Capítulo 227: Apenas Mantenha
Elizabeth, que tinha sido ignorada até o fim, não reconhecia seus próprios erros. Em vez disso, ela queria terminar logo as tarefas que tinha em mente. Só assim ela conseguiria se sentir mais feliz. Então, depois da refeição, ela correu de volta para seu quarto, com medo de que qualquer atraso pudesse afetar o tempo que lhe restava. Ela realmente não tinha capacidade de auto-reflexão, ou talvez, em sua visão, tudo o que ela fazia sempre era certo.
...
Martina voltou para seu quarto, tirou o laptop da mesa, se ajeitou em uma posição confortável, meio deitada na cama, e continuou trabalhando. Ela também mandou uma mensagem para Elena.
"Aconteceu uma parada, e não sei se conto pra você."
Quando Elena recebeu a mensagem da Martina, ela tinha acabado de comer e já estava de volta ao seu quarto. Ela respondeu quase que na hora.
"Que foi? Conta logo. Não guarda nada pra você. Seja bom ou ruim, tô aqui contigo."
Se outra pessoa falasse essas palavras, podia soar falso, mas quando a Elena falava, era diferente. Pelo menos, ela se importava MUITO com a Martina.
Martina deu uma risadinha, "Na real, não é tão complicado. Jack me deu um bagulho, e, de acordo com o que a Elizabeth falou, é uma herança de família dos Walker."
A Elena tinha ficado o dia inteiro ocupada e tava meio cansada. Mas, ao ler a mensagem da Martina, sentiu uma onda de animação, e dormir já era impossível.
"Não acredito! Sério? Ele te deu a herança da família! É inacreditável! Já ouvi falar dessa herança antes; disseram que a família Walker sempre teve uma. É pra futura patroa da família, pra mostrar o status dela! Mas você e o Benjamin nem casaram ainda. Por que o Jack faria isso? Qual a vantagem?"
Por mais que a Elena pensasse, não conseguia entender. Achava até meio esquisito e não conseguia sacar as intenções do Jack.
Na real, a Martina conseguia fazer umas suposições. Era porque o Jack tinha sido MUITO legal com ela, tratando ela boa, sem segundas intenções, tanto no passado quanto agora. Por isso ela não conseguia recusar na cara dele.
Se colocando no lugar dele, a Martina percebeu que, se ela fosse muito firme nas atitudes dela, como ela faria pra encarar o Jack no futuro?
Depois de ouvir o que a Elena disse, ela pensou bem e falou, "Também acho estranho, mas consigo fazer umas suposições. De qualquer forma, essa situação não pode ser coincidência. Só não entendo por que o Jack escolheria esse momento pra me dar a herança da família. Será que ele percebeu alguma coisa? Será que ele percebeu que quero ir embora de verdade?"
Ainda bem que não era totalmente impossível. Pensando na inteligência do Jack, se ele realmente quisesse descobrir algo, ia ser moleza.
A Elena teve um estalo, e as palavras da Martina fizeram ela ligar na hora e ter uma conversa direta com a Martina.
"É, não tá totalmente fora de cogitação. Talvez o Jack tenha percebido seu desejo de se separar do Benjamin. Ele pode estar preocupado que não vai encontrar outra futura nora tão boa quanto você, então tá decidido a garantir seu compromisso rápido. É a cara do Jack; o jeito de pensar dele tá em outro nível. É de cair o queixo!"
A Martina fez bico. Agora até a Elena tava falando isso. Deixou ela sem palavras.
Talvez o Jack realmente tivesse pensado nisso, e por isso agiu desse jeito. Mas a Martina se sentiu culpada por pensar assim, dado o carinho do Jack por ela. Seus pensamentos estavam uma bagunça, e ela não sabia como se expressar.
Ela suspirou fundo, "Quem sabe, talvez eu esteja pensando demais."
Sentindo o tom mais suave da Martina, a Elena decidiu não forçar mais a barra. Em vez disso, ela ofereceu conforto, "Ah, deixa pra lá, deixa pra lá. Não fica pensando nisso. Já que o Jack te deu a pulseira, guarda. O resto não importa. Por enquanto, aos olhos de todo mundo, você é a mulher do lado do Benjamin, e você é a única. Ninguém ousa mexer com você, de boa! Relaxa e deixa as coisas acontecerem. Quem pode garantir o que vai rolar? A gente resolve no caminho."
A situação tava ficando cada vez mais complicada, e até a Martina não conseguia ver direito. Relutante, ela continuou concordando e decidiu seguir o conselho da Elena.
"É, espero que eu esteja pensando demais. De qualquer forma, se um dia eu realmente decidir ir embora, vou deixar essa herança de família aqui. Não me pertence."
A Martina enfatizou esse ponto de propósito, talvez pra soar como um sinal de alerta pra ela mesma ou pra lembrar a ela mesma de não fazer nenhuma besteira. Por isso ela falou assim.
Talvez quando ela recebeu essa herança de família antes, ela estaria muito feliz, sentindo que finalmente tinha ganhado o reconhecimento da família do Benjamin, incluindo o próprio Benjamin. Mas agora, ela não conseguia sentir nenhuma felicidade; em vez disso, sentia uma pressão sem precedentes.
A Elena riu, mas no fundo, ela não estava feliz de verdade. Quando pensava nas dificuldades que sua melhor amiga tinha passado na família do Benjamin, era difícil se alegrar.
Mesmo que a família do Benjamin parecesse ansiosa pra fazer as pazes agora, será que eles realmente poderiam compensar a dor e o sofrimento que a Martina tinha passado no passado?
Se fosse tão simples, ela podia cometer um crime qualquer, depois pedir desculpas casualmente e oferecer um dinheiro pra fazer as pazes. Era parecido com a situação da Amy. Vendo de outra perspectiva, era fácil entender. Se muitas coisas pudessem ser realmente facilmente corrigidas, a Amy não estaria na prisão ainda, certo?
Então, muitas coisas eram incertas, e não podiam ser generalizadas.
A Martina não conseguia fazer os outros entenderem seus pensamentos de verdade, mas pelo menos, ela não devia deixar os outros afetarem ela e mudar seu eu interior.