Capítulo 15: Afeto tardio é mais barato que grama
O homem a pressionou na cama, igualzinho antes, e o corpo dele pareceu ter mudado um pouco.
Se fosse antes, a Martina ia sentir uma vibe boa, mas agora ela só queria se soltar o máximo possível.
Tem aquele ditado, "amor tardio sai mais barato que mato", e isso nem podia ser considerado um amor de verdade.
Quando a Martina tava quase sufocando, os dois finalmente se separaram por um tempo. Nos olhos do Benjamin, ele só conseguia ver a figura da Martina, tipo punindo ela pelas paradas que ela aprontou nesses tempos.
O Benjamin mordeu os lábios dela de novo?
"Ai..." A Martina não aguentou e soltou um grito de dor.
O Benjamin foi mais devagar e passou o dedo indicador nos lábios da Martina, dando uma sensação fria que devia ser do remédio que ele passou.
Ele beijou a testa da Martina de novo e falou: "Lembra do que eu disse, não vai acontecer de novo. Se tiver alguma reclamação ou pedido, pode me falar. Não pode ficar fora de casa."
Ele era sempre tão mandão e teimoso, nunca ligava pra os sentimentos dela ou perguntava por que ela fazia aquilo.
A Martina achou meio ridículo, ajeitou a saia toda bagunçada, e as bochechas dela ficaram bem rosadas por causa do contato de antes.
Mas ela fingiu que não percebeu e ficou encarando a cara bonita do homem, que tava tão perto dela.
"Benjamin, tô falando sério. Precisamos esclarecer nossa relação," Ela disse. Eles não podiam continuar daquele jeito, sem nada definido.
Do começo ao fim, só ela que se entregava. Se o Benjamin sentia alguma coisa por ela, devia ser só um costume de muito tempo.
Nem dava pra chamar de costume, mas era mais porque ele via ela como um acessório e não deixava os outros encostarem nela.
Nessa hora, um desejo pareceu piscar nos olhos do Benjamin enquanto ele tocava de leve a orelha da Martina com a mãozona dele, parecendo meio avoado. A voz dele era tentadora e indiferente ao mesmo tempo, "O que você quer dizer?"
A Martina respirou fundo, querendo falar o que tava sentindo e deixar as coisas claras. Mas bem nessa hora, o telefone do Benjamin tocou de novo.
Ele pegou o celular, deu uma olhada pra Martina, pedindo pra ela ficar quieta por um tempo, e atendeu a chamada.
Parecia que a pessoa do outro lado era gringa, e eles tavam falando alemão numa boa.
O Benjamin também tava focado na conversa, só que com o dedo indicador dele, que tava passando de leve na mão da Martina.
Eles conversaram por uns bons minutos, e no final parecia que teve alguma treta.
As sobrancelhas do Benjamin franziram de raiva, mas logo ele se acalmou. Ele tapou o telefone e baixou a voz, falando: "Tenho um trabalho urgente pra resolver e preciso sair por um tempo. Você fica em casa e me espera, ok?"
A Martina ficou quieta, mesmo estando pronta pra isso, ele nem deu essa chance pra ela.
A Martina de repente se sentiu cansada.
Ela forçou um sorriso nos lábios, que tavam um pouco inchados, deixando ela ainda mais charmosa.
"Vai pro seu trabalho," ela disse.
Mas ela não falou que ia ficar esperando ali, obediente, ela nunca mais quis esperar ninguém no mesmo lugar.
O Benjamin encostou no cabelo dela e passou a mão de leve, a voz dele ficou mais suave, "Seja boazinha."
A Martina não conseguiu falar mais nada, e a expressão dela sumiu completamente da cara.
Vendo o Benjamin saindo correndo de novo, a Martina sentou dura na cama, mantendo o jeito que o Benjamin deixou.
Esse era o jeito deles de se darem bem no último ano.
O Benjamin tava muito ocupado, ela sabia disso. Mas ele nem tinha tempo pra falar uma palavra? Ou talvez... o Benjamin não ligava nem um pouco?
E a Amy? Apesar das brigas feias no passado, ele não acabou indo morar lá?
Do começo ao fim, ninguém tava nem aí pros sentimentos dela ou pra ela existir, ela era só uma piada pros outros.
Era como se todo mundo soubesse que o Benjamin geralmente tava muito ocupado.
O império todo dos negócios da empresa dependia dele, e até a família Walker inteira dependia dele, menos a Martina. Só porque ela era dispensável.
Percebendo isso, a Martina juntou toda a última pontinha de carinho que ela tinha no coração.
Nessa vez, a Martina se abaixou de novo, usando toda a força dela pra pegar uma caixinha de ferro que tava embaixo da cama.
Dentro da caixa, as coisas que ela achou não eram tão valiosas.
Era só um retrato duplo com o nome do Benjamin assinado, e um retrato do próprio Benjamin.
O retrato duplo foi tirado depois que a Martina se esforçou muito. Era ela e ele, e os dois pareciam mais inocentes na foto.
Quanto à assinatura, ela forçou o Benjamin a assinar, falando que era pra guardar de recordação.
O retrato foi o primeiro que a Martina pintou pro Benjamin. Tinha ficado embaixo da cama dela esse tempo todo, mas pareceu que não precisava mais guardar.
A Martina foi até a penteadeira e olhou pra sua cara pálida no espelho. Só os lábios que tavam vermelhos e sangrando um pouco.
Tinha uma beleza estranha nisso, mas também fez ela se sentir muito triste.
Ela tinha só 24 anos, mas tinha feito ela mesma parecer um fantasma.
De verdade não tinha nenhum motivo pra continuar.
A Martina foi pro banheiro lavar o rosto, e depois voltou calmamente pro quarto, deitando na cama conhecida.
Mesmo que a Martina tivesse saído há pouco tempo, ela já não tava acostumada com aquela cama macia e confortável.
Talvez fosse porque uma vez que ela voltava pra família Walker, ela se sentia como um pássaro preso numa gaiola.
Era muito opressor pra ela tanto fisicamente quanto mentalmente, quase impossibilitando ela de respirar.
A Martina se forçou a dormir, mas acabou tendo vários pesadelos.
Ela tava tão cansada.
Nos sonhos dela, tinha monstros correndo atrás dela sem parar, mordendo ela toda. Depois, um tal de super-herói apareceu na frente dela e jogou ela de volta pro inferno.
Na manhã seguinte, por volta das 6 horas, a Martina saiu da cama feito zumbi. Mesmo que ela tivesse dormido por um tempo, ela tava mais exausta do que se tivesse trabalhado o dia todo.
O Benjamin não tinha voltado ainda, e a Martina não sabia com o que ele tava ocupado.
Sem pensar muito, a Martina achou uma mala e colocou as coisas que sobrou dentro.
Julgando pela atitude por cima do Benjamin com ela, não fazia muita diferença se eles terminassem oficialmente ou não.
Por que ficar lutando com essas coisas sem sentido?
Contanto que ela pudesse seguir os próprios princípios dela, não ia demorar muito pra eles se separarem de vez.
Contanto que ela não se arrependesse nem desistisse.
A Martina foi pra baixo e viu a Amy arrumando as malas com raiva, grandes e pequenas, como se estivesse se mudando.
Ao mesmo tempo, ela tava chorando pra Elizabeth, "Elizabeth, não aguento te deixar --"
Se ela aguentava ou não, o que ela podia fazer?
O Benjamin já tinha deixado claro, até a Elizabeth não ousou desobedecer ele.