Capítulo 215: Que tipo de problema você poderia ter?
Elizabeth não sabia que onda de sentimentos tava sentindo quando apareceu na sala. Ela viu a interação de boas entre os três, meio que se sentindo de fora. Pra não irritar mais o Jack, ela tava disposta a abrir mão até da dignidade dela.
Ela mandou a empregada preparar um chá e entregou pro Jack pessoalmente, falando, "Jack, quer um chá? Me desculpa mesmo. Eu tava errada antes, e prometo que não faço de novo."
A parada que mais definia a Elizabeth era a capacidade dela de se adaptar. Às vezes, quando ela sabia que não ia conseguir controlar a situação, ela pedia desculpas primeiro e planejava a vingança depois. Mas quando se tratava de lidar com o Jack, essa característica não ia adiantar de nada. Ela ia ter coragem de se vingar?
Talvez pensando nos sentimentos do Benjamin, o Jack aceitou o chá meio a contragosto e tomou um gole, dizendo, "Bom, contanto que você entenda que errou. Já falei – a Martina é sua única nora no futuro. Mesmo que eles não tenham casado e registrado no papel, isso não vai mudar. Como você pode tratar ela assim, sendo a futura sogra dela? Quer ser a sogra má?"
A Elizabeth ficou com vergonha e fez força pra falar. Depois de um tempo, ela conseguiu dizer, "Sim, eu tava errada antes. Martina, eu prometo que não vou te tratar assim no futuro. A gente pode deixar pra lá o que passou?"
A Martina não acreditava muito nas promessas da Elizabeth. Ela achava que podia até piorar no futuro. Mas ela não tava pensando em ficar aqui pra sempre. Talvez um dia ela tivesse que ir embora.
Pra não deixar o Jack triste, a Martina estendeu a mão meio sem vontade e deu um tapinha no ombro da Elizabeth. "O que passou, passou. Não guardo mágoa."
A cara da Elizabeth se iluminou na hora. "Exato! Eu sabia que você era uma menina muito boa e generosa. Você não ia guardar rancor de mim. Que bom."
A Elizabeth tava fingindo ser boazinha de propósito, e a diferença do que ela tava fazendo antes era bem grande. Até um idiota percebia que ela tava fazendo um teatro. As pessoas não mudam tão fácil.
O Jack pensou por uns dois segundos e finalmente falou, "Contanto que você saiba como corrigir seu comportamento, já tá bom. Vamos deixar assim."
...
Logo, a Elizabeth voltou pro quarto dela, aliviada por não ter mais que se preocupar. Ela pegou o celular e começou a conversar com as amigas.
Elas tinham combinado de jogar mahjong à tarde, mas agora parecia que não ia dar. Ela não podia sair nesse momento, senão ia irritar o Jack com certeza.
A Elizabeth tava ligada que a fase boa dela tava acabando. Depois que o Jack voltasse, ela ia ter que segurar a onda e não fazer um monte de coisa. Ela postou no grupo, "Não dá pra jogar mahjong hoje, aconteceu um negócio aqui."
Esse comentário na hora causou a desaprovação e a curiosidade das outras senhoras.
"Elizabeth, o que aconteceu? Que problema você pode ter? Sua empresa não faliu, né?"
Tão logo o comentário foi feito, ele foi apagado rapidinho, provavelmente por medo que alguém com más intenções tirasse um print e causasse um impacto negativo. Depois, ela apagou a última frase, repostou a mensagem. Sorte da Elizabeth que os pensamentos dela estavam confusos e impediram ela de ver a observação final; senão, com certeza ela ia ficar chateada.
Ela respondeu, "É uma besteira. Por que vocês tão preocupadas?"
Mas essas pessoas não estavam desistindo. "Não pensa que a gente tá sendo curiosa. A gente tá preocupada de verdade. Que problema você pode ter?"
"Qualquer problema em casa quem tem que resolver é seu filho, né? Não tem nada a ver com você. Que problema ia exigir que você resolvesse?"
Talvez por impaciência ou por estar de mau humor, a Elizabeth rapidinho adicionou outra frase, "Meu sogro voltou pra casa, e pode ser que tenha um jantar hoje à noite. A gente tem vários compromissos pra tarde, então não dá pra sair. Vamos ter que remarcar a partida de mahjong."
A galera do grupo ficou chocada quando viu essa mensagem. Todas sabiam a quem a Elizabeth tava se referindo quando dizia "sogro". Antes, elas tinham ouvido dizer que a saúde do Jack não tava boa, e que ele ia descansar fora de casa. Elas nunca esperavam que ele voltasse tão cedo.
Se alguma coisa acontecesse com o Jack, ia ter grandes consequências pra toda a família Walker, podendo até afetar o grupo Walker. Essa era uma das razões pra tanta preocupação.
Agora que o Jack tinha voltado, algumas pessoas podiam pensar que o "protetor" delas tinha voltado, levando a vários pensamentos e especulações.
"Ah, entendi. Parece que você tem estado bem ocupada ultimamente. Vamos combinar nosso próprio jogo de mahjong", comentou uma delas.
O grupo fez silêncio depois disso, mas a Elizabeth não conseguiu silenciar seus pensamentos acelerados. O que essas pessoas tavam dizendo? Elas tavam mesmo menosprezando ela assim? Mesmo que tivessem falando a verdade, a real podia ser bem difícil de engolir. Ela tava acostumada a ser mimada e admirada, então quando ela tinha sido tratada assim antes?
Quanto mais a Elizabeth pensava, mais brava ela ficava. Ela tava tomando cuidado pra não fazer barulho, pois o Jack já tava em casa, e não ia ser apropriado fazer bagunça.
Ela segurava o vaso caro na mão, mas não conseguiu continuar quebrando como fazia antes. O coração dela tava desconfortável, e tudo por causa da Martina. Parecia que a Martina era a estrela da má sorte dela. Sempre que a Martina tava por perto, as coisas nunca acabavam bem pra ela.
Além disso, cada ação da Elizabeth tava sob os olhares dos outros. Parecia que a Martina tinha previsto tudo, causando de propósito a interpretação errada das intenções da Elizabeth pelo Jack e pelo Benjamin.
Essa possibilidade passou pela cabeça dela. Não podia negar que algumas pessoas tendiam a pensar negativamente. A Martina nunca teve essas intenções, mas a Elizabeth não conseguiu evitar considerar isso.
Talvez essa era a diferença entre a Martina e a Elizabeth. As personalidades delas eram fundamentalmente diferentes. A Martina era mais compreensiva e atenciosa, nunca querendo machucar os outros de propósito, e nunca buscando vingança a menos que alguém a provocasse demais. Por outro lado, a Elizabeth era bem o oposto.