Capítulo 106: Uma flecha, múltiplos alvos
Apesar da Amy estar temporariamente em desvantagem, ela não tava afim de desistir do plano dela de continuar a provocar a Martina. Ela não só se recusou a largar o osso, como a ideia de botar a Martina numa saia justa tava ficando cada vez mais forte, tipo, ela mal podia esperar pra achar uma chance de fazer a Martina se sentir completamente humilhada.
Idealmente, ela queria que a Martina sumisse do grupinho delas e nunca mais aparecesse naquele lugar.
A Amy achou um lugar pra sentar, mas os pensamentos dela não paravam de rodar na cabeça.
Bem nessa hora, alguém apareceu perto da Amy, parecendo um dos que viviam atrás dela.
Esse cara tinha uma aparência legal, não era super gato, mas tinha as feições do rosto simétricas. Só que os olhos dele estavam cheios de uma parada sinistra.
Não era difícil perceber a ambição escondida nos olhos dele, e essa ambição incluía uma vontade forte de ter a Amy ali na frente dele.
O nome dele era Rick Timber, também uma figura importante na cidade, vindo de uma família rica. O pai dele era o chefão de uma fábrica grande.
O encontro do Rick com a Amy foi totalmente por acaso, mas foi justamente por causa desse acontecimento que o Rick não conseguia esquecer a Amy.
Daí pra frente, ele se jogou de corpo e alma pra correr atrás da Amy, sem parar.
Antes, o Rick sempre achou que não tinha chance porque já tinha levado um fora da Amy. Mas agora, ele sentiu que a oportunidade tinha chegado.
Vendo o Rick ali, a expressão da Amy continuou a mesma; em vez disso, ficou ainda mais chata.
"O que você tá fazendo aqui?" ela perguntou.
Não era nenhuma surpresa que ele tivesse sido convidado, considerando a grana da família do Rick. É que a Amy tava tão focada na Martina antes que não percebeu a existência dos outros.
Ouvindo a Amy falando de um jeito não muito educado, o Rick não ficou bravo nem um pouco; em vez disso, ele foi super puxa-saco.
"Senhorita Paloma, fiquei sabendo do que rolou agora há pouco. Queria ter chegado um pouquinho antes pra te ajudar", ele disse.
O Rick manjava de expressar o que tava pensando, mas se ele ia ter coragem de fazer alguma coisa, era outra história. Afinal, a família Rodríguez tinha uma influência grande e com certeza era mais forte que a família Timber.
Tinha um copo de bebida na frente da Amy, e ela tava quase acabando com tudo de uma vez quando o Rick pegou o copo.
A Amy olhou pra ele com uma cara de desgosto, quase partindo pra briga. Se não fosse a necessidade de manter a reputação da família, ela até que faria alguma coisa.
E o Rick, agindo como se nada tivesse acontecido, falou: "Senhorita Paloma, não devia beber tanto, pensando na sua saúde. Eu entendo que você provavelmente não tá se sentindo bem agora, mas posso te ajudar".
A Amy finalmente olhou pra ele nos olhos. "Você diz que pode me ajudar, mas como você pode me ajudar?" ela perguntou.
O Rick sorriu de leve, e a sensação de agressividade nos olhos dele pareceu aumentar.
"Claro, posso ajudar a Senhorita Paloma a resolver as dificuldades e lidar com a pessoa que te sacaneou. Tenho meus próprios planos", ele respondeu.
Talvez por causa da identidade do Rick, ou talvez porque a Amy queria tentar uma parada desesperada, ela perguntou com uma mistura de crença e dúvida: "O que você pretende fazer?"
Ela nem perguntou por que o Rick queria ajudar ela desse jeito, porque ela sabia que a vontade dele de ajudar vinha dos sentimentos que ele tinha por ela.
O sorriso do Rick se abriu ainda mais quando ele sentiu que os olhos da Amy finalmente reconheceram a existência dele de verdade.
"Claro... fazer ela sofrer sem parar e deixar você descontar toda a sua raiva", ele falou.
A cabeça da Amy tava cheia de pensamentos, e ela não conseguia tirar a sensação de que tinha algo errado com o sorriso do Rick naquele momento.
Mas pensando bem, se pudesse mesmo impedir a Martina de dar a volta por cima, ia ser bom pra ela também. Ela não ia precisar se preocupar nem um pouco.
A Amy pegou um copo de suco que tava do lado e tomou um gole, absorvendo as palavras do Rick.
"Bom, a uma colaboração agradável", eles brindaram.
O Rick pegou o copo que a Amy já tinha dado um gole e encostou os lábios no lugar onde tinha ficado o batom dela. Ele esvaziou o copo, talvez achando que a bebida tava especialmente doce porque a Amy já tinha provado.
Ele tirou o celular, com o olhar cheio de agressividade enquanto encarava a Amy por um tempo. "Então, Senhorita Paloma, pode me adicionar no Snapchat? Já te adicionei várias vezes".
Talvez a Amy fingisse que não via a mensagem do Rick, mas agora, pra transformar essa possibilidade em realidade, ela adicionou ele, a contragosto.
Quando o Rick saiu dali todo confiante, uma faísca de nojo passou rápido pelo rosto da Amy.
As pessoas sempre gostam do que não podem ter, enquanto as que elas conseguem não são valorizadas. Essas palavras caíram como uma luva pra Amy, como se fossem feitas sob medida pra ela.
Depois que o Rick vazou, ele achou a Martina na multidão, conversando com a Elena e outras pessoas.
Até o Rick não conseguiu evitar de ficar chocado no momento em que viu a Martina. Ele não esperava que ela fosse tão bonita. Era o primeiro encontro deles.
Mas saindo do transe, o Rick logo percebeu que, não importa o que acontecesse, ele ia ficar firme na frente da Amy, como se fosse a única forma de mostrar a lealdade dele.
O Rick já tinha bolado um plano na cabeça. Pra uma mulher, fidelidade era a coisa mais importante a proteger. O que ia acontecer se a Martina perdesse a fidelidade por causa disso?
A galera falava que a Martina vivia grudada no Benjamin, que tava lá em cima. O Benjamin também era o ídolo do Rick.
Dessa vez, o Rick ia tentar uma parada arriscada pra acabar com a Martina, mesmo que pra isso tivesse que achar a oportunidade certa durante esse banquete.
A parada principal era que uma flechada ia acertar vários alvos. Ele ia conseguir preservar a inocência do ídolo dele, impedir a Amy de ficar chateada e ainda ganhar o carinho dela. Era tipo, um feito três em um.
Nesse momento, a Martina conseguiu sentir de leve um olhar ardente direcionado a ela, olhando pra ela de vez em quando. Mas quando ela tentava procurar, não achava nada.
A Elena, curiosa, perguntou pra Martina: "Aí, o que você tá olhando? Viu algum gato no banquete? Lembre de me contar!"
A Martina sorriu e balançou a cabeça: "Não, não é nada. Só tô sentindo uma coisa estranha".
A Elena, com a personalidade dela, que era de boa, continuou na dela, como sempre. "Ah, alguém deve ter se apaixonado pela sua beleza de novo, mas não importa. Vamos ignorar! Depois, vou te apresentar as pessoas da minha família e deixar elas te conhecerem. Elas tão doidas pra te ver com os próprios olhos".