Capítulo 91: Ele Realmente Disse Isso?
Por outro lado, Adam não foi pro hospital nem pra casa. Em vez disso, ele achou um hotel aleatório pra ficar.
Ele não tava entendendo nada. Por que o Benjamin tinha ficado tão bravo de repente, a ponto de se atormentar assim?
A única coisa que Adam podia ter certeza era que o Benjamin tava culpando alguém, mas quem ele tava botando a culpa???
Adam tava quebrando a cabeça, e quando ele tava quase desistindo de achar alguma resposta, uma imagem surgiu na mente dele!
"Espera aí", ele disse pra si mesmo, "por que as frases 'deu um tapa' e 'interesseira' parecem tá ligadas à Martina?"
Pensando bem, era verdade! Além da Martina, o Adam e o resto nunca tinham tratado nenhuma outra mulher daquele jeito. Era porque eles achavam a Martina uma interesseira barata e sem vergonha, então sempre agiam da forma mais cruel possível com ela.
Depois de perceber tudo isso, Adam de repente se sentiu mal por ele mesmo e murmurou: "Como isso é possível? Será que ele realmente tá sentindo alguma coisa por ela?"
Ligando isso às mudanças recentes do Benjamin, mesmo que o Adam não quisesse admitir, parecia que ele tinha que aceitar.
Não é à toa que o Benjamin nunca demonstrou muito interesse na irmã dele. Então, depois de todos esses anos juntos, ele realmente se interessou pela Martina, né?
Adam esfregou as bochechas inchadas e não conseguiu engolir a indignação de jeito nenhum.
Ele realmente não ousava fazer nada com o Benjamin, mas isso não significava que ele não ousaria fazer algo com a Martina.
Por que a Martina tinha o direito de ficar do lado do Benjamin? Ela merecia?
No entanto, o Benjamin tava disposto a largar o emprego mais valioso e procurar por ela sem parar.
Vários pensamentos conflitantes se misturavam, e Adam franziu a testa com força. "Não, eu preciso descobrir o que tá acontecendo e ver como as coisas realmente são."
Adam colocou uma compressa de gelo no rosto e tava pronto pra agir. Ele pegou o celular pra mandar uma mensagem pra alguém.
...
No hospital, Martina abriu os olhos e notou a configuração familiar do quarto do hospital, embora houvesse alguns elementos estranhos.
Ela mexeu a mão e percebeu que ainda tinha uma agulha nela. Dói um pouco sempre que ela se movia, mesmo que fosse só um pouquinho.
Os pensamentos dela estavam ficando mais claros e ela cuidadosamente relembrou a situação anterior.
No entanto, por mais que ela pensasse, não conseguia entender o que tava acontecendo.
Ela não tava dormindo na cama? Por que ela acordou e se viu no hospital? Ela tava sonâmbula ou algo assim?
A Martina olhou em volta do quarto, e além dela, não tinha mais ninguém lá.
Ela fez força pra sentar, e a agulha puxou com o sangue dela.
No momento seguinte, o barulho de passos pôde ser ouvido do lado de fora da porta, e Elena entrou apressada no quarto.
Ela tinha uma marmita na mão, e assim que viu a Martina acordada, apressou ainda mais o passo.
Ela também notou que a bolsa de soro da Martina tinha recuperado uma boa quantidade de sangue, o que assustou a Elena. Ela gritou na porta, levantando a voz: "Doutor! Enfermeira! Rápido! O sangue voltou pro tubo!"
Logo, uma enfermeira que era especificamente responsável pela condição da Martina entrou.
De qualquer forma, só restavam alguns mililitros de líquido na bolsa de soro.
Com o consentimento da Martina, a enfermeira a ajudou a remover a agulha antes, e levou a bolsa de soro restante.
"Por que eu tô aqui?" ela perguntou pra Elena com uma voz rouca. Os olhos dela pareciam vazios, indicando os efeitos persistentes da febre, e a garganta dela tava incrivelmente seca.
Talvez porque a Elena foi a primeira pessoa que ela viu, o humor da Martina melhorou um pouco.
