Capítulo 14: Sua partida valeu a pena ser celebrada?
Em pouco tempo, a Martina foi puxada do carro pelo Benjamin.
Já passava das duas da manhã, mas a mansão da família Walker ainda estava toda iluminada, tipo, parecia que ninguém tinha dormido ainda.
A Martina não conseguiu evitar de rir com aquilo. Será que essa galera tava tão feliz que ela tava indo embora que teve que fazer uma noite toda pra comemorar? Ou era assim que eles viviam nos últimos dias?
Será que a partida dela valia mesmo toda essa comemoração?
O Benjamin pegou na mão da Martina e foi andando pra entrada da mansão, onde eles viram uma galera reunida lá fora.
A mãe do Benjamin tava na frente, parada do lado do mordomo.
No meio tava outra mulher, que era ninguém menos que a Amy, a irmã mais nova do Adam.
A Elizabeth parecia preocupada e olhou pro Benjamin, "Filho, onde você foi? Por que saiu tão tarde da noite?"
Enquanto falava, a Elizabeth também notou a Martina que tava com o Benjamin, e uma pontinha de desgosto passou rapidinho pelos olhos dela.
Até a Amy teve uma reação parecida, "Benjamin, a Martina não tinha dito que não ia voltar mais? Por que ela tá aqui de novo?"
A Martina não tava a fim de papo com essa galera e soltou a mão do Benjamin, friamente, antes de voltar pro quarto dela.
Uma expressão estranha surgiu na cara da Elizabeth na hora. A Martina tinha voltado, mesmo tendo jurado que era a última vez.
Mas, como o Benjamin ainda tava lá, a Elizabeth não se expôs muito.
Foi a Amy que não se aguentou de curiosidade, "Benjamin, a Martina ligou pedindo pra você buscar ela?"
"Ela realmente não sabe ser atenciosa. Você tá trabalhando tanto, e ela não consegue nem demonstrar que se importa com você", continuou ela, sem conseguir disfarçar a frustração.
A Elizabeth concordou, aparentemente defendendo a Martina, mas na real, tava fazendo umas indiretas, "Amy, a Martina é meio mimada. É normal ela não entender as regras às vezes, afinal, ela ainda tem o Sr. Jack Walker pra proteger ela."
O Benjamin não deixou passar essa.
Mas, como era a própria mãe dele que tava falando, no fim das contas, ele não perdeu a paciência.
Só que o Benjamin não fez nenhuma cerimônia com a Amy, e perguntou sem rodeios, "O que você tá fazendo na minha casa?"
Antes, o Benjamin tava ocupado e não teve chance de encontrar a Amy.
E, juntando com a omissão intencional da Elizabeth, não é de se espantar que ele não soubesse dessas coisas.
A Amy ficou chocada por um momento e entrou em pânico, se escondendo atrás da Elizabeth, parecendo envergonhada, "Eu tô aqui porque... porque..."
Ela não podia simplesmente falar que tava lá fazia quase meio mês porque foi ela que fez a Martina ir embora, né?
A Elizabeth deu um tapinha na mão da Amy pra ajudar. "Filho, não culpa a Amy. Fui eu que pedi pra ela ficar aqui", ela disse pro Benjamin. "Nossa casa tem um ambiente melhor e é mais apropriado pra Amy se recuperar. Você e a Amy cresceram juntos. Você não pode simplesmente ignorar esse favor, né?"
Os olhos do Benjamin ficaram frios, e ele provavelmente sacou um pouco da situação.
Ele pensou na cara fria da Martina agora, será que tinha a ver com a Amy?
Então, o Benjamin não teve pena e falou, "Você pode voltar amanhã sozinha, ou posso mandar alguém te levar de volta."
Foi quase como botar ela pra correr.
A cara da Amy ficou vermelha na hora, em parte porque tava com vergonha, e em parte porque tava se sentindo especialmente triste.
Lágrimas escorreram como se não custassem nada. Ela chorava enquanto agarrava a mão da Elizabeth, "O Benjamin realmente me odeia?"
A Elizabeth gostava muito da Amy e não suportava ver ela sendo tratada mal.
