos pro Benjamin, principalmente pra esconder a cara dele.
Mesmo com só metade da cara dele aparecendo atrás dos óculos escuros, a beleza absurda do Benjamin não tinha como esconder, exalando um charme que nem dá pra explicar.
Aos olhos dos outros, parecia que os dois tavam tipo, querendo mostrar o amor que sentiam, até usando óculos iguais, um grande e outro pequeno.
Os dois continuaram andando.
Eles viram alguém vendendo cadeados combinando perto da beira do penhasco ali na frente.
Os cadeados, feitos pra trancar juntos e pendurar, davam um espaço pros visitantes escreverem seus nomes e desejos.
Segundo a lenda, se escrevessem os nomes nos cadeados, pendurassem na corrente na beira do penhasco, fechassem os olhos e fizessem um pedido sincero, o desejo ia se realizar.
Muitas pessoas iam lá por causa da fama dessa lenda, e, tipo, se era verdade ou não, elas meio que preferiam acreditar.
Sem pensar muito, a Martina quis dar uma desviada. "Que tal a gente ir ver a área ali na frente? Parece bem animada por lá."
Só que o Benjamin, que normalmente fazia o que a Martina falava, negou dessa vez. "Não, fica comigo e vamo comprar uns cadeados combinando."
Mesmo que a Martina já tivesse sacado o que o Benjamin tava pensando, ouvir isso dele foi diferente. Ela falou, "Não acho que precisa. Acreditar nessas paradas não parece ser seu estilo. Se duas pessoas vão ficar juntas ou não, não depende de pendurar cadeados."
A Martina achou que tinha sido super clara, e o Benjamin ia entender. Ele não ia ficar insistindo, né?
Mas o Benjamin, mais uma vez, quebrou as expectativas da Martina. Ele não falou nada e só pegou na mão da Martina, levando ela pra barraquinha que tava vendendo os cadeados combinando.
A dona da barraquinha era uma garota que parecia ter uns 10 e poucos anos, com um jeito super fofo e animado.
Assim que ela viu o Benjamin e a Martina chegando, ela já se levantou da banquinha dela e recebeu os dois com um sorriso.
"Vocês dois querem comprar um par de cadeados combinando? Tenho vários estilos aqui! Podem dar uma olhada, ou até posso fazer um personalizado na hora!" a garota falou toda empolgada.
A Martina ficou surpresa de ver uma garota tão nova vendendo cadeados combinando ali e quis dar uma olhada mais de perto.
Parecendo acostumada com esses olhares curiosos, a garota explicou sem esperar a Martina perguntar, "Mesmo não sendo adulta ainda, essa barraquinha não é minha. Só tô aqui pra ajudar minha mãe, ela foi no banheiro."
Talvez fosse a sinceridade nos olhos da garota, ou talvez a Martina só quisesse entrar no clima de estar ali, ela pegou um par de cadeados combinando, que eram basicamente cadeados que pareciam um pouco mais bonitos que os normais, mas só isso.
A garota concordou e entregou os cadeados pra Martina, dando uma caneta também. Essa caneta escrevia nomes que não iam sumir com o vento e a chuva.
"Depois, vocês e seu namorado podem escrever seus nomes e desejos neles. Ah, falando nisso, uma dica amiga: depois que pendurar esse par de cadeados, não tem como tirar de novo porque não tem chave!" a garota falou.
Depois de falar, ela não aguentou e deu outra olhada pra Martina. "Você é muito linda, a garota mais linda que eu já vi na minha vida. E seu namorado também é gato. Desejo que vocês dois tenham um relacionamento duradouro e feliz!"
Se foi por causa das palavras da garota ou por alguma outra coisa, o Benjamin foi direto no Simon.
O Simon fez mó força pra tirar a carteira do bolso da calça. Os dois se entendiam mesmo, não precisavam nem falar pra saber o que o outro queria.
O Benjamin tirou duas notas de cem dólares da carteira e botou em cima da mesinha na frente da garota. "Pode ficar com o troco," ele falou.
Na real, os cadeados combinando valiam, no máximo, 20 dólares, talvez até 10. O Benjamin tava sendo bem extravagante mesmo.
A garota se assustou. "Senhor, não precisa mesmo, não precisa gastar tanto. Esses cadeados são só 25 dólares pra vocês."
O Benjamin não falou nada e só foi embora com a Martina, ignorando os chamados da garota lá atrás.
A Martina balançou a cabeça, sem acreditar, "Você é muito extravagante. Ela pediu 25 dólares, e você deu 200. E se ela pedisse 250? Você ia dar 2000?"
O Benjamin deu de ombros, "Comprar as coisas não é pra fazer as pessoas felizes?"
A Martina parou por um momento, "Tá dizendo que você tá feliz?"
Daí, ela sacou por que o Benjamin tava tão feliz. Ele tava REALMENTE feliz com as palavras da garota agora, e foi por isso que ele reagiu assim, né?
A Martina balançou a cabeça em silêncio. Às vezes, ela realmente não conseguia entender o jeito de pensar do Benjamin. Ele era tão fechado e arrogante, mas agora, de repente, virou um cara normal.