Capítulo 168: Sombras da Infância
Alejandro parecia tão gentil e simpático quanto sempre. Parecia que quando ele via a Martina, o coração dele se enchia de felicidade. Uma felicidade e alegria tão genuínas não podiam ser escondidas, só alguém que sentisse isso de verdade poderia levar às situações seguintes.
"Oi, Miss Martinez. Minha irmã deve ter te dado problemas de novo. Por favor, aceita minhas desculpas", disse Alejandro, sem nem perguntar o que elas duas estavam aprontando. Ele instintivamente presumiu que era a Elena que causou problemas, mostrando falta de confiança nela.
A Elena ousava ficar brava, mas não explicar. Sério, ela não tinha medo de nada, exceto do irmão dela? Mesmo que os pais ficassem bravos e ameaçassem quebrar as pernas dela, eram só palavras vazias. Mas se ela chateasse o irmão, ele era capaz de fazer mesmo!
Situações parecidas tinham rolado na infância da Elena, e agora que elas estavam crescidas, isso virou uma sombra psicológica pra ela. Naturalmente, ela tava com medo.
"Ah, tá ficando tarde. Que tal a gente ir pra casa primeiro? Eu só saí com a Martina pra comer um lanchinho de madrugada. Se você não acredita em mim, pode perguntar pra ela!" disse a Elena.
Prevendo que o Alejandro podia perguntar, a Martina se preparou pra inventar uma mentirinha branca. Às vezes, uma mentira inofensiva podia beneficiar todo mundo, principalmente se significasse proteger a melhor amiga dela de outra bronca. Felizmente, não rolou nada de mais hoje, e mesmo que elas não se despedissem direito, não ia dar muito problema pra Elena.
"Sim, Alejandro, a gente só saiu pra comer. Se tiver algum problema, por favor, não briga com a Elena. Eu vou tentar não fazer isso de novo no futuro", acrescentou a Martina.
A expressão de raiva esperada do Alejandro não apareceu. Ele continuou gentil como sempre. "Tudo bem, eu confio em vocês duas. Só perguntei porque acho minha irmã um pouco imprevisível, e senti cheiro de álcool nela. Mas não quis dizer mais nada."
A Martina riu junto, "Já que tá tudo bem, que bom. Tá ficando tarde, e eu já vou. Vocês também deviam ir pra casa e descansar. Até amanhã."
Enquanto a Martina tava prestes a ir embora, o Alejandro de repente chamou, "Miss Martinez."
A Martina se virou pra olhar pra ele, tentando não mostrar nenhuma emoção na cara pra não causar nenhum problema pra Elena. "Sim. Mais alguma coisa?"
O Alejandro balançou a cabeça, o olhar dele parecendo sincero, como se não houvesse segundas intenções, e ele estivesse falando de verdade. "Nada. Mas eu tô me perguntando se você lembra do nosso acordo da última vez que a gente se viu no avião. Você sabe que eu acabei de voltar, então..." O olhar do Alejandro mudou um pouco. "Que tal a gente jantar junto amanhã? Eu também tenho uma coisa pra discutir com você."
Uma coisa pra discutir? Se tinha alguma coisa pra conversar com a Martina, devia ser sobre pintura. A Martina ficou chocada por um momento, porque ela não tinha recebido nenhuma indicação de cooperação da Elena antes.
A Elena também ficou chocada. A leve embriaguez dela parecia ter sumido completamente naquele momento. Ela ficou totalmente sóbria com a virada de eventos de repente. "Quê? Por que você precisa discutir a cooperação em particular? Por que você não mencionou isso antes? Você tá planejando fazer alguma coisa comigo secretamente durante esse tempo?"
"Me desculpa, não é suficiente? Eu prometo que vou mudar, e não vou mais sair tão tarde. Por favor, não me trate assim, tá bom? Eu tô com medo..." implorou a Elena.
Parecia que a sombra psicológica causada pelo incidente anterior era realmente grande. Até a Martina não aguentava ouvir.
Ao mesmo tempo, a Martina também sabia que, como o Alejandro tocou no assunto, não podia ser só uma brincadeira; ele devia ter uns pensamentos sérios por trás disso.
"Se você realmente tem algum plano, só me avisa. Eu vou arranjar um tempinho amanhã, e a gente pode conversar enquanto come", disse a Martina.
O Alejandro concordou com a cabeça, e o humor dele pareceu melhorar, "Tudo bem, então tá combinado. Amanhã, eu entro em contato com você separadamente pra marcar o horário."
Naquele momento, o Benjamin não tinha planejado sair do carro no começo, já que não se sentia familiarizado com essas pessoas e não via motivo pra ficar lá fora aumentando o climão. Mas, depois de esperar tanto tempo sem a Martina voltar, ele começou a se sentir meio irritado.
Sem que ninguém notasse, ele saiu do carro. Ele então abraçou firme a cintura da Martina enquanto a Martina e o Alejandro conversavam felizes.
Sentindo a cintura fina e macia da Martina, um sentimento estranho surgiu no coração dele, mas ele não mostrou nada por fora.
"Sobre o que vocês tão falando?" perguntou o Benjamin.
A Martina sabia quem era, sem nem precisar olhar pra trás, e abriu a boca um pouco, mas não respondeu na hora. Ela não tentou se soltar de propósito porque entendeu que o comportamento atual do Benjamin era por causa da insatisfação dele. Se ela revelasse alguma coisa, só ia piorar as coisas.
Ela olhou pro homem do lado dela, reconhecendo a beleza dele. "Por que você saiu do carro? Você não tava dizendo que não queria antes?"
Naquele momento, os olhos da Martina pareciam só ver o Benjamin. Ele ficou bem satisfeito com essa mudança, porque indicava que ela ainda tinha sentimentos por ele, ou senão ela não ia estar agindo assim.
"Eu tava te esperando há um tempão, mas você não voltou. Então eu quis vir ver. Sobre o que vocês tão falando?" O Benjamin falou o mais gentilmente possível, apesar de ser mais fingimento. Mas quando se tratava de fingir na frente da Martina, ele tava mais do que disposto a entrar na brincadeira.
A Martina balançou a cabeça, "Não é nada importante, só discutindo uma possível colaboração. Tá ficando tarde, vamos voltar."
Mas o Benjamin foi persistente; o sexto sentido dele disse que o Alejandro não tava com boas intenções.
Se não, por que o Alejandro ia ficar se aproximando da mulher dele repetidamente? Não podia ser só coincidência.
O Benjamin teve uma abordagem mais dominadora e passou o braço firme pelo ombro da Martina, parecendo tranquilo e firme. Ele olhou pro Alejandro e disse, "Eu me pergunto sobre o que você precisa colaborar com a Martina. Por que você não fala comigo, em vez disso? Eu tenho a melhor equipe."