Capítulo 134: Um Louco
Nesse momento, Martina tinha certeza que o assassino suspeito tinha fugido pra dentro do quarto que ela tava.
Ela não conseguia parar de pensar por que ele escolheu logo esse quarto—será que o número do quarto chamou a atenção dele, ou será que tinha outro motivo?
Naquele momento, a mente da Martina tava a mil, e ela não queria agir por impulso. Ela virou a cabeça pra trás com tudo, nem conseguiu ver direito a pessoa atrás dela. A única coisa que ela conseguiu confirmar foi que era um cara, e que parecia ter um porte físico forte.
Ela sentiu uma onda de nervosismo, sem saber o que essa pessoa podia fazer se fosse encurralada. Mas por fora, ela manteve a calma, se esforçando ao máximo pra manter a postura. Lidar com alguém assim exigia um planejamento cuidadoso, porque sem dúvida era uma situação perigosa.
Ela tinha que ficar o mais calma possível e encontrar uma maneira de se salvar. Ela lembrou que tinha um botão de emergência no quarto que ia chamar a equipe do hotel na hora.
Vendo a situação, Martina não tinha muito o que falar e só podia tentar descobrir um jeito de sair dessa. “Senhor, eu não sei por que você tá no meu quarto, mas eu não vi nada. Pode ir embora agora, eu não vou fazer nada, muito menos te denunciar. Pode ficar tranquilo”, ela disse, mesmo sabendo que talvez não desse certo.
Só que o cara não engoliu as palavras dela. Ele até encostou um objeto afiado na cintura da Martina, com firmeza. “Ficar tranquilo? Por que eu deveria ficar tranquilo? É por causa de gente metida a certinha como você que me denuncia de vez em quando que eu cheguei nesse estado! Eu só matei duas pessoas, e elas mereceram! Por que eu deveria ser preso?”
“Já que aquela vaca teve a audácia de trair, ela que arque com as consequências. Eu só fiz o que a maioria dos homens faria!” o cara explodiu, mostrando a mentalidade dele toda distorcida.
A situação piorou rápido.
Sentindo o objeto pressionando a cintura dela, ela achou que era uma faca de fruta. Ela não ousou fazer nenhum movimento brusco; ela não podia arriscar a vida dela.
A Martina franziu os lábios, as sobrancelhas bonitas dela se franzindo com frustração. A cara linda dela mostrava um misto de emoções, deixando-a sem fala. Parecia cena de filme, mas nem filme ia ousar mostrar uma coincidência dessas. Qual o nível de azar que ela ia ter?
Pra manter esse maluco calmo, a Martina teve que usar uma tática arriscada. “Apesar de eu não saber quem você é nem o que você passou, eu acho importante que você se mantenha calmo”, ela disse, esperando que a situação se resolvesse.
Ela não sabia, mas as palavras dela só provocaram ele mais ainda. “Por que eu deveria ficar calmo? Mulheres como você, que não honram seus valores, não deveriam ser punidas?” ele retrucou, a raiva dele subindo. “Se aquela vaca tivesse ficado na dela, como eu teria matado aqueles dois por engano? Eles que procuraram!”
Se a Martina não tava enganada, a mulher desse cara tinha traído ele. E quando descobriram, ela e a outra mulher pagaram com a vida.
Numa reviravolta do destino, esse cara tinha conseguido fugir e acabou nesse lugar. A equipe do hotel provavelmente não falava abertamente sobre a situação pra não causar pânico nos hóspedes.
A Martina nem imaginava que ia ter tanto azar de cruzar o caminho desse cara. Ela queria ter ficado mais tempo no restaurante.
O pão que a Martina tava segurando escorregou da mão dela. O cara parecia perdido em lembranças dolorosas, o rosto dele cheio de agonia.
“Eu tratava minha mulher tão bem, dava todo o meu salário do mês pra ela e aguentava tanto sofrimento por causa dela. Mesmo que todo mundo fosse contra mim ou me traísse, eu não ia ficar bravo. Mas por que ela teve que me trair?” o cara lamentou. “Eu perdi tudo. Eu não posso perder ela também. Já que ela não tem coração, não me culpe por ser injusto. Nós vamos ser um casal no inferno.”
Ele era um maluco de verdade!
A Martina franziu as sobrancelhas ainda mais. “Independente das circunstâncias, matar é errado. Eu sei que você deve ter passado por muita dor, mas você não deveria recorrer a essas ações”, ela tentou convencer, só que deixou o cara mais irritado.
O cara, ameaçador, aproximou a faca de fruta da Martina, e ela sentiu a blusa dela sendo perfurada.
“Você não passa de problema! Como ousa falar essas coisas pra mim?” ele explodiu. “Se você pensa assim, então eu vou te mandar pro inferno comigo! Você pode me julgar no inferno!”
A boca da Martina deu uma tremidinha. Parecia que tentar conversar com ele não ia dar certo. Ela mudou a tática rápido. “Senhor, vamos conversar. Na verdade, eu sou bem feia.”
Enquanto isso, o Benjamin tinha chegado no hotel. Como se tivessem uma ligação telepática, a pálpebra direita dele não parava de tremer. Ele também ouviu os anúncios incessantes no hotel. Num instante, ele começou a se preocupar com a segurança da Martina.
O Simon também sentiu um pânico e se arrependeu de não ter levado a Leslie dessa vez. Ele não queria ser a terceira roda no começo, mas quem diria que ia acontecer uma coisa dessas num hotel cinco estrelas?
Ele acelerou o passo, mas não conseguia acompanhar a velocidade do chefe, não importa o que fizesse. O Benjamin não parecia estar andando rápido, mas sempre tava na frente de todo mundo.
O coração do Benjamin tava apertado, esperando que a Martina estivesse bem e segura. Era só isso que ele queria.
Quando ele chegou na porta do quarto 888, ele ouviu umas vozes baixas de conversa no fundo. “Senhor, vamos conversar com calma. Eu ainda tenho muitos desejos pra realizar…”
“Para com essa besteira! Uma mulher como você não passa de lixo! Nós vamos morrer juntos!”
Mesmo as vozes dessas duas pessoas não estando muito altas, o Benjamin ainda ouviu.
O Simon ia falar alguma coisa, mas depois de ver a expressão do Benjamin, ele fechou a boca na hora.
Eles se comunicaram em silêncio com o olhar, transmitindo a mensagem, “Chefe, parece que tem mais alguém no quarto!”
Sem dizer uma palavra, o Benjamin sentiu. Tava na cara. Ele nunca esperava que aquela pessoa aparecesse naquele lugar, e ainda por cima com a Martina! Como ele ia ficar indiferente? O coração dele tava batendo forte, quase saindo do peito!