Capítulo 87: Partida Tardia
No escritório.
A tela do computador na frente do Benjamin tava sempre acesa.
Mas a cabeça dele… nem aí. Mesmo com a janelinha pra uma videoconferência pipocando, o Benjamin tava no mundo da lua.
Nos últimos dias, uma parada bizarra tinha rolado com ele, deixando ele totalmente perdido, mó perturbado.
Ele tava lembrando do dia, quando ele tinha fuçado no passado da Martina, e não conseguia tirar da cabeça que ela tinha levado mó esculacho de quase todo mundo. Seja quem fosse, gente que ele conhecia, amigos, família, ou outros contatinhos, ninguém tinha tratado a Martina com carinho. Na real, tava rolando umas paradas meio sinistras de um ódio inexplicável, tudo direcionado pra ela.
Só que a Martina nunca tinha falado nada disso pra ele. Ela sempre ficava na dela, engolindo tudo.
Se o Benjamin não tivesse ido atrás, talvez ele ainda taria na ignorância.
Segundo o que o Simon contou, o Benjamin ficou furioso quando soube das paradas que a Martina tinha passado. Pensando no toque sem querer mais cedo, que tinha feito a Martina reagir tão forte, ele não conseguia parar de pensar se a ignorância dele, a falta de atitude e a decepção que rolou depois tinham ferrado tudo.
O Benjamin passou a mão na testa. Umas paradas precisavam mudar, sem jeito.
Vendo a hora, o Benjamin percebeu que já era meia-noite. Ele saiu do escritório e foi pro quarto da Martina.
Assim que ele entrou, viu que só tinha uma luzinha de noite acesa, e a Martina tava dormindo, abraçada num travesseiro.
A Martina, que grudava nele e dormia no colo dele, independente da hora, tinha sumido.
O Benjamin pareceu que tava pensando em alguma coisa, mas no final, não ficou no quarto. Em vez disso, ele saiu de novo.
Ele pegou o celular, botou um casaco limpo e vazou sem olhar pra trás, com o Leslie.
O Simon já tava dormindo, e o Benjamin não ligou pra ele.
O Leslie, dirigindo o carro, não sabia o que tava rolando com o Benjamin. Ele olhou pro Benjamin pelo retrovisor e perguntou: “Chefe, pra onde a gente vai agora?”
O Leslie tava mó sonolento e não fazia ideia do que o Benjamin tava aprontando.
O Benjamin não falou nada; só mandou o Leslie continuar dirigindo.
Com o tempo, eles chegaram no terraço de um bar chique. Só gente importante podia entrar lá.
Como o Benjamin tinha avisado, uma galera começou a chegar.
Entre eles, o Adam foi o primeiro a aparecer, com duas garrafas de vinho fino na mão, mó preparado pra ocasião. Junto com o Adam, tinha outros, uns que eram os melhores amigos dele.
Essa galera dependia muito dos contatos e não tava nem aí pras leis. Eles se achavam os melhores, metidos a besta, olhando todo mundo de cima, mas na real, as habilidades deles eram meio fracas. Principalmente comparado com alguém tipo o Benjamin, eles não chegavam nem perto. Era tipo a diferença de um cara com doutorado pra uma criança na creche, sem comparação.
Mas essa não era a parada mais importante, né?
O Adam sentou na frente do Benjamin com um sorriso no rosto, mó feliz.
O Benjamin tava cheio de coisa pra fazer e não tinha tido tempo de colar com esses “amigos” desde que ele tinha voltado. Aí não dava pra negar que eles estavam animados.
Agora que o Benjamin tava chamando, mesmo sendo de madrugada, um monte de gente foi chegando rapidão. Principalmente um cara que já tava dormindo com a namorada nova, mas mesmo assim se vestiu e correu pra lá.
O Benjamin era tipo o ídolo deles, a parada que não podia ser abalada de jeito nenhum!
“Benjamin, faz tempo que a gente não cola pra beber, né? Você finalmente tomou a iniciativa de convidar a gente,” falou o Adam, mó animado, abrindo a garrafa de vinho e botando um pouco no copo do Benjamin.
O Benjamin não falou muito, no máximo deu uma encarada, mas só.
“Falando nisso, aquela mina que eu vi da última vez que parece a Martina, é ela mesmo?” perguntou o Adam. “Ela tá louca? Como ela ousa ir pra um lugar tão longe sozinha, e de navio! Ela tá pirada das ideias?”
Mesmo na frente do Benjamin, o Adam falava o que dava na telha, mó sem filtro, claramente não dando moral pra Martina.
Os outros concordaram: “Exatamente, a Martina sempre arruma problema.”
“Ela falou que ia vazar dessa vez, né? Como é que eu ouvi dizer que ela voltou? Eu sabia que ela não ia aguentar mais de um mês antes de voltar correndo. Eu tava certo!”
Essa galera ficou falando da Martina, como se fosse alguma palhaçada.
Infelizmente, pro Benjamin, isso não era motivo pra ficar feliz.
Até o Leslie fechou a mão. Então, essa era a razão da Miss Martinez ter ido embora?
Essa galera, como amigos do chefe, independente de serem chegados ou não, tavam ali por um acaso.
Só que esse tipo de amizade não tinha nada a ver com a Martina. Eles tavam tipo dando um tapa na cara do chefe, indiretamente?
O Leslie não sabia o que o chefe ia aprontar antes, mas agora ele já tinha uma ideia. Ele ficou parado atrás do chefe, mó calado. Como um funcionário eficiente, ele precisava saber como diminuir a presença dele, agir quando precisasse e sumir quando fosse preciso, sem espaço pra dúvidas.
O Adam tomou um gole da bebida, falando sozinho: “Claro, aquela mulher interesseira, como ela ia aguentar ficar longe do Benjamin? Ela só tá brincando!”
“Benjamin,” ele falou, “Deixa ela ir. A gente nem é do mesmo mundo que ela.”
“É claro que gente de mundos diferentes não deve se forçar a ficar junto. Ela não entende, mas você entende. Eu até acho que a minha irmã é mó gente boa…”
Claramente, o Adam não sabia o que tinha rolado entre a Amy e o Benjamin. Se ele soubesse, talvez não ousaria falar essas paradas. Mesmo nessa, ele tava querendo abrir o caminho pra irmã dele. Por um lado, dava pra dizer que ele era um bom irmão.
Só que a personalidade do Adam era ruim, e o jeito dele de fazer as coisas era pior ainda. Ninguém gostava de verdade desse tipo de gente.
Os olhos do Benjamin piscaram, revelando um breu profundo neles. Se tinha alguma coisa que exalava a aura mais fria naquela sala, era o Benjamin.