"Não se preocupa, Amy", ela disse. "Eu tô aqui pra te apoiar. Meu filho só tá chateado por um tempinho. Vai ficar tudo bem. Depois que as coisas se resolverem, eu te levo de volta."
A Amy teve que desistir por enquanto, mas não se convenceu e ficou com mais raiva da Martina.
Provavelmente foi ela que ficou cochichando na frente do Benjamin e fez ele tratar ela assim. Que mulher esperta!
...
Quando o Benjamin voltou pro quarto deles, viu a Martina de joelhos no chão numa posição difícil, os braços dela se mexendo sem parar, tateando embaixo da cama.
Talvez porque ela tava muito ansiosa, tinha umas gotinhas de suor na cara dela. Mas ela mordia os lábios com teimosia e continuava enfiando a mão lá dentro, mas não conseguia.
Daquele ângulo, o Benjamin quase conseguia ver a figura bem proporcionada da Martina por inteiro.
Só que a Martina ainda não sabia que o Benjamin tava olhando pra ela e continuava procurando as coisas dela.
A última pontinha de insatisfação do Benjamin desapareceu nesse momento. Ele perguntou, "O que você tá procurando?"
Até a voz do Benjamin aparecer atrás dela, a Martina finalmente voltou a si.
Ela entrou em pânico e tentou se levantar, mas bateu a cabeça na beira da cama com tudo, e a testa ficou vermelha na hora.
Não só isso, a Martina esfregou a testa dolorida com vergonha e raiva, olhando pro Benjamin descontente, "Quem te deixou entrar?"
Ela tava pensando que tinha umas coisas pessoais escondidas embaixo da cama que ela queria levar embora amanhã. Quem diria que o Benjamin ia entrar tão quieto?
Sem dizer nada, o Benjamin foi em direção à Martina e puxou ela pra sentar na cama.
Ele soltou a mão dela e viu que a testa dela tava um pouco arranhada. Ele não se aguentou e repreendeu ela, "Como você pode ser tão desleixada?"
Antes que a Martina pudesse reagir, o Benjamin pegou o celular e ligou pro Simon, "Traz o kit de primeiros socorros."
O Simon trouxe o kit rapidinho, correndo. O Benjamin pegou da mão dele pessoalmente.
A Martina entendeu a intenção do Benjamin. Ele ia passar o remédio nela? Ela educadamente recusou, "Eu consigo fazer sozinha. É só um machucadinho."
Comparado com a dor no coração dela, isso não era nada.
Ela só queria se afastar do Benjamin o máximo possível.
Sobre o relacionamento dela com o Benjamin, ela realmente precisava esclarecer isso direito.
Com esse pensamento na cabeça, a Martina pegou o kit de primeiros socorros e passou um pouco de remédio na testa na frente da penteadeira, usando o espelho pra se guiar. O processo todo durou menos de um minuto.
Quando a Martina se virou de novo, ela já tinha colocado os sentimentos dela em ordem completamente.
Olhando pro Benjamin na frente dela, não tinha mais aquela admiração profunda que ela tinha antes, só cansaço e dormência.
"Benjamin, vamos conversar direito", a Martina falou.
O Benjamin deu um tapinha no lugar do lado dele e disse, "Vem sentar aqui."
A Martina hesitou por um momento, mas decidiu ir andando e sentar do lado do Benjamin.
No segundo seguinte, o Benjamin tomou a iniciativa de passar os braços pela cintura fina da Martina e beijou ela sem hesitar.
Ele tava esperando por esse momento fazia muito tempo, e mesmo que a Martina não estivesse mais tão proativa quanto antes, não importava. Se ela não quisesse tomar a frente, ele faria isso.
A Martina arregalou os olhos de surpresa, porque o Benjamin nunca tinha sido tão decidido antes.
O que ele tava querendo fazer? Mas antes que ela pudesse reagir, o Benjamin já tinha rompido as defesas dela, e ela logo percebeu que tava lutando pra respirar.
Ela sentiu uma dorzinha nos lábios, e percebeu que o Benjamin tinha mordido o lábio dela com um vestígio de ressentimento.