Capítulo 2: Quando a indecisão levou ao caos
Depois de ver a Martina ir embora, a A Babá voltou correndo pra sala e contou tudo pra Elizabeth.
A Elizabeth, toda relaxada, folheou a revista e disse: "Se ela quer ir, deixa. Meu filho precisa de uma mulher que combine com a nossa grana e status social."
A A Babá ficou meio preocupada e falou: "Mas o jovem mestre volta em uns dias, e se ele não vir a Miss Martinez..."
A Elizabeth não ligou pra isso e mandou ela calar a boca. "Já falei mil vezes! Pra onde ela vai, se sair daqui?" A voz dela tava cheia de desprezo.
...
No táxi, o O Motorista perguntou umas vezes se o endereço tava certo, mas não teve resposta.
Ele olhou no espelho e viu a Martina chorando quietinha no banco de trás.
A viagem foi de boa, sem perrengue, e logo eles chegaram no apartamento que ela tinha alugado temporariamente.
Sair do Benjamin não foi uma decisão de cabeça quente da Martina. Ela levou dois meses pra aceitar a parada e no fim decidiu dar um fim nessa relação de seis anos sozinha.
Nos últimos anos, não tinha espaço nos olhos e no coração dela pra mais ninguém além do Benjamin. Agora, a decisão final era tipo botar um ponto final naqueles anos absurdos.
O apartamento tava limpinho, com dois quartos e 75 metros quadrados. A localização era considerada boa em LA, e ainda por cima perto do estúdio.
Tinha os móveis e eletrodomésticos básicos, tudo limpo. Pequeno, mas com tudo o que precisava.
Ela largou as malas e preparou uma comidinha pra ela.
Depois de botar o chip novo, ela ligou pro pai, Miguel Martinez.
Faz tempo que pai e filha não se falavam, mas assim que o Miguel ouviu a voz da Martina, o humor dele foi lá em cima.
Pra não preocupar o Miguel, a Martina inventou uma mentirinha depois de trocar de número.
Depois de saber o que rolou, o Miguel começou a se preocupar com o casamento da Martina. Ele ainda tava bolado com a atitude do Benjamin em relação ao casamento. Afinal, a filha dele tinha morado na família Walker por tantos anos.
"A propósito, como tá a parada com o Benjamin? Quando vocês vão casar?"
Casamento?
É, ela tava com o Benjamin há seis anos. Era pra casar e fazer uma festona. Mas o Benjamin nunca tinha falado nada sobre casamento pra ela, nem uma vez.
O Miguel não ouviu resposta e a voz dele mudou na hora. "Será que a família dele quer dar pra trás?"
Lembrando de umas coisas antigas, o Miguel não conseguiu evitar de ficar puto. "O casamento de vocês foi abençoado pela Deusa da Lua, e ninguém pode ir contra essa promessa!"
Nos últimos anos, o Miguel tava sempre insatisfeito com o Benjamin e vivia falando que queria conversar com ele quando fosse pra LA.
Mas o Benjamin tava sempre ocupado e nem a Martina conseguia ver ele com frequência.
A Martina tava com medo de aprofundar no assunto e só revelar notícias tristes, fazendo o pai se preocupar com a situação dela se ele descobrisse. Então, toda vez, ela falava que o Benjamin era bom com ela e que o resto da família Walker tratava ela bem.
Respirando fundo, a Martina escondeu do pai que tinha saído da família Walker.
Seis anos atrás, quando ela foi pra família Walker com tudo, o Miguel já tava preocupado. Depois, o Benjamin nunca demonstrou que tava a fim de casar e o Miguel vivia pedindo pra visitar, mas a Martina sempre negava.
Se a Martina falasse que tinha saído da família Walker agora, o pai dela ia correndo pra lá na hora.
"O Benjamin me trata bem, e a gente tá numa boa. A gente provavelmente vai casar logo. Vou conversar com ele quando ele voltar", disse a Martina, segurando a dor que parecia sufocá-la no coração.
O Miguel finalmente se acalmou e falou: "Tudo bem, essa é a coisa certa a fazer. Nós dois precisamos conversar sobre isso."
A Martina respondeu com um "ok". O Miguel tava feliz em falar sobre o casamento da Martina, e não conseguiu evitar de falar: "Quando o Benjamin voltar, traz ele em casa. Tem uns parentes que ainda não o conheceram."
A família da Martina era bem normal. O Miguel era diretor do Comitê de Promoção de Investimento local, e nessa geração ele tinha conseguido uns bens. Apesar do sucesso, a família Martinez tinha raízes humildes de agricultores na geração anterior.
Falando sobre o destino entre a família Martinez e a família Walker, era bem sinistro.
Quando o avô do Benjamin, Jack Walker, era novo, ele adorava aventuras ao ar livre e ia pra onde a treta levasse ele.
Durante uma expedição em uma montanha na região leste, ele se machucou e ficou preso numa armadilha no meio da montanha. Em uma situação de perigo, o Jack orou pra Deusa da Lua, esperando que um guerreiro heroico viesse resgatá-lo.
Coincidentemente, o avô da Martina, Antônio, tava indo pra montanha caçar quando encontrou a equipe de expedição presa, incluindo o Jack gravemente ferido. O Antônio foi o primeiro a tirar o Jack e levá-lo pro hospital da cidade, antes de chamar o povo local pra resgatar os outros.
O Antônio era forte quando era novo, e conseguiu carregar o Jack, que era mais pesado que ele, nas costas por noventa quilômetros na estrada da montanha, até a cidade.
Esse tratamento rápido dos ferimentos permitiu que o Jack não perdesse as pernas, e ele foi grato ao seu salvador desde aquele dia.
O Jack acreditava que isso era coisa da Deusa da Lua. As duas famílias conversaram e decidiram arranjar um casamento entre a próxima geração de filhos, aprofundando ainda mais a amizade.
Mas as duas famílias só tinham um filho na próxima geração, então o casamento teve que ser adiado pra geração do Benjamin e da Martina.
A Martina sempre soube do casamento arranjado desde criança. Depois de fazer 16 anos, ela se mudou de New Mexico pra LA pra estudar, e assim a família Walker se tornou sua segunda casa.
Ela ainda lembra da primeira vez que conheceu o Benjamin. Ele tava tocando piano lá em cima, e o som lindo e melodioso ecoou no coração da Martina. A menina ficou vermelha e sentiu uma coisa boa por dentro.
Depois, o Benjamin desceu, e a Martina sentou no sofá, nervosa.
Foi o primeiro encontro dos dois depois de fazer 16 anos. Com uma olhada, a Martina não conseguiu mais sair dali.
Olhando pra trás, nos olhos do Benjamin durante esses anos, parecia que tudo sempre foi calmo, até os sentimentos deles um pelo outro eram tão normais quanto no primeiro encontro.
Depois de terminar a ligação com o Miguel, a Martina ia jogar fora o chip velho quando uma ligação chegou.
Ela olhou e o coração disparou. Os olhos dela não conseguiam se afastar. Era o Benjamin.
Tum tum... O coração da Martina bateu cada vez mais rápido.
Há mais de seis meses, o Benjamin foi pra Berlim pra desenvolver os mercados estrangeiros, e só voltou duas vezes nos primeiros dois meses. Ela não conseguia lembrar quanto tempo tinha passado desde a última conversa deles.
O Benjamin tava muito ocupado e quase voava pra várias partes do mundo todo dia. O telefone dele era quase sempre usado pelo assistente, então mesmo se a Martina ligasse, não conseguia falar com ele.
Com o tempo, até a equipe de assistentes do Benjamin começou a reclamar dela, às vezes até não atendendo as ligações dela de propósito.
No começo, quando a Martina tava sendo incomodada de propósito por aqueles assistentes, ela ficava chateada e depois ligava pra questionar eles. Depois, ela se acostumou, mas ainda tinha boatos de que a Martina era uma pessoa grudenta e com um temperamento ruim, e por isso o Benjamin não voltava.
A Martina desligou a ligação sem expressão e soltou um suspiro.