Capítulo 194: Quer se encontrar? Sem tempo!
Na visão de Martina, a chamada repentina de Adam não era, de jeito nenhum, por boas intenções. Não é de se admirar que ela reagisse assim – quem sabia o que aquele cara estava aprontando? É sempre melhor ter cuidado. Afinal, ela e Adam não tinham muito pra conversar, e mesmo que tivessem, não seria uma conversa agradável.
Considerando o propósito dele, Adam teve que engolir a raiva e falou, “Tô num café perto do seu estúdio agora. Vem me ver.” O tom dele tinha uma certa ousadia, parecendo mais uma ordem do que um pedido.
Martina achou a autoconfiança bizarra de Adam engraçada. Ela soltou uma risada fria e disse, “Por que eu ia querer te ver? Acha que sou louca?”
Ela olhou pros lados pra ver se não tinha ninguém por perto e retrucou, “Se você tá doente, vai pra um hospício e se trata. Não vem com essa de doido pra cima de mim.”
Adam ficou em silêncio.
Martina sempre tinha sido educada antes e nunca tinha agido assim. Parecia que ela tinha saído um pouco dos trilhos depois da última vez que ela foi embora. Será que isso significava que ela não se importava mais com ninguém no mundo?
Embora Adam estivesse puto, ele teve que continuar engolindo a raiva. Afinal, ele tinha um motivo legítimo pra estar ali.
Se ele estragasse essa parada, não ia ter chance de tirar Amy da delegacia de boa. Com o tempo passando a rodo, não era bom pra Amy. Se essa treta não fosse resolvida logo, quem sabe qual ia ser o veredito final?
Pensando nisso, a voz de Adam mudou de tom. “Martinez, não força a barra. Tô aqui por um motivo legítimo, e não se preocupa, não vou fazer nada com você. Só vem pra cá!”
Considerando a posição e o status de Adam, descobrir onde era o estúdio de Martina não foi difícil. E quanto ao porquê dele ter vindo, Martina conseguiu deduzir. Era, sem dúvida, sobre Amy. Mas ela não esperava que Adam fosse se portar dessa maneira. Ele tinha mesmo jogado a dignidade no lixo?
Martina recusou sem pensar duas vezes, “Não tenho tempo agora. Se quiser, pode esperar. Sei lá, se eu tiver de bom humor um dia, posso te encontrar por gentileza.”
Adam tava ficando cada vez mais puto, “Gentileza? Você não sabe quem eu sou? Tem mulher querendo me ver todo dia. Não posso ficar aqui esperando por você!”
Martina bufou, “Já que você não tem tempo pra esperar, então vaza. Não precisa me incomodar.”
Agora, Martina tava no controle total de Adam. Nesse momento, Adam se viu num dilema em que não podia se irritar, mas também não podia ficar parado. Parecia que a frustração dele tava quase no limite. Mas quando ele pensou no que o avô tinha dito, ele teve que continuar aguentando. A cara dele parecia que ia explodir de frustração.
“Martinez, bem, quero dizer, Miss Martinez, vim te ver hoje com toda a sinceridade. Acho que você pode sentir isso. É demais pedir só um encontro? Você virou uma covarde tão medrosa?”
Martina nem ligou pras palavras de Adam, manteve uma expressão vazia. Parecia que ela tinha ficado sem palavras de verdade por causa do pensamento de Adam.
“Bem, tenho uma coisa pra te perguntar. Mesmo que seu relacionamento com Benjamin seja melhor que o meu, por que você veio atrás de mim? Acha que tentar achar o Benjamin ia ser inútil, né?”
Adam sempre considerou Martina uma caipira ingênua que não valia um olhar. Mas as interações recentes tinham mostrado pra ele que ela não era nada disso. Em vez disso, ela tava sempre surpreendendo e impressionando ele. Agora até a maneira de falar dela era única, sem dar chance de resposta. Se fosse antes, ele teria perdido a paciência e talvez a tivesse feito pagar um preço. Mas as coisas mudaram, e se ele ousasse agir assim agora, com certeza pagaria por isso.
“O que exatamente vai precisar pra você me encontrar? Vim aqui hoje com toda a sinceridade. Não quer deixar essa situação muito constrangedora, quer?”
Adam perguntou, com o punho fechado revelando a intensidade palpável da fúria dele mesmo pelo telefone. “Independentemente de você e Benjamin ficarem juntos ou não, ainda tem umas conexões entre mim e Benjamin. Você não acha estranho?”
Martina revirou os olhos em resposta, nem se dando ao trabalho de falar. Ela simplesmente desligou o telefone e deixou Adam sem palavras.
Martina ficou maluca? Ela ousou desligar na cara dele?
“Vaca!” Adam xingou, “Acha que é tão especial, né? Vou te mostrar quem manda! Teria te matado há muito tempo se você não fosse útil pra mim!”
Depois de dizer isso, ele ligou pra Martina de novo. A chamada não foi atendida. Mas ele insistiu, talvez até mais persistentemente do que já tinha perseguido uma garota. Só por volta da décima ligação que Martina finalmente atendeu. No momento, ela tava fazendo um chá na salinha, esperando aliviar um pouco a sua mente confusa e nebulosa.
Martina prendeu o telefone entre o pescoço e a orelha, as duas mãos ocupadas fazendo chá, dando a ela uma aparência inesperadamente elegante. “Adam, desiste. Você não vai conseguir o que quer nem se me encontrar.”
Adam fervia, “Não importa, a gente tem que se encontrar pelo menos uma vez. Já falei, não vou te fazer mal de jeito nenhum. Se você ousar vir, vou fazer valer a pena.”
Talvez por ser novidade ver Adam se rebaixando tanto pela primeira vez, o interesse de Martina foi crescendo aos poucos. Ela queria mesmo ver até onde esse cara ia. Suspeitava que ele ia desistir da atuação depois de umas frases.
Depois de pensar por um momento, Martina respondeu lentamente, “Já que você insiste em me ver, então deixa eu ver sua sinceridade. É o seguinte: você espera lá por mim, e eu vou quando tiver tempo.”
Adam perguntou, “Então quando você vai ter tempo? Não pode esperar que eu espere pra sempre, pode?”