Capítulo 197: Não consigo concordar com o que você está dizendo
Martina não conseguia acreditar na cara de pau que o Adam tinha de soltar essas palavras em público. Mas, tipo, considerando a personalidade dele, até que não foi uma surpresa total.
Adam nunca foi flor que se cheire, então quem esperaria alguma boa ação dele? Se ele conseguisse, aí sim seria chocante.
Martina revirou os olhos sem dó nem piedade e, mais uma vez, segurou firme na alça da bolsa, como se fosse vazar no segundo seguinte, mas não foi.
"Acho que você tá de zoeira. Não dá pra concordar com o que você tá falando. Já que a Amy fez merda, tem que encarar as consequências."
"Essas são as minhas palavras e a atitude que eu mantenho. Adam, acho que você não tá por fora do que a Amy aprontou comigo, né?"
Como é que o Adam não ia saber? Mesmo que não tivesse sacado antes, agora ele tinha.
É, foi a irmã dele que cavou a própria cova, mas ainda é a irmã dele, né? Não dá pra simplesmente ignorar. No mínimo, ele tinha que ficar mais de olho nela no futuro, evitar que essas paradas fossem a público e ser mais esperto pra não dar margem pra ninguém se aproveitar. Assim, essas coisas não iam acontecer de novo, certo?
Só que o Adam não esperava que a Martina fosse tão firmeza. Teve que admitir que a Martina tava falando a real, pela cara dela.
A mente do Adam continuou a mil, procurando uma chance melhor. Ele provavelmente já tinha sacado a jogada e tava se esforçando pra mudar a atitude pra não irritar a Martina.
"Não tem outro jeito mesmo? Ou, sei lá, o que você quiser, qualquer coisa que você queira, eu consigo pra você. Não dá pra recusar tão rápido, né? Acho que dá pra negociar um monte de coisa."
"Eu sei que minha irmã pisou na bola, então eu tô disposto a fazer o que você quer. Já joguei minhas cartas na mesa, o que mais você quer?"
"E, ah, você não foi muito afetada por esse acidente. No futuro, minha irmã nem vai ter contato com você. Pra você, é bom!"
"Além disso, você pode ganhar uns pontos com o Benjamin por causa disso. Não é o que você quer?"
"Antes, o Benjamin nem te dava bola, e agora, mesmo que ele tenha mudado a visão dele sobre você, vocês dois não combinam muito."
"Mas, se você quiser, você vai ficar ligada na nossa família Paloma, e no futuro, a gente pode te ajudar. Eu também garanto que minha irmã não vai mais atrapalhar o lance entre você e o Benjamin!"
No começo, as palavras do Adam podiam até soar sinceras, mas na real, não eram. Só que a Martina tava nem aí. Podia até ter acreditado antes, mas agora, não.
Não era só orgulho; a razão mais importante era que a Martina já tinha entendido a parada. Ela sabia a distância entre ela e o Benjamin e que algumas coisas não dava pra forçar, por mais que ela quisesse.
E, tipo, quando foi que a Martina falou que queria mesmo ficar com o Benjamin? Se eles se separassem, ia ser super normal.
Então, as palavras do Adam não convenceram a Martina. Na real, só iam render uns deboches.
"Adam, parece que sua bajulação mirou na pessoa errada. Não me comovi com suas palavras", disse Martina, fria. "Não importa o que você faça, que pena que você não consegue me convencer. Então, não me culpa por te recusar."
Diante da resposta seca da Martina, os olhos do Adam pareciam estar pegando fogo de raiva, mas ele não teve escolha a não ser esconder a raiva. Deve ter sido bem doloroso pra ele.
"Por que você é assim? Eu acho que mostrei sinceridade o suficiente e tô disposto a fazer o possível pra te dar o que você quer. Posso até fazer da nossa família sua aliada. Por que você não consegue enxergar isso? Só tô pedindo um favorzinho", disse Adam, perdendo a paciência.
A Martina sacou as verdadeiras intenções do Adam com um olhar. Se ela acreditasse nele, ia ter que se questionar.
"Pra você, pode ser pouca coisa, mas pra mim, não é a mesma coisa", retrucou Martina. "A Amy teve essa ousadia porque tinha status e contatos. Acho que tem que ter consequências pelas atitudes dela."
"Olha, eu sei o que você tá pensando. Mesmo que você esteja fingindo tão bem agora, eu sei que você não sente isso de verdade, sente?"
"Se eu concordasse com o que você tá dizendo, e se a Amy saísse da delegacia, quais seriam as consequências pra mim?"
Atordoado por um momento, Adam franziu a testa com força, e um olhar de confusão podia ser visto em seus olhos.
"O que você quer dizer com isso? Eu não fui bem claro?"
"Você só falou claramente, mas não quer dizer que você consiga fazer. Eu não sou idiota", Martina zombou. "Deixa eu adivinhar, se eu seguisse suas sugestões, como você ia reagir? Você ia me atacar no momento em que sua irmã estivesse segura."
Adam arregalou os olhos sem querer, provavelmente porque não esperava que a Martina adivinhasse com precisão seus pensamentos. Será que ele tinha se exposto tanto assim?
Ele balançou a cabeça, e o sorriso no rosto dele ficou ainda mais forçado.
A Martina tinha se transformado em outra pessoa, e essa mudança bizarra foi mais que um choque pro Adam.
"Como assim? Isso é só coisa da sua cabeça. Eu nunca falei nada disso. Não me entenda mal", Adam forçou um sorriso e explicou.
"Ah, tá", Martina concordou, "você nunca falou, mas é o que você realmente pensa. Eu não quero correr esse risco, e não quero ter nada com sua família."
Antes que o Adam pudesse retrucar, a Martina já tinha expressado seus pensamentos mais precisos e verdadeiros.
Afinal, ofender as pessoas era algo que a Martina fazia mais de uma vez. É tipo o ditado – a prática leva à perfeição, e ela já era bem experiente nisso.