No entanto, ainda tinha uma coisa que a Martina não entendia.
Ela pensou consigo mesma: "Eu tava claramente dormindo na casa do Benjamin, então por que eu tô no hospital, e... por que a Elena tá aqui? Não pode ser que a Elena tenha entrado à força na casa e me levado pro hospital."
A Elena imediatamente sacou as emoções nos olhos da Martina e segurou a mão dela.
"Martina, você me assustou", disse a Elena, ansiosa. "Eu sei o que você tá pensando. Você teve febre alta, quase 39°C, e foi o Benjamin que te trouxe pro hospital."
"Também foi o Benjamin que me ligou e pediu pra eu vir aqui pra te acompanhar. Quando eu cheguei na entrada do hospital, eu vi ele saindo num carro, provavelmente ocupado com o trabalho."
"Eu..."
A Elena falou um monte.
Dessas palavras, a Martina finalmente entendeu a situação. Então, na noite passada, quando ela teve febre, foi o Benjamin que notou e a trouxe pra cá.
Ninguém sabia qual era a mentalidade do Benjamin quando ele escolheu fazer a Elena vir e acompanhar a Martina.
Talvez tenha sido por culpa pelo que aconteceu antes? Ou talvez fosse impaciência com a Martina?
Mas, não importa o motivo, falando francamente, não importava muito pra Martina, e ela não queria se importar.
Vendo que a Martina não tava num bom humor, a Elena proativamente serviu um copo de água pra ela.
Ela também tirou a comida da marmita, que tava com um cheiro bom e com certeza não foi feita pela própria Elena.
"De qualquer forma, você deveria comer alguma coisa pela sua saúde! Você não pode continuar se torturando assim. Quem você tá tentando assustar?" Elena repreendeu, com um tom cheio de preocupação.
Falando nisso, ela achou estranho que o Benjamin parecia ter mudado de verdade de alguma forma.
E ele até disse algo antes de ir.
A Martina tomou alguns goles do mingau, mas não tinha gosto de nada por causa da garganta inflamada.
Vendo que a Elena permaneceu em silêncio, ela perguntou: "No que você tá pensando? Se você tem trabalho pra fazer, vai lá e faz. Você não precisa se preocupar comigo."
Era só uma febre de qualquer jeito, e já tinha voltado ao normal.
A Martina não achava que era tão frágil que precisava de atenção constante.
Com relação ao que aconteceu na noite passada, ela não se lembrava de nada, então, naturalmente, não fazia ideia do que ela poderia ter dito pro Benjamin no estado de torpor. Talvez seja por isso que o Benjamin não queria que ela o visse como a primeira pessoa quando ela acordasse.
Porque o Benjamin sabia muito bem que a Martina só parecia voltar a ser como era antes quando ela não tava totalmente consciente. Mas assim que ela acordava, ela voltava a ser alguém que não o amava, tava impaciente com ele e não queria vê-lo.
O contraste entre esses dois estados era muito grande pra o Benjamin aceitar.
A Elena acordou dos pensamentos e balançou a cabeça. "O trabalho tá tranquilo. Não muito ocupado nesses últimos dias. De qualquer forma, tem uma coisa que eu quero conversar com você", disse a Elena.
A Martina largou a comida e encarou a Elena sem desviar o olhar. "Só fala. A gente ainda precisa ser educada uma com a outra?"
"Bem, a questão é que, quando eu cheguei, eu vi o Benjamin, sabe", Elena sorriu e disse. "Antes de ele ir, ele me disse uma coisa. Ele disse que você pode continuar trabalhando no estúdio se você quiser."
"O quê?" A Martina ficou chocada. Ela não esperava que a Elena fosse trazer isso de repente.
A Martina levantou uma sobrancelha e perguntou: "Ele disse isso por iniciativa própria?"
"Sim!" Elena concordou vigorosamente. "Eu na verdade tinha a intenção de expressar minha frustração por ele ter feito você ficar doente, mas quando ele disse isso, eu fiquei completamente sem palavras